Imagem de Sessão de Terapia

Créditos da imagem: Sessão de Terapia/Globoplay/Divulgação

Séries e TV

Artigo

Mesmo irregular, Sessão de Terapia empolga em estreia da 4ª temporada

Série volta repaginada, com novo terapeuta e pacientes

Henrique Haddefinir
29.08.2019
17h18
Atualizada em
29.08.2019
17h52
Atualizada em 29.08.2019 às 17h52

A última vez que Sessão de Terapia foi ao ar no canal GNT foi em 2014, quando séries brasileiras ainda brigavam por um lugar em meio à nossa massiva produção folhetinesca. A solução, em muitos casos, era reproduzir modelos pré-estabelecidos e apostar em remakes. Algumas vezes uma decisão como essa pode ser um equívoco colossal (precisamos lembrar que a RedeTV já fez Donas de Casa Desesperadas), mas o que protegia o remake de Sessão de Terapia era seu formato simples e direto, que dependia exclusivamente de texto e direção de atores. Uma vez que essas duas coisas fossem entregues às pessoas certas, as chances de sucesso eram boas.

Adaptado da obra israelense BeTipul, a versão brasileira foi entregue, então, a Selton Mello, que assumiu a direção e construiu três temporadas muito seguras, todas protagonizadas por Zé Carlos Machado, que era o terapeuta em questão. A série nunca foi extremamente popular, mas sempre teve o respeito da crítica, razão pela qual conseguiu sobreviver na grade da GNT por três anos. Em um formato diário e com episódios de apenas 25 minutos, a série tinha trabalho em competir com tantos títulos frenéticos e ideias mirabolantes, numa contemporaneidade que exige mesmo emergencialismo, pressa, ganchos... Para que Sessão de Terapia fosse apreciada, ela dependia de foco e paciência.

O forte investimento do Globoplay em produções seriadas nacionais proporcionou à produção a chance de retornar ao mercado. Assim, cinco anos depois, Sessão de Terapia recebeu sinal verde para uma nova leva de episódios, mas o ator Zé Carlos Machado estava contratado da Record e não poderia retornar. A solução foi dar quase um reboot na trama, colocando outro terapeuta na linha de frente e revigorando a história. O próprio Selton ocupou a cadeira – como o terapeuta Caio - e para que o reboot não fosse completo e houvesse algum senso de continuidade, o roteiro providenciou uma mínima ligação entre o novo e o antigo protagonista. Além disso, a atriz Morena Baccarin (que nasceu no Brasil mas cresceu nos EUA) assumiu a posição de terapeuta do terapeuta e vive Sofia. Projetada pela série Gotham e pelos longas de Deadpool, Baccarin é uma presença que pode ser muito positiva para o alcance da série.

Sessão semanal

Os pacientes são a alma da série e temos quatro novos. A de segunda-feira é a atriz Chiara (Fabiula Nascimento), que precisa administrar a própria necessidade de exposição junto a uma galopante depressão que ela insiste em ignorar. A de terça é a adolescente Guilhermina (Livia Silva), focada em suas redes sociais e com claras dificuldades para assumir quais são seus verdadeiros problemas. Na quarta-feira é a vez do machão Nando (David Junior), que lida com uma disfunção erétil claramente psicológica. A última paciente da semana é a idosa Haidée (Cecília Homem de Mello), uma mulher que acabou de perder o marido e não consegue se reajustar. Na sexta é a vez do próprio Caio enfrentar o divã ficando frente a frente com Sofia, que ele trata numa constante oscilação entre o flerte e irritação.

Essa dinâmica tão íntima entre terapeuta e paciente é fundamental para que a série funcione e, ao menos nos cinco primeiros episódios, ela é um pouco irregular. As histórias de Chiara e Haidée funcionam melhor, têm um texto mais apurado, além de duas atrizes que encontram o tom perfeito entre a entrega e a hesitação. Essa delicadeza na atuação é necessária, porque sempre há um desconforto em abrir a própria vida para um estranho; e todos os pacientes demonstram esse desconforto. Porém, talvez por não poder entregar muita coisa na primeira sessão, as histórias de Guilhermina e Nando não conseguiram despertar tanto interesse. Em seus primeiros episódios os personagens se arrastam um pouco nos diálogos, caem o ritmo da cena e isso nos distrai, o que para um formato como esse, é inadmissível.

Quando Caio vai para a própria sessão na sexta-feira, a trama cresce um pouco, já que Selton foi muito esperto em dar ao personagem como paciente um tom completamente diferente de quando ele está na sua versão médico. Como médico ele é compenetrado, firme, mesmo que ousado em sua abordagem. Já como paciente ele é terrível, ranzinza, grosseiro e muitas vezes inapropriado em seu constante flerte com a terapeuta. Era esperado que um passado turbulento fosse ser parte do que constitui o personagem, mas considerando os flahbacks que acabaram por arranhar a seriedade do resultado final, esse passado pode acabar sendo um tom acima do que a série precisa para continuar no próprio campo de sofisticação.

Enfim, tudo na estreia da quarta temporada de Sessão de Terapia é sobre desejar estar presente na sessão seguinte e isso, definitivamente, a série consegue fazer. Ela terá seus 35 episódios disponíveis na Globoplay com exclusividade a partir de 30 de Agosto e só serão exibidos na GNT a partir do ano que vem.