Personagens de anime e mangá que ganharam outro nome no Brasil

Créditos da imagem: Montagem: Kagome/Sunrise, Kurapika/Madhouse

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Personagens de anime e mangá que ganharam outro nome no Brasil

Para evitar o espírito de quinta-série do brasileiro, alguns personagens de anime ganharam novos nomes por aqui

Fábio Garcia
17.11.2021
10h26

O brasileiro tem pós-graduação em fazer trocadilhos, é só lembrar como por aqui o Conde Dooku de Star Wars virou Conde Dookan e que o emocionante filme Coco precisou ser chamado de Viva - A Vida é uma Festa. Com anime não é diferente, e algumas produções precisaram se adaptar ao nosso jeitinho de falar para evitar que a quinta-série que habita em todos nós desse um novo sentido a muitos nomes de personagens.

Nessa lista de hoje vamos relembrar alguns animes e mangás com personagens que tiveram nomes adaptados no Brasil, seja por diferenças culturais, adaptações ou tentativas de não falar uma palavra de baixo calão, e vamos também explicar essas mudanças. Vamos à lista!

Miroku, Naraku e Kagome (InuYasha)

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No começo dos anos 2000 a editora JBC anunciou a publicação do mangá de InuYasha no Brasil, e já naquela época houve uma preocupação relacionada a alguns nomes. Dentro da editora perceberam que o monge Miroku e o vilão Naraku tinham nomes que poderiam soar mal no Brasil, então a equipe de localização promoveu uma mudança simples: como no japonês os fonemas com “u” quase não pronunciam essa vogal, os nomes dos personagens foram trocados para Mirok e Narak. Simples, né? Mas ainda restava um problema.

Meses depois do lançamento do mangá, o anime foi anunciado pelo Cartoon Network e a equipe de dublagem percebeu que o nome da protagonista Kagome poderia ser pronunciado como se fosse uma pessoa falando sobre funcionamento intestinal. Foi então decidido que a adolescente passaria a ser chamada de Agome (ou então Hagome) e mandaram regravar todos os diálogos nos quais o nome dela havia sido pronunciado da forma original. Para completar, o anime também manteve as adaptações “Mirok” e “Narak” presentes no mangá, embora a versão em quadrinhos tenha continuado chamando a protagonista de “Kagome”.

Aliás, a continuação Yashahime (disponível na Crunchyroll, Funimation e Pluto TV) segue os mesmos nomes que foram usados na dublagem antiga.

Umi, Hikaru e Fuu (Guerreiras Mágicas de Rayearth)

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Guerreiras Mágicas de Rayearth é um caso bem inusitado de adaptação, porque praticamente todos os nomes que acompanhamos na dublagem do SBT são diferentes do original. De acordo com um artigo da coluna Se Localizando, por sugestão da própria TMS, estúdio responsável pelo anime, as protagonistas Hikaru, Umi e Fuu ganharam o nome de Lucy, Marine e Anne. Curiosamente essa adaptação segue o mesmo padrão do original, ou seja, respeita o elemento principal de cada uma.

Os demais personagens também ganharam outros nomes por aqui, todos livres interpretações dos fonemas originais: a feiticeira Presea virou Priscila, a vilã Alcyone ficou conhecida como Alcion e a princesa Emeraude ganhou o nome de Esmeralda. Vale lembrar que parte dos nomes originais vieram de nomes de automóveis, então foi até melhor evitá-los para Guerreiras Mágicas de Rayearth não parecer um grande merchandising de concessionária.

Kurapika (Hunter x Hunter)

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Quem é Miroku e Kagome na fila do pão quando temos Kurapika? Um dos quatro protagonistas de Hunter x Hunter conseguiu a proeza de reunir todas as sonoridades infames possíveis em um único nome, a ponto da dublagem precisar intervir quando o anime foi dublado para exibição no canal Animax. Na nossa versão nacional o Kurapika foi nomeado “Korapaika”, um nome feito para evitar qualquer relação com órgãos humanos.

Anos depois, com a publicação do mangá pela editora JBC, a equipe editorial decidiu fazer uma pequena alteração para evitar a mesma complicação, mas nada tão drástico quanto o anime. Por aqui o personagem passou a ser chamado de “Kurapaika”, e segue sendo chamado desse modo na reimpressão do mangá feita pela editora.

Kage (Ranking of Kings)

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Esse é um caso bem recente, pois o anime é dessa temporada de outono de 2021. Caso você não tenha lido ainda nossa matéria especial, Ranking of Kings é um dos melhores animes do ano e ganhou recentemente uma dublagem na Funimation. Nessa versão brasileira um dos protagonistas acabou tendo a pronúncia de seu nome alterada, provavelmente para não parecer uma ordem escatológica.

O colega do príncipe Bojji é a sombra Kage (cujo nome em japonês é literalmente a palavra “sombra”), mas aqui na nossa dublagem virou algo como “Queiji”. Alguém pode até alegar que na verdade não houve uma adaptação, e sim uma pronúncia errada do nome, mas nesse caso provavelmente seria chamado de “caje”, afinal no Brasil a sonoridade seria essa. De qualquer forma, Ranking of Kings continua um anime imperdível.

Ai (Video Girl Ai)

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Video Girl Ai foi um dos primeiros mangás lançados no Brasil pela JBC e logo de cara a editora precisou mexer no nome da protagonista Ai (“amor” em japonês). Com medo de confundir os leitores, afinal “ai” para nós é uma interjeição, no mangá seu nome acabou ganhando o honorífico -chan como forma de diferenciar de uma eventual sensação de dor. Ou seja, para nós ela é a Ai-chan.

