Dicas do Hessel

Créditos da imagem: Montagem Omelete/Reprodução

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Dicas do Hessel #002: Sete mulheres e um destino

Segunda edição da coluna destaca o trabalho de diretoras

Marcelo Hessel
10.04.2020
11h58

Março acabou, e as questões do Mês Internacional da Mulher ficaram em segundo plano na pauta geral com a pandemia do Covid-19. Elas não deixam de ser urgentes, porém, e um lançamento no Spcine Play - que continua gratuito no primeiro mês de uso - traz para a frente mulheres cineastas de destaque. É o documentário Women Make Film, em cinco episódios, que integra a programação do festival de documentários É Tudo Verdade dentro da plataforma.

A série dirigida por Mark Cousins reúne mais de mil cenas de filmes rodados por 183 mulheres diretoras desde o surgimento do cinema, com narração de atrizes como Tilda Swinton e Jane Fonda. A análise das cenas se debruça sobre os formatos, os temas, os personagens e a linguagem desse universo muito vasto, difícil de ser catalogado numa caixinha de "cinema feminino" supostamente homogêneo. Em homenagem a essa série, escolhi como dicas nesta semana sete filmes feitos por mulheres que estão também à frente do cinema feito hoje no mundo. Boas sessões e não deixe de assinar nossa newsletter para receber as dicas antes de todo mundo.

Lazzaro Felice

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Prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes de 2018, o drama escrito e dirigido por Alice Rohrwacher tece comentários sobre a Europa de hoje à luz das relações tensionadas pelo capitalismo tardio, mas numa chave fabular - e até certo ponto otimista - que não deixa essa comovente história cair no panfletarismo ou no denuncismo mais fácil.

Disponível na Netflix.

O Atalho

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O filme de 2010 refaz a parceria entre a atriz Michelle Williams e a diretora Kelly Reichardt, que havia começado no drama pós-crise financeira Wendy and Lucy, pilar da obra de Reichardt. Desta vez ela se debruça sobre o faroeste, mas com um olhar novo que oferece uma alternativa ao mundo masculino de violência que costuma marcar o gênero. O Atalho é um grande faroeste feminista, e seus questionamentos - como organizar uma nova ordem do mundo a partir da conciliação e não da destruição - servem para muita coisa hoje em dia.

Disponível no Amazon Prime Video.

Deixe a Luz do Sol Entrar

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Principal e mais influente mulher cineasta em atividade no mundo, a francesa Claire Denis ajudou a moldar o chamado cinema de fluxo que se multiplicou em festivais desde o final dos anos 90. Cada vez mais, porém, ela deixa os vanguardismos para exercitar seus músculos dentro das restrições do cinema de gênero, como é o caso desta comédia romântica. Juliette Binoche faz uma artista plástica parisiense, mãe divorciada à procura do amor. Denis consegue arejar os clichês do gênero e o resultado é frequentemente mais bem sucedido do que em alguns dos seus filmes mais "difíceis".

Disponível no Telecine Play.

Zama

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O que Kelly Reichardt faz com o faroeste em O Atalho, a argentina Lucrecia Martel faz com o épico histórico em Zama: um olhar que desconstrói ilusões de grandeza e autoimportância e se infiltra num universo primordialmente masculino para entender seu funcionamento, seu lugar neste novo século. Além de ser um dos principais nomes do cinema latinoamericano dos últimos vinte anos, Martel é a prova incontestável de que lugar de mulher no cinema não é apenas falando de temas da feminilidade.

Disponível no Telecine Play. Confira a nossa crítica.

Beach Rats

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Vencedora do Grande Prêmio do Júri do Festival de Berlim neste ano, pelo drama Never Rarely Sometimes Always, a roteirista e diretora Eliza Hittman (que já dirigiu episódios de 13 Reasons Why) começou a despontar no cinema independente com esse drama sobre "ratos de praia". Um adolescente em luto que passa o verão com seus amigos em Coney Island acumula descobertas enquanto tenta entender sua orientação sexual. Hittman aborda a homossexualidade frontalmente de forma sensível e analisa como fobias sociais e afetos mal resolvidos maculam as experiências mais profundas.

Disponível na Netflix.

Histórias que só Existem quando Lembradas

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Bem antes de Bacurau, Julia Murat já tratava do apagamento das pessoas esquecidas pela História, pelo motor do futuro, e de como é possível preservar a vida, a imagem e a presença dessas pessoas a partir de gestos de cidadania e empatia. O filme de 2011 é o seu primeiro longa de ficção e, nessa viagem às fantasmagorias literais e metafóricas do Vale do Paraíba, Murat consegue migrar sutilmente para a fabulação sem ignorar os potenciais do olhar documental atento.

Disponível no Looke e SPCine Play. Confira nossa crítica.

The Invitation

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A diretora de Garota Infernal, Karyn Kusama, navega muito bem por clichês de gênero neste suspense, como já havia mostrado no terror estrelado por Megan Fox. Aqui o subgênero é do terror de armadilha, e a diretora não se furta a enveredar pelos prazeres de sadismo e comentário social que costumam marcar esse tipo de filme. Logan Marshall-Green está muito bem no papel de um pai que perdeu o filho e, preso no luto, se vê refém de uma espiral de paranoia. Kusama lida muito bem com quebras de expectativas: a trama parece óbvia no começo e a diretora vai equilibrando as revelações sem nos deixar sempre na ponta da cadeira.

Disponível na Netflix.

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