Rebel Moon e X-Men 97

Créditos da imagem: Netflix/Marvel

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X-Men 97 e Rebel Moon mostram que há de certo (e errado) com o gênero de heróis

Enquanto um resgata essência do que eterniza o formato o outro aposta em ideias desgastadas

Omelete
3 min de leitura
25.04.2024, às 16H24.

Tinha um bom tempo que a Marvel não criava algo tão bom quanto X-Men 97, animação que continua a série clássica dos anos 1990. Aclamado quase por unanimidade, o seriado do Disney+ se baseia em uma dúzia de histórias antigas dos mutantes para reciclar a esperança nas produções do estúdio. Por outro lado, é curioso que em uma era da dita "fadiga" do gênero de heróis uma série sobre histórias antigas represente a novidade que muitos fãs esperavam.

Uma outra produção, porém, ajuda a entender o que fez o cansaço ser mais evidente. Rebel Moon, a saga espacial de Zack Snyder na Netflix, é tudo que a cultura pop exauriu na última década, e da pior forma possível. Ainda que carregue a conhecida assinatura do cineasta e não seja baseada numa IP anterior, a história do grupo rebelde enfrentando um império maléfico é uma amálgama de referências espalhadas por Star Wars, Marvel, DC, samurais, Conan, Frank Miller, entre outros.

Abraçar tais inspirações está longe de ser um problema, mas a forma como Snyder dá vida a isso remete ao rolo compressor de tendências que Hollywood se tornou - ou como filmes e séries muitas vezes viraram subprodutos de um algoritmo. Desde a pandemia, que acelerou de forma desordenada os efeitos do streaming na indústria, as produtoras que antes passavam anos produzindo um roteiro ou uma obra se viram na obrigação de produzir na velocidade de redes sociais.

A diferença é que a Netflix tem parcerias e estúdios próprios ao redor do mundo e um sistema de distribuição próprio, além de entender de tecnologia como nenhuma de suas concorrentes - afinal, seu DNA tem mais Vale do Silício do que de Hollywood. Com acionistas em cima e lucros caindo, não tinha outra saída a não ser seguir a nova tendência e colocar numa esteira de fábrica toda e qualquer franquia. Foi assim que a fase pós-Ultimato da Marvel se tornou um furacão de produções lançadas em bloco, os filmes da DC se viram num limbo e até Star Wars se perdeu mais do que era imaginado.

Quantumania, Flash e Livro de Boba Fett são alguns exemplos do que não escapou desse furacão do mercado, e quase sempre estão atrelados à falta de distância da esteira de produção. Mas há milagres.

Na DC, temos Pacificador, quase que o cartão de entrada para o atual presidente da DC, James Gunn, na empresa; Star Wars viu até o Emmy reconhecer Andor, enquanto a Marvel relembra o gosto do sucesso, agora com X-Men 97. Em comum entre todos estes está o fato de se distanciar do conglomerado de referências vistas nos pilares cansados do gênero. Pacificador é assinatura pura de Gunn, Andor é a espionagem e política de Star Wars: Rogue One elevada à última potência, e X-Men 97 a pura essência da Marvel e seus mutantes nos quadrinhos. Não tem nada novo, mas todos são diferentes da pastelaria dos últimos anos, pura e simplesmente por serem sobre… histórias.

Rebel Moon, por sua vez, tem uma suposta mitologia envolta na estética sombria e realista, mas que se importa mais com os imagens e distribuição (ou versões estendidas), do que de fato com a conexão com a audiência. Não é diferente da obsessão da Marvel com cenas pós-créditos e ligação com Universo Compartilhado, ou da DC com a ressurreição de antigas visões e atores.

A Netflix embalou os heróis de Snyder no papel do streaming, mas ao invés de dar frescor só aumentou o sentimento de que vimos mais um subproduto de um algoritmo perdido nos fóruns de super-heróis e ávidos por algo que enalteça a suposta maturidade de alguém que não quer mais ver filmes de bonecos. E na verdade, obras como X-Men 97 mostram que os bonecos são o de menos, o gênero não desgastou, o que não se suporta mais são os mesmos discursos ou visões de um passado recente que se torna cada vez mais obsoleto.

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