The Boys

Créditos da imagem: Amazon Prime Video/Divulgação

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Artigo

The Boys: como uma série de “heróis” se tornou um reflexo do mundo atual

Para o Omelete, o criador Eric Kripke falou sobre a oportunidade de usar o gênero para tratar de assuntos que assombram a sociedade de hoje

Julia Sabbaga
17.08.2020
13h00
Atualizada em
17.08.2020
12h26
Atualizada em 17.08.2020 às 12h26

No primeiro episódio de The Boys, série de super-heróis do Amazon Prime Video, o velocista A-Train, que tem habilidades semelhantes ao The Flash, atravessa uma garota correndo e a mata instantaneamente. Sem nem parar para lidar com as consequências do seu ato, o integrante dos Sete (maior grupo de heróis do universo da série) não deixa com que o acontecimento afete seus compromissos, enquanto deixa para trás o protagonista da série, Hughie, traumatizado pelo que aconteceu com sua namorada. Já de cara, The Boys explicita uma das consequências que seriam corriqueiras se super-heróis realmente existissem no nosso mundo. E com essa sequência, a adaptação da HQ de Garth Ennis se mostrou um tipo de entretenimento de “super-heróis” totalmente diferente do que estamos acostumados hoje em dia. 

“Nosso principal objetivo sempre foi ser a série de herói mais realista possível, e a verdade é que se super-poderes existissem, eles teriam efeitos realmente violentos no ser humano”, explicou o criador Eric Kripke ao Omelete, em coletiva de imprensa. “Algo como Robin explodindo ou socos atravessando um corpo humano. É isso que aconteceria, e séries de herói nunca refletem isso”. Com o passar dos episódios, no entanto, The Boys foi além da imaginação de uma realidade alternativa, e buscou cada vez mais refletir problemas que existem na nossa sociedade. Enquanto a primeira temporada trata de assédio sexual e cultura de celebridade, o 2º ano já promete explorar racismo e supremacia branca. 

Para Kripke, o processo foi se concretizando durante a produção do primeiro ano: “nós fomos percebendo que a série é meio que uma metáfora perfeita para o momento em que vivemos, em que não há uma delimitação definida para celebridade e autoritarismo”. Lembrando que toda boa obra de ficção científica ou fantasia é uma metáfora para algo existente, Kripke percebeu que The Boys seria um canal curioso para tratar de assuntos sensíveis. A ideia se desenvolveu observando o crescimento de movimentos questionáveis na nossa sociedade, explicou Kripke: “o ódio nos dias de hoje está envelopado em pacotes de mídia social muito atraentes”. 

Na primeira temporada, The Boys não apenas retratou uma experiência de assédio e abuso, como foi por trás do próprio assediador e explorou sua humanidade, algo - no mínimo - delicado. A ideia, no entanto, faz parte de um movimento de Kripke de humanizar seus vilões e explicar que existe uma psicologia por trás de atos de violência, e um caminho que torna cada indivíduo o que ele é. Em uma era em que cada assunto se torna cada vez mais sensível é até surpreendente que The Boys consiga realizar isso com destreza. Para o criador, é exatamente por tratar de super-heróis que a série consegue ser tão real: “Nós nos safamos com comentários subversivos que não conseguiríamos fazer se fossemos um drama comum. Acho que quando você tem pessoas voando por aí é mais fácil falar sobre certas coisas”. 

Inspirado na HQ de Garth EnnisThe Boys mostra como seres superpoderosos agiriam no mundo real, satirizando propriedades como Liga da Justiça. Pelo conteúdo adulto e explícito, o programa entra na faixa da madrugada, às 00h15 - logo após Bake Off Brasil. Até o momento não há confirmação oficial da transmissão.

Enquanto isso, a primeira temporada de The Boys já está disponível no catálogo do Amazon Prime Video, com a segunda prevista para chegar em 4 de setembro, e uma terceira já garantida.

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