Norman Reedus e Melissa McBride em The Walking Dead

Créditos da imagem: The Walking Dead/AMC/Divulgação

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The Walking Dead mergulha nos traumas de Daryl em episódio extra do 10º ano

Capítulo explica o que se passa na cabeça do motoqueiro e aquece para nova série derivada, com aventura ao lado de Carol

Arthur Eloi
09.03.2021
12h24

De tudo que The Walking Dead criou do zero em vez de adaptar da obra de Robert Kirkman, Daryl (Norman Reedus) é facilmente o maior acerto. Seu sucesso foi tão grande que, quando o protagonista Rick Grimes (Andrew Lincoln) deixou o seriado, o nome do motoqueiro naturalmente se tornou a escolha óbvia para assumir a liderança. No entanto, o personagem foi na contramão dessa ideia e se tornou ainda mais quieto e isolado nos anos recentes - algo explicado no segundo episódio extra na décima temporada.

[Cuidado! Spoilers do S10E18 de The Walking Dead abaixo]

Seguindo a estrutura apresentada na semana anterior, “Find Me” também destaca um dos vários arcos para se aprofundar. Dessa vez, Daryl é o escolhido. Após sair para caçar com Carol (Melissa McBride), a dupla se vê forçada a passar a noite em uma cabana no meio da floresta. É visível que o lugar tem efeito no motoqueiro, que então explica para a colega que foi lá que encontrou seu cachorro, e também uma figura chamada Leah (Lynn Collins).

A trama então volta a seis anos antes, pouco após a saída de Rick, e mostra como o desaparecimento do protagonista impactou Daryl, que se separou do grupo para buscá-lo. Durante essa procura incansável, ele se deparou com Leah, uma sobrevivente que vivia sozinha na floresta, acompanhada apenas de seu cão. Após trocar algumas farpas e ameaças, os dois se conhecem melhor e começam um relacionamento. Assim, o personagem vive sua primeira relação amorosa em mais de uma década de série, e também dá abertura para seus traumas serem explorados.

Seja no passado, ao lado de Leah, ou no presente, com Carol, Daryl enfim deixa claro que os eventos das temporadas recentes cobraram dele um preço. Tanto pelo desaparecimento de Rick quanto pela guerra com os Sussurradores, o personagem carrega a culpa de não conseguir antecipar ou evitar as várias desgraças que lhe ocorrem, e também a sensação de não pertencer a nenhuma das comunidades. Desde o início do programa, sua jornada foi sofrer em silêncio e é bom que, mesmo por um episódio, o seriado tenha lhe dado espaço para vulnerabilidade.

Além de contextualizar a cara fechada do motoqueiro pelo desaparecimento de Leah - por si só um novo gancho narrativo para a temporada final -, o capítulo também testa a dinâmica entre Carol e Daryl. A dupla já se reuniu algumas vezes no passado, e funciona muito bem por juntar personalidades diferentes, mas com muito em comum. Agora, porém, se torna mais interessante desenvolver a ideia de que os dois precisam ficar reunidos, já que a AMC planeja uma série derivada estrelada por ambos.

A química entre eles se mantém como um destaque do programa, especialmente com a pitada adicional de honestidade trazida pelo capítulo. Carol e Daryl se isolam dos demais por diferentes motivos, nutrindo sentimentos de culpa e dor, e é justamente por isso que precisam se manter unidos. Quando a série da dupla for oficializada, não será surpreendente ver que esse episódio fez a função de piloto.

The Walking Dead é transmitida todo domingo, às 22h30, pelo Star Channel (antigo Fox Channel).

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