Filmes

Crítica

Gnomeu e Julieta | Crítica

Até William Shakespeare aparece em animação inspirada em sua obra

Érico Borgo
03.03.2011
18h30
Atualizada em
03.11.2016
00h00
Atualizada em 03.11.2016 às 00h00

"A história que você está prestes a ver já foi contada antes. Um monte de vezes. E agora vamos contá-la de novo. Mas diferente", explica um gnomo desconfiado no prólogo de Gnomeu e Julieta (Gnomeo and Juliet, 2011).

Gnomeu e Julieta

None

Gnomeu e Julieta

None

Gnomeu e Julieta

None

Realmente, quem não conhece a história de Romeu e Julieta? A mais famosa tragédia romântica de William Shakespeare já inspirou versões de todos os tipos nas telas, desde o cinema mudo (com Georges Méliès, em versão perdida) passando pelo cinema clássico (Romeu e Julieta, 1968), o moderno (Romeu + Julieta, 1997) e o pós-moderno (a série Anjos da Noite), para citar apenas quatro adaptações entre centenas.

Gnomeu e Julieta é o mais novo filme a empregar a temática dos dois amantes que vivem uma história de amor impossível. A ideia das famílias antagonistas continua, com Montéquios e Capuletos representados como anões de jardins vizinhos, que criam vida quando os donos de suas casas saem (a la Toy Story). Gnomeu é um dos Azuis e Julieta é uma vermelha, suas famílias em eterno embate... até que eles se conhecem fora de seus ambientes e se apaixonam.

A animação de Kelly Asbury (Shrek 2, Spirit) é muito bem realizada, assim como o 3D. O design de personagens é divertido e cheio de sutilezas que aproveitam os materiais dos anões. Do barulho de cerâmica quando as mãos de Gnomeu e Julieta se tocam aos descascados na pintura dos anões de jardim mais velhos. As piadas também agradam de crianças a adultos, que devem reconhecer também os acordes de algumas das mais famosas canções de Elton John, como "Crocodile Rock," "Your Song," "Tiny Dancer" e "Don't Go Breaking My Heart". O músico é produtor-executivo e responsável pela trilha sonora ao lado do arranjador James Newton Howard.

Sequências dramáticas da obra de Shakespeare, como as mortes de Teobaldo e Mercutio (que não morre, mas enfrenta um destino pior que a morte para qualquer anão) são adaptadas com criatividade. Sem falar nos duelos, recorrentes no texto original, que viram aqui corridas de cortador de grama.

A inventiva versão, assim, é excelente ponto de partida para apresentar essa imortal história de amor aos mais novos, já que não desmerece a inteligência do público e faz rir o tempo todo. Pena que os adultos que têm que levar crianças ao cinema vão perder os excelentes trabalhos de dublagem do original, que conta com gente do calibre de Michael Caine, James McAvoy, Maggie Smith, Jason Statham, Ozzy Osbourne, James McAvoy, Emily Blunt e até o surtado Stephen Merchant.

Obviamente, por tratar-se de uma animação infantil, mudanças em relação ao original são esperadas (você deve imaginar quais são). O mais interessante, porém, é que os roteiristas resolveram dar uma "aulinha" de literatura no meio do filme, com o próprio William Shakespeare - na forma de uma estátua de parque dublada por ninguém menos que Patrick Stewart - questionando os fatos e dizendo que sua história é melhor. "Morre todo mundo no final", entrega. Em tempos de mediocridade online, em que comentar o final de uma das mais conhecidas obras da dramaturgia mundial pode ser considerado "spoiler", Gnomeu e Julieta merece o apreço.

Gnomeu e Julieta | Veja cenas do filme
Gnomeu e Julieta | Cinemas e horários

Nota do Crítico
Bom