Filmes

Entrevista

Marcos Mion tem um plano: Como o apresentador virou Buzz em Lightyear

Conversamos com o astro da Globo, que empresta sua voz ao personagem de Toy Story

Omelete
6 min de leitura
Eduardo Pereira
21.06.2022, às 14H20
ATUALIZADA EM 25.06.2022, ÀS 15H00
ATUALIZADA EM 25.06.2022, ÀS 15H00

Quando Marcos Mion deu seu adeus definitivo à MTV, em 2009, ele fez muito mais do que buscar salário e visibilidade maiores do que já tinha. Sua ida à Record para liderar o Legendários, com seu então muito contestado "humor do bem", fez parte de um movimento consciente e confesso de popularização da própria marca; o primeiro passo para levar seu apelo além dos jovens, moderar (mas não eliminar) sua típica acidez, e permitir que ele se tornasse um comunicador amado por brasileiros de todas as idades.

Hoje, mais de 12 anos depois, Mion colhe de baciada os frutos desse planejamento: semanalmente, o apresentador é convidado à sala de milhões de famílias para comandar, sem abrir mão de sua divertida veia caótica, a principal atração das tardes de sábado na Rede Globo: o Caldeirão. Na TV fechada e no streaming, é dele o rosto que estampa o reality show Túnel do Amor. E, fora da telinha, é praticamente impossível escapar de sua forte presença nas redes sociais; seja no Twitter, no Instagram ou no TikTok.

Mesmo que atravesse seu auge, o plano profissional de Mion continua em ascensão, e o trabalho na dublagem nacional de Lightyear é mais uma peça desse quebra-cabeça de mais de década. Em conversa com o Omelete, Mion revelou como desenvolveu com a Disney uma relação que viabilizou o convite para se tornar Buzz Lightyear, e até admitiu uma certa invejinha de Fábio Porchat — sentimento que o motivou a perseguir a oportunidade de emprestar a voz a um ícone como o personagem de Toy Story. Ou melhor: como o personagem de filme de ficção científica que seria eventualmente transformado no boneco da saga da Pixar.

SONHO DE FÃ

"Qualquer pessoa envolvida com universo pop, com o universo do entretenimento, foi influenciada por Toy Story, ou teve a sua vida marcada por Toy Story", afirmou Mion. "Você tem elementos incríveis, maravilhosos, fortes, leves. É uma obra-prima. E, para mim, tem essa evolução entre o primeiro e o último: eu era um moleque e depois era um pai de três. Então, pensa o quão louco é, na minha cabeça, eu estar nessa posição, agora, como a voz do Buzz".

Ainda um "moleque" quando o primeiro longa da saga foi lançado, em 1995, o apresentador relembrou o marco tecnológico e artístico proposto, à época. "Foi uma revolução. Foi um negócio que pirou todo mundo. Isso é possível? Feito num computador? Era uma coisa que, até então, não era uma possibilidade", disse. E, com o passar dos anos, a admiração pela produção cresceu à mesma medida que ela foi ganhando mais e mais sequências; resultando em uma paixão que Mion passou a dividir com os filhos, Romeo, Donatella e Stefano.

"Desde muito cedo. eles foram introduzidos a Toy Story, no devido momento, mas foi só no último [Toy Story 4, de 2019] que a gente foi ao cinema, todo mundo junto, de fato. E foi demais", relembrou Mion. "[Foi incrível] ter chegado em casa e falado 'senta aí, molecada', na mesa de jantar, e dizer: 'Sabem o Buzz? Todo mundo gosta do Buzz. Sabem quem vai fazer a voz do Buzz?'. E, quando eu mostrei o trailer para eles, os olhinhos assim [brilhando]... eles ficaram loucos".

Cena de Lightyear
Pixar/Divulgação

ESFORÇO COLETIVO

Segundo o apresentador, a jornada que o levou a Lightyear começou em 2014, quando emprestou sua voz ao personagem Fred, em Operação Big Hero (dublado, no original, por T. J. Miller). "Desde que eu fiz Operação Big Hero, eu entrei numa vontade muito grande de conseguir ter a oportunidade de dublar um ícone. Eu via a relação do [Fábio] Porchat com o Olaf [de Frozen] e eu achava aquilo demais", revelou Mion. "Então, eu queria muito um para mim, na minha carreira, na minha vida".

Em 2020, esse plano "bateu na trave". Convidado pela Disney para emprestar sua voz pela primeira vez a um filme da Pixar, em Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica, Mion teve de recusar a oportunidade por conta da agenda cheia de gravações. Ironicamente, o cenário não era nem um pouco mais tranquilo quando recebeu o convite para dar voz a Buzz, mas a chance de dar vida ao