Jeffrey Dean Morgan como Negan em foto da 10ª temporada de The Walking Dead

Créditos da imagem: The Walking Dead/AMC/Divulgação

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The Walking Dead | Arco de Negan se destaca em leva desnecessária de episódios

Capítulo dá camadas ao ex-vilão, mas não é suficiente para evitar dúvidas sobre a temporada final

Arthur Eloi
06.04.2021
14h49
Atualizada em
06.04.2021
18h18
Atualizada em 06.04.2021 às 18h18

Em um período tão anormal na indústria do entretenimento, a 10ª temporada de The Walking Dead chegou ao fim pela segunda vez. O ano, que já havia sido finalizado em outubro de 2020 com um especial, ganhou uma leva adicional de seis episódios. O capítulo final, focado em Negan (Jeffrey Dean Morgan), foi um dos poucos destaques dessa investida da produção, mas que não tira o gosto amargo na boca dos fãs.

[Cuidado! Spoilers do S10E22 de The Walking Dead abaixo]

Na leva extra, cada capítulo deu foco a um arco, ao invés da estrutura tradicional da série de misturar várias tramas por semana. Seja pela atuação de Jeffrey Dean Morgan, ou pela jornada de redenção que entrou desde que teve sua garganta cortada por Rick (Andrew Lincoln), não é exagero dizer que “Here’s Negan” era o episódio mais antecipado - e talvez o único verdadeiramente interessante - dessa expansão. E, mesmo com alguns tropeços, a trama intriga.

Percebendo a enorme tensão entre o ex-vilão e Maggie (Lauren Cohan), Carol (Melissa McBride) decide afastar Negan do grupo por um tempo. Isolado, ele se vê atormentado por lembranças do passado. A premissa funciona por abrir a possibilidade do público conhecer o passado do carismático personagem, mas ao mesmo tempo soa bastante questionável: não só a mesma trama foi protagonizada por Daryl (Norman Reedus) alguns episódios antes, como também mergulha em uma bagunça de flashbacks, que começa em 12 anos no passado e vai “voltando” mais e mais para criar contexto. É um formato, no mínimo, estranho, e que vira piada até na própria série, quando um outro personagem pede encarecidamente que Negan cale a boca depois de contar diversas histórias que não chegam em lugar algum.

Apesar disso, ver o personagem antes de sua transformação em um vilão sarcástico e sanguinário tem o seu valor. O capítulo explica tanto a origem de sua personalidade maníaca, como também mostra sua relação com Lucille (Hilarie Burton-Morgan). As interações de Negan com sua falecida esposa são o que fazem o episódio valer a pena, com Morgan mostrando uma versão mais sensível do personagem, e uma ótima química entre os dois - o que faz sentido, visto que ambos são casados fora das telas. Mesmo com uma apresentação bizarra entre várias memórias, estes momentos ajudam a dar algumas camadas ao carismático ex-antagonista, o que com certeza pode vingar na temporada final, que deve dar palco para o conflito entre Negan e Maggie.

Infelizmente, o episódio não é forte o bastante para justificar a leva adicional. Pelo contrário, essa expansão parece prejudicar um pouco a imagem que The Walking Dead sofreu para reconstruir ao longo dos últimos anos. Ao assumir a produção em 2018, a showrunner Angela Kang começou um trabalho impressionante de aprofundar seus personagens e criar tramas intrigantes de verdade, com boas reviravoltas. O resultado foi uma melhora na qualidade geral do programa, que parecia ter evoluído de seus tempos ruins, chegando ao fim em alta. Com os episódios extras, que lembram os piores momentos em que a trama se recusava a caminhar, o seriado deixa dúvidas se conseguiu mudar de verdade.

No fim das contas, após ter finalizado a 10ª temporada com um especial divertido e caótico, teria sido melhor se The Walking Dead tivesse aproveitado o tempo do fora do ar para voltar com força em agosto de 2021. Visto que a temporada final contará com 24 episódios, muito mais do que os tradicionais 16 capítulos, agora os fãs aguardam o fim com um pingo de ansiedade de que todo esse conteúdo extra, assim como a leva adicional, pode ser só enrolação.

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