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Grant Morrison | Declaração sobre criadores do Superman cria polêmica

Autor está sendo chamado de boneco da DC Comics

Érico Assis
01.08.2011, às 00H00
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H46
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H46
Um trecho do livro Supergods, que Grant Morrison acaba de lançar nos EUA e no Reino Unido, está provocando polêmica entre historiadores dos quadrinhos e fãs do escritor escocês. É o momento do livro em que Morrison fala de Jerry Siegel e Joe Shuster, os criadores do Superman.

Morrison escreveu que Siegel e Shuster venderam em 1938 sua criação à National Publications (futura DC Comics) por apenas 130 dólares, fato bem conhecido. Na interpretação do autor, porém, fizeram isto porque "estavam criando um produto para vender" e "imaginaram que poderiam criar mais e melhores personagens". Além disso, que só teriam revoltado-se contra o injusto valor pelo personagem em 1946, "quando perceberam quanta grana sua criação estava arrecadando".

O escritor ainda compara-os a Bob Kane, co-criador do Batman, que teve remuneração melhor e participação nos lucros com o personagem. Morrison diz que Kane tinha "mais cabeça para negócios".

O primeiro a revoltar-se contra as declarações de Morrison foi o crítico de quadrinhos Abhay Khosla, que diz que Morrisson não reconhece vários fatos documentados em torno da venda de Siegel e Shuster à National - fatos que, na visão de Khosla, comprovam que os criadores foram passados para trás. E complementa que este "esquecimento" de Morrison é interesseiro: serviria à DC Comics no processo que a editora atualmente enfrenta, movido pelos herdeiros de Siegel e Shuster.

Khosla também lembra que Morrison tem "participação num projeto que pode ter sido designado para que sejam reduzidas as chances dos pais corporativos do Superman terem que dar dinheiro aos herdeiros de Siegel e Shuster". Ele se refere à reformulação do herói para o relançamento do Universo DC, que acontece em setembro. É Morrison quem está trabalhando na nova Action Comics, que muda detalhes da origem do personagem.

"Acho que tive sorte de crescer numa época em que as pessoas que faziam quadrinhos buscavam outros rótulos que não 'marionete corporativo'", ataca Khosla.

Mas a crítica mais contundente e irritada vem do respeitado historiador dos quadrinho Paul Gravett. Em uma resenha do livro em seu site pessoal, Gravett mostra erros de Morrison - como, por exemplo, que Siegel e Shuster já haviam manifestado-se em 1938 contra o contrato de Superman, e não só na década seguinte - e também levanta a suspeita de que Supergods seja parte de uma estratégia da DC Comics de minar os herdeiros de Siegel e Shuster.

"Morrison prefere elevar o super-herói a um conceito indestrutível, quase uma entidade independente, auto-efetivada, reconhecendo apenas por cima o lado mais comercial e sujo, maquiando a exploração reinante, hoje e sempre, no mercado", escreve Gravett. "É por isso que ele decide escantear ou ignorar o motivo pelo qual eles devem sobreviver - a necessidade que têm de sempre gerar mais e mais dinheiro para seus proprietários corporativos e acionistas, sendo uma percentagem arrecadada pelos operários leais, como ele, que de alguma forma conseguem fazer eles vender."

A relação com a reformulação DC também parece clara para Gravett: "É mais do que coincidência, e do que um anúncio sincronizado, que a história de Morrison e a do Superman encontrem-se ao final do livro, quando Morrison é contratrado pelos tesoureiros da Desesperada Corporação para relançar sua Supermarca em setembro, numa nova Action Comics 1." As elocubrações de Gravett vão ainda mais longe, considerando Supergods parte de um rebranding geral do Superman que o prepara para seu novo filme.

Até o momento, Morrison não se pronunciou quanto às críticas ao livro.

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