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Sem perder tempo, The Boys aquece para 2º ano desafiador e bem equilibrado

Três primeiros episódios da nova temporada serão lançados simultaneamente

Julia Sabbaga
01.09.2020
17h40
Atualizada em
07.09.2020
17h03
Atualizada em 07.09.2020 às 17h03

Quando se fala em The Boys as primeiras coisas que vêm à mente são sangue, ousadia e pouca-vergonha: todas ideias que fazem jus ao universo criado por Garth Ennis e levado à televisão por Eric Kripke. Mas em sua primeira temporada, a série do Prime Video não demorou para se provar muito mais que isso. Lá estavam personagens carismáticos e bem construídos, vilões que adoramos odiar, ótimas cutucadas no universo de super-heróis e belas críticas ao mundo real. E como qualquer série de sucesso e qualidade, há sempre uma dúvida se o nível se manterá para um novo ano. Para quem está receoso, pode ficar tranquilo: julgando pelos três primeiros episódios, The Boys não apenas teve a destreza de investir em suas qualidades, como em aprofundar suas alfinetadas, e aqueceu para um novo ano ainda mais certeiro. 

O ponto de partida do novo ano é bem estabelecido, principalmente porque há uma mudança de status quo clara para os dois lados. Nossos heróis (os nossos mesmo, não os supers) estão desestabilizados. Billy Butcher sumiu e eles procuram um propósito na vida enquanto Hughie tenta se colocar em uma improvável posição de líder. Do outro lado, os Sete começam a temporada com uma vitória - e uma ótima chance para o carismático Black Noir entrar em ação - mas também estão desfalcados. Já trazendo aquele humor familiar do primeiro ano, vemos os Sete no funeral do Translucent, com um belo caixão vazio. 

Este novo balanço das forças é proveitoso. Não apenas porque The Boys acha a oportunidade perfeita de analisar as fraquezas de Hughie, como sabe posicionar Starlight em um lugar muito mais legal. Assim que vemos a heroína cantando um hino brega no velório, entendemos que a nova Annie está perfeitamente encaixada entre os dois mundos, investido em uma faceta dissimulada sem perder sua bondade. Neste contexto, suas tentativas de proximidade com a nova personagem Stormfront também caem muito bem. 

Por falar em Stormfront, está aí um dos maiores triunfos da nova leva de The Boys. Se o primeiro ano nos deu um vilão que adoramos odiar, a nova temporada veio para entregar uma ameaça mais misteriosa do que qualquer elemento que já tinha aparecido antes. Durante os primeiros episódios, The Boys se diverte com o enigma que a nova super-heroína representa, ainda mais ao jogá-la contra Homelander, e colocar o maior herói da Terra com a mesma dúvida que o telespectador. Agora, o principal antagonista não apenas perdeu sua maior aliada (Madelyn Stillwell, assassinada por ele mesmo) como se deparou com obstáculos maiores do que esperava dentro da Vought. Assim, ele compensa sua fragilidade passando tempo com a família, em cenas que rendem alguns dos melhores momentos dos primeiros episódios. 

Novas origens 

Ao mesmo tempo que The Boys caminha para frente sem perder tempo, a série também achou espaço para explorar as origens dos super-heróis e do Composto-V, com habilidade para não deixar nada muito repetitivo, por mais que a temática se relacione com o primeiro ano. Na nova temporada, recebemos informações aos poucos sobre o nascimento da Vought e seu fundador. E à medida que conhecemos Stormfront, tudo aponta para uma possível convergência temática muito bem construída, e proveitosa para o lado mais crítico da produção. 

Isso não para por aí, porque The Boys concilia os desenvolvimentos dos dois lados da ação. Enquanto se aprofunda na personagem de Kimiko - com a bem-vinda introdução de um novo personagem - os primeiros episódios ainda espalham pistas sobre a possível exploração do passado de Frenchie e Billy Butcher. Com tensões muito mais altas, The Boys também não desperdiça confrontos, investindo na crescente desconfiança entre Hughie e Butcher e Starlight e A-Train. 

Dito tudo isso, é ainda difícil julgar exatamente o que esperar dos futuros episódios de The Boys, muito porque a Amazon fez a sábia decisão de disponibilizar simultaneamente os três episódios que criam o terreno para um belo impulso. Até aqui, obstáculos são apresentados, alianças são formadas e um mistério de futuro é muito bem construído. Mas tirando proveito de uma bela trilha sonora e uma direção ainda mais divertida, The Boys fez um maravilhoso trabalho em estabelecer as raízes da 2ª temporada, sem desperdiçar nada da primeira, e introduzindo personagens e tramas ainda mais promissores. Será que é possível o novo ano ser melhor que o primeiro?

A 2ª temporada de The Boys terá seus três primeiros episódios lançados no Prime Video em 4 de setembro, com novos episódios sendo lançados semanalmente. A série já foi renovada para seu 3º ano.

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