Chuck Palahniuk

Créditos da imagem: Omelete/Divulgação

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CCXP Cologne | Chuck Palahniuk relembra os 20 anos de Clube da Luta

Autor agora está focado na carreira de roteirista para TV e cinema

Marcelo Forlani
29.06.2019
08h28
Atualizada em
29.06.2019
08h41
Atualizada em 29.06.2019 às 08h41

Para celebrar os 20 anos de lançamento de Clube da Luta nos cinemas, a CCXP Cologne recebeu no Auditório Thunder o escritor Chuck Palahniuk. Ele escreveu o livro há 23 anos e considera um milagre que depois de mais de duas décadas o livro continue sendo publicado e com edições em capa dura, que são mais caras e reservadas, geralmente, aos lançamentos. 

Chuck, 57 anos, lembra com um gosto doce-amargo o lançamento do filme nos cinemas. O longa-metragem com direção de David Fincher deveria ser lançado no segundo trimestre de 1999, mas com o massacre de Columbine, acabou adiado para outubro. Neste intervalo, o pai do autor foi assassinado e ele se envolveu na investigação para tentar descobrir o assassino.

Para a avant-première do filme, durante o Festival de Veneza, ele sequer foi convidado. “A Fox não pagou minha viagem”, diz em tom de deboche. 

Desde que decidiu ser escritor, ele sempre manteve os pés no chão. Primeiro, seus pais insistiram para que ele se mantivesse filiado ao sindicato dos mecânicos, para que pudesse voltar a trabalhar nas linhas de produção de carros caso tudo desse errado. Quando os direitos de Clube da Luta foram vendidos, seu agente literário disse para ele não se empolgar, pois apesar de apenas 2% dos livros terem seus direitos comprados, apenas 2% deste eram realmente transformados em filmes. 

Apesar de viver intensamente as filmagens, indo vários dias ao set, Chuck diz que se decepcionou um pouco. "O filme era tão fiel ao livro que me desapontei. Eu achei que Fincher ia tomar mais liberdades. Eu ouvi que quando Fincher estava em uma pré-estreia nos Estados Unidos, ele saiu para dar uma volta no quarteirão, pois ele já conhecia aquele material muito bem. Eu me senti da mesma forma”, lembra. 

Sobre a sequência, uma graphic novel, o autor lembra que precisava de uma mídia diferente dos livros e filmes. “Tinha que ser uma nova mídia. E eu queria fazer algo mais colaborativo. Temos muitos artistas, editoras em Portland, onde eu moro hoje, e a Dark Horse também fica por lá. Os quadrinhos me deram a liberdade de continuar a história”, completa. 

Antes de acabar, Chuck contou mais um caso doce-amargo: seu agente literário roubou o dinheiro que ele deveria receber. Depois que ele foi preso, Chuck foi conversar com seu agente da área de cinema e TV, e descobriu que havia recebido vários convites para escrever roteiros, que o agente literário bloqueava, pois queria que ele continuasse escrevendo seus livros. Agora, Chuck Palahniuk já tem dois projetos encaminhados e está muito feliz com o que vem pela frente. 

Aprendi com meu professor de redação que “o importante é se divertir quando você está escrevendo. Esta é a nossa única garantia. Não sabemos nem se os livros chegarão ao público final”. 

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