Cena de A Menina Que Matou os Pais

Créditos da imagem: (Amazon Prime Video/Divulgação)

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Carla Diaz explica "três versões" de Suzane nos filmes sobre o Caso Richthofen

Atriz e Leonardo Medeiros relembram oficina de desenvolvimento dos personagens

Eduardo Pereira
25.09.2021
10h00

Se Carla Diaz e Leonardo Bittencourt entregam boas atuações como Suzane von Richthofen e Daniel Cravinhos, nos filmes que adaptam à ficção o Caso Von Richthofen A Menina Que Matou Os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais, do Amazon Prime Video, é graças a um extenso trabalho de estudo de personagens, que incluiu uma oficina voltada ao estudo de vídeos, documentos, pesquisas e reportagens sobre os criminosos. O Omelete conversou com os atores, que contaram mais sobre o processo.

"Foi um grande desafio essa personagem na minha carreira", explicou Diaz. "Foi como se eu interpretasse três versões dela, porque nós temos dois filmes que contam o mesmo caso, sob dois olhares diferentes, fora que em um deles, nós temos a personagem narrando em tribunal. Ou seja, o tribunal são anos depois, com uma outra perspectiva, então eu acho que essa personagem também acaba tendo uma abordagem diferente", adicionou.

"Nesse workshop do qual a gente participou, foi um dia inteiro ouvindo os autos do processo e vendo imagens de reconstituição", lembrou Bittencourt. "A partir dos depoimentos, eu pude pegar alguns trejeitos, pude perceber que o Daniel era um cara muito minucioso, tinha muita precisão nos movimentos, então isso me ajudou muito, além de notar que ele é um cara mais tímido, pela expressão corporal", completou.

"Não era um personagem que tinha muito recurso visual, não tinha muita referência", continuou o ator, que lembrou do protagonismo dado a Suzane na cobertura midiática dos crimes. Para Bittencourt, foi gratificante ouvir do assistente de Ilana Casoy, co-roteirista do filme ao lado de Raphael Montes e criminóloga com anos de experiência sobre o caso, que sua atuação o lembrava claramente de Daniel. "Foi um feedback positivo, porque eu não parti de uma construção visual, eu fui dentro do que eu acreditava, dentro dos roteiros, e que bom que quem viu ali pôde dizer que estava alinhado", analisou.

Para Diaz, ter acesso ao material relacionado aos processos foi um diferencial. "Todo o material dos autos do processo, todo esse material que a Ilana Casoy trouxe para a gente em workshops, foi muito importante, porque ali a gente conseguiu se aproximar mais da história, e fazer essa construção de personagem. Foi um trabalho muito intenso, muito denso", analisou a atriz. "Em primeiro lugar, a gente teve de se distanciar do nosso julgamento pessoal, porque, se não, não teria como interpretar com veracidade essas três versões da personagem. Então, como artista, eu peguei todas as referências que a gente achou necessário, mas também tem o lado interpretativo, porque estamos falanso de uma dramaturgia audiovisual".

Focados exclusivamente nas versões de Daniel Cravinhos e Suzane von Richthofen, cada longa tem aproximadamente 80 minutos de duração e conta um ponto de vista diferente da história do casal de namorados. Os roteiros têm como base informações contidas nos autos do processo que terminou com a condenação dos dois pela morte dos pais de Suzane.

Segundo a equipe criativa do filme, a decisão de lançar duas produções foi a solução encontrada para que o material seja fiel ao que é narrado nos documentos. O plano inicial era que ambos os filmes fossem exibidos em sessões alternadas nas mesmas salas de cinema, o que foi descartado com a pandemia da covid-19.

A produção dos filmes não têm nenhuma relação com Suzane Von Richthofen e Daniel Cravinhos e se baseia inteiramente nos depoimentos que estão nos autos do processo. Com isso, eles não receberam dinheiro da produção e não receberão nada após o lançamento.

A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais têm direção de Maurício Eça (Apneia e Carrossel) e roteiro assinado por Ilana Casoy, criminóloga, escritora e maior especialista em serial killers do Brasil, juntamente com Raphael Montes, escritor brasileiro de literatura policial.

O elenco traz ainda Allan Souza Lima, Kauan CeglioLeonardo MedeirosVera ZimmermannAugusto MadeiraDebora DubocMarcelo VárzeaFernanda Viacava, Gabi Lopes e Taiguara Nazareth. Para o papel de Suzane, Carla Diaz afirmou que se inspirou em produções como Laranja Mecânica e O Silêncio dos Inocentes.

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