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Créditos da imagem: O Senhor dos Anéis/New Line/Divulgação

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Artigo

O que a morte de Christopher Tolkien significa para franquia O Senhor dos Anéis?

Filho do autor era conhecido por cuidar do patrimônio do pai e barrar diversas adaptações

Camila Sousa
16.01.2020
19h31
Atualizada em
17.01.2020
10h20
Atualizada em 17.01.2020 às 10h20

Morreu hoje (16), aos 95 anos, Christopher Reuel Tolkien, filho de J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis. No entanto, além de ser da família de um dos maiores contadores de história do mundo, Christopher também era conhecido por “proteger” a obra de seu pai e barrar diversas tentativas de adaptações. Por isso, com a triste notícia de sua morte, é possível que os personagens da Terra Média apareçam cada vez mais no cinema, TV, etc.

Desde jovem, Christopher se envolveu bastante com a obra do pai. John Ronald costumava ler para o filho, ainda criança, histórias sobre Bilbo Bolseiro e Tom Bombadil. Quando cresceu, o jovem ajudou a fazer os mapas da Terra Média e, após a morte do pai, compilou anotações e escritos para lançar O Silmarillion, considerada uma das maiores obras do universo do Anel, por contar a origem da Terra Média e expandir vários conceitos mostrados na trilogia principal.

A franquia fez parte da vida de Christopher e, entre os quatro filhos de Tolkien, ele era um dos que tinha maior conhecido sobre os escritos do pai. Por conta disso, apesar de não ser o mais velho, ele foi escolhido por Tolkien para cuidar da obra após sua morte. O autor não gostava da ideia de ter sua história adaptada aos cinemas, mas, mesmo assim, vendeu os direitos de adaptação de O Senhor dos Anéis e O Hobbit no final da década de 60. Isso levou à trilogia feita por Peter Jackson, publicamente criticada por Christopher Tolkien. Para ele, os longas deixaram de lado a essência da obra de seu pai para agradar adolescentes, focando mais na ação e deixando de lado o “impacto filosófico” dos livros. Tais declarações fizeram muitos fãs da trilogia não gostarem de Christopher e o “culparem” por não ter outras obras do mesmo universo nas telas, como, por exemplo, uma adaptação de O Silmarillion.

Até 2017, Christopher Tolkien editou livros do pai e fazia parte do Tolkien Estate, que tem os direitos de adaptação da Primeira Era da Terra Média (incluindo O Silmarillion). Ele deixou o posto no mesmo ano em que a Amazon anunciou a série de TV sobre a Segunda Era, já indicando uma abertura maior para adaptações. Ainda assim, a empresa precisou atender certas exigências para levar a história para as telas. A Amazon não pode, por exemplo, alterar momentos-chave da Segunda Era, como invasão de Sauron a Eriador, sua ida para Númenor e como ele corrompeu aqueles que viviam lá. Isso mostra que, mesmo não estando à frente dos negócios, a presença de Christopher inibia que a obra de Tolkien fosse adaptada sem um grande cuidado.

Com sua morte, fica o receio de que os herdeiros restantes negociem os direitos que ainda não foram vendidos e que a Terra Média ganhe adaptações sem esse cuidado mostrado até hoje. Isso, de fato, pode acontecer. Como dito acima, a precaução extrema de Christopher foi muito importante em tudo o que foi feito na franquia até hoje, mas isso não quer dizer necessariamente que qualquer coisa poderá ser feita.

Os direitos de O Senhor dos Anéis e O Hobbit, já adaptados pela New Line/Warner, estão com a Middle-Earth Enterprises e não devem ser negociados tão cedo após as duas trilogias feitas nas telonas. Os direitos da Segunda Era seguem com a Amazon, que planeja muitas temporadas na TV. Fica a dúvida somente sobre a Primeira Era, que está nas mãos da Tolkien Estate, incluindo a cobiçada adaptação de O Silmarillion. Neste caso, os herdeiros poderão sim negociar com algum grande estúdio para uma franquia mostrando como a Terra Média foi formada. Resta esperar apenas que, caso isso seja feito, que as partes consigam alinhar lucro e bilheteria com o respeito e cuidado que Christopher sempre teve com personagens tão queridos.