Capa de Ice Cream Man #5

Créditos da imagem: Image Comics/Divulgação

HQ/Livros

Notícia

Por que Ice Cream Man é uma ótima introdução aos quadrinhos de terror

Antologia da Image traz histórias dos mais variados subgêneros do horror

Nicolaos Garófalo
14.10.2020
19h27

Não vou tentar disfarçar: sou extremamente medroso. Por muito tempo, eu não podia nem mesmo me imaginar assistindo um filme ou uma série de terror. Minhas tentativas de fugir do gênero só foram amenizadas em 2018, quando assisti (com as luzes acesas, óbvio) Corra! e Um Lugar Silencioso, muito pela curiosidade de ver os trabalhos de Jordan Peele e John Krasinski por trás das câmeras. Ainda assim, continuei um pouco apreensivo com produções de horror. Por causa desse meu histórico nada favorável com o horror, me surpreendi quando não só fui atraído pela HQ Ice Cream Man, antologia de terror da Image, mas também me perdi completamente na leitura.

As artes sinistras das capas, que trazem cores características dos quadrinhos e de alegres sorveterias, me chamaram ainda mais a atenção quando descobri sobre o que a revista se tratava. As histórias, cada uma contada dentro de um subgênero diferente do terror, mostram um suspeito sorveteiro que, coincidentemente, está sempre presente quando acontecimentos terríveis são descobertos. Introduzidos por ilustrações aparentemente inocentes de Martín Morazzo (Elektra), os capítulos trazem assassinos em série, monstros, cadáveres e terrores psicológicos potencializados por um roteiro simples, mas bastante imaginativo de W. Maxwell Prince (Judas: The Last Days).

Do body horror ao slasher, Ice Cream Man tem cenas ao mesmo tempo grotescas e maravilhosas, como quando um garoto tenta justificar por que não contou a ninguém que sua aranha de estimação matou seus pais. As artes monstruosas de Morazzo conversam extremamente bem com as cores psicodélicas de Chris O’Halloran (O Imortal Hulk), que criam uma atmosfera aterrorizante e colorida. Apesar de não dar sustos repentinos como os que tanto evito na TV e no cinema, o visual da HQ é tão capaz de proporcionar pesadelos quanto qualquer filme ou série de terror.

É verdade que Ice Cream Man é pouco conhecida no Brasil e está disponível por aqui apenas em plataformas como comiXology,. No entanto, é inegável como ela é  a introdução perfeita tanto para leitores de quadrinhos que queiram conhecer o terror, quanto para fãs do gênero em outras mídias que querem aproveitá-lo de uma nova forma. A abundância de temas, personagens e histórias empolgantes formam a apresentação perfeita a estes mundos e fazem o esforço de correr atrás das edições da revista valer a pena.

Embora eu seja extremamente covarde para histórias de terror, me peguei virando páginas ansiosamente, curioso sobre os destinos dos personagens que acabara de conhecer – e que já tinha percebido que dificilmente chegariam intactos ao fim de cada edição. A diversão proporcionada pelas histórias de Ice Cream Man amenizou meu preconceito com o terror e me deu vontade – para não dizer coragem – de procurar outras obras do gênero.

Justamente por não ser um grande conhecedor do terror, não posso dizer que a HQ é um clássico instantâneo ou compará-la com trabalhos de outros autores. Mas, justamente por não ser um fã, consigo afirmar que Ice Cream Man é um bom primeiro passo para quem quer perder o medo do gênero e uma leitura ainda melhor para quem gosta de uma boa história em quadrinhos.

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