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The Walking Dead se despede de Michonne em episódio surreal da 10ª temporada

Capítulo 13 marca saída de Danai Gurira relembrando o legado e os traumas da sobrevivente

Arthur Eloi
23.03.2020
12h26
Atualizada em
23.03.2020
21h02
Atualizada em 23.03.2020 às 21h02

No começo de 2019, após o enorme sucesso de Pantera Negra (2018) e Vingadores: Guerra Infinita (2018), Danai Gurira anunciou que deixaria The Walking Dead. Um ano depois sua promessa é concretizada na 10ª temporada, que lhe garantiu uma saída que amarra toda a sua presença na série.

[Cuidado! Spoilers do S10E13 de The Walking Dead abaixo]

What We Become” dá um tempo nos acontecimentos bombásticos da trama principal para se dedicar à personagem, que havia partido em uma missão com Virgil (Kevin Carroll), em busca de armas. Sua jornada, porém, é frustrada ao descobrir que caiu em uma cilada. Michonne se vê manipulada pelo sobrevivente, que quer proteção para assuntos não resolvidos. Ela só percebe a enrascada tarde demais, e é aprisionada em um surto de pânico de Virgil. Ao tentar acalmá-la para garantir sua sobrevivência, ele droga sua comida - e é aí que as coisas ficam interessantes.

Com um toque de surrealismo, o episódio resgata toda a jornada da espadachim. Michonne relembra como todo o seu envolvimento com os sobreviventes veio a partir de uma única decisão: ajudar Andrea (Laurie Holden) em um momento de necessidade, lá na 3ª temporada. Sua alucinação traz à tona este momento para questionar o que aconteceria caso não tivesse intervido. A série, então, encena uma versão alternativa da vida da personagem, em que ela não ganha a confiança do grupo na prisão e é forçada a vagar sozinha e ferida, até que é resgatada pelos Salvadores. Nessa outra realidade, Michonne se tornaria uma espécie de braço-direito de Negan (Jeffrey Dean Morgan), carregando execuções para o vilão e matando sobreviventes, como Glenn (Steven Yeun)... pelo menos até encontrar seu destino nas mãos de Daryl (Norman Reedus) e Rick, durante a grande guerra.

No audiovisual, alucinações são sempre um recurso arriscado. A ideia de mostrar estados alterados pode facilmente ficar visualmente tosca. Por sorte, The Walking Dead acerta a mão ao focar em como a droga potencializa a paranoia e remorso de alguém tão torturada. Mostrar uma vida alternativa pode soar barato, mas é bastante consistente com a série e com a espadachim. É só lembrar de Rick, que “revisitou” todas as pessoas que impactou durante seu excelente episódio final. A abordagem é parecida mas, diferente de Rick, ela não se sente uma heroína. Imaginar outra vida não traz conforto à Michonne, mas sim o peso de seus traumas pela perspectiva de todos que machucou ao longo do caminho.

“What We Become” é uma forte despedida que celebra o legado de Michonne. Não só sua trajetória é reexaminada no capítulo, com cenas de arquivo das temporadas antigas dando as caras, como ele também deixa em aberto que ainda existe um futuro para a sobrevivente. Após atacar Virgil em sua cela e fugir do cativeiro com a ajuda de outros prisioneiros, ela encontra algo deixado por Rick, e percebe que não só ele está vivo como também passou pelo local recentemente. A saída da personagem então serve a função de colocá-la em busca do ex-protagonista, algo que deve sim ser explorado em algum dos filmes de TWD que a AMC desenvolve. Mas a série não a deixa ir sem um teste final.

Para amarrar sua caminhada, os minutos finais colocam Michonne em uma situação muito parecida com sua introdução, forçada a escolher entre seguir sozinha ou se abrir e prestar assistência a estranhos necessitados. Por mais que hesite, ela escolhe ajudar, assim como fez com Andrea há oito anos. Desse jeito, a sobrevivente reforça que, apesar das dificuldades, arrependimentos e inseguranças, ela continuará se arriscando pelo bem dos outros.

No Brasil, The Walking Dead é transmitida aos domingos pelo canal pago Fox, às 22h10, e também pelo streaming Fox App.