A editora ainda teve o cuidado de explicar no próprio mangá e em revistas sobre os tais honoríficos japoneses, como -san, -kun- etc, então a adaptação ainda ganhou um caráter educativo na nossa versão. Vale pontuar que, com o tempo, as editoras brasileiras foram implementando honoríficos japoneses nas traduções, até para não desagradar os fãs que gostam de tudo o mais próximo do japonês.

Jaspion (Jaspion)

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Considerado o embaixador do tokusatsu no Brasil, a série Jaspion na verdade é conhecida fora do Brasil por outro nome. A produção do metal hero chegou muito rapidamente ao nosso país, e não era tão comum o conceito de “nome internacional” da série, então a equipe de localização leu os caracteres fonéticos japoneses e interpretou que o nome do personagem era Jaspion.

Acontece que originalmente o nome do herói é uma mistura das palavras “Justice” (justiça) e “Champion” (campeão), ou seja, fora do Brasil o Jaspion é conhecido como “Juspion”. O nome inclusive estampa a caixa de Blu-Ray lançada há algum tempo nos EUA! Felizmente nada disso importa: o herói foi tomado pelo povo brasileiro, a ponto de ganhar um mangá nacional e um projeto de filme por aqui, então por que não podemos ter um nome próprio para ele também? É Jaspion e pronto.

Bulbasaur, Magikarp (Pokémon)

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Hoje em dia a Pokémon Company tem um rígido controle sobre a franquia Pokémon, e cada país precisa seguir determinações parecidas para manter um padrão na série… mas nem sempre foi assim. Quando Pokémon chegou ao Brasil em 1999 as coisas eram bem diferentes e o estúdio de dublagem Master Sound tomou algumas licenças poéticas com nomes de Pokémon.

Além de traduzir os nomes dos golpes, algo até esperado para uma adaptação de anime, e algumas cidades, o estúdio também inventou uns nomes nacionais para alguns monstros. Dessa forma tivemos o Bulbassauro e a Magikarpa, as versões abrasileiradas do Bulbasaur e da Magikarp. Com o tempo isso foi deixado de lado e ambos voltaram aos nomes brasileiros, mas essa adaptação em especial é repetida até hoje por muitos fãs da série. Alguns outros nomes também foram traduzidos, como o nome dos professores (Professor Carvalho, Professor Bétula e por aí vai).

Ozora Tsubasa (Captain Tsubasa)

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Um anime sobre futebol tem tudo para emplacar no Brasil, tanto que a série Captain Tsubasa teve várias versões exibidas por aqui, passando por Manchete, RedeTV e Cartoon Network. Além de ganhar um título traduzido, o tal “Super Campeões”, as primeiras versões dubladas deram novos nomes aos personagens. Embora tenhamos recebido a versão latina de Captain Tsubasa, que já adaptava alguns nomes, os brasileiros promoveram mais mudanças no anime.

Pra começar, o protagonista Ozora Tsubasa é conhecido como Oliver Atom nos nossos vizinhos e Oliver Tsubasa no Brasil. Mas a coisa só melhora: o goleiro Genzo Wakabayashi passou a ser conhecido como Ben Wakabayashi, o jogador Taro Misaki virou Carlos Misaki e o técnico Roberto Hongo ganhou a alcunha de Roberto Maravilha (uma possível referência ao jogador Túlio Maravilha). Esses nomes foram usados em duas séries exibidas no Brasil, Captain Tsubasa J e Captain Tsubasa Road to 2002, mas a versão mais recente (Captain Tsubasa 2018, presente no Prime Video e na Crunchyroll) optou por seguir todos os nomes de acordo com o original.

Jabu de Unicórnio (Os Cavaleiros do Zodíaco)

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Falamos aqui de muitos nomes adaptados para evitar cacofonias, mas há também espaço para alguns erros causados pelo marketing. Na primeira dublagem de Os Cavaleiros do Zodíaco, realizada pelo estúdio Gota Mágica, o personagem Jabu de Unicórnio foi chamado erroneamente de Jabu de Capricórnio por um problema bem curioso: a empresa responsável por vender os brinquedos mandou avisar que não tinha boneco de unicórnio, só o de Capricórnio (no caso, o cavaleiro de ouro baseado no signo do zodíaco).

Sendo assim, o estúdio de dublagem precisou chamar Jabu com o título de um cavaleiro de ouro porque não havia um bonequinho para o principal puxa-saco de Saoki Kido no anime clássico. Felizmente isso foi corrigido com o passar do tempo e Jabu ganhou não só seu nome correto como também um action figure para chamar de seu.

Monkey D. Luffy (One Piece)

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O Brasil foi conhecer One Piece em 2002 através da editora Conrad, e foi um dos pioneiros a lançar as aventuras de Luffy e seus amigos. Com isso, a editora passou por um problema bem comum: o alfabeto japonês é baseado na sonoridade, e então a adaptação de alguns nomes acabou ficando distante no nome original imaginado pelo autor. A adaptação para o nome do protagonista ficou como “Ruffy”, com a sonoridade do “R” sendo pronunciado quase como um “L”. Para o desespero da editora, logo a versão japonesa consolidou que o nome oficial do personagem seria grafado como “Luffy”, e não Ruffy, mas aí não tinha mais como mudar o nome do protagonista.

Essa bagunça causou algumas situações inusitadas. Em uma seção de perguntas e respostas, o autor Eiichiro Oda mostrou como o nome do Luffy era em alguns países e mostrou “Ruffy” como sendo a adaptação brasileira. Outro fato curioso foi na primeira dublagem de One Piece, naquela versão cortada mesmo: enquanto a versão americana chamava ele de Luffy tal qual no japonês, o estúdio de dublagem manteve o nome do mangá e falava “Ruffy” com o “R” tal qual na palavra “seRRote”. Uma bagunça que foi consertada na atual versão dublada, presente na Netflix, e no mangá publicado pela Panini.

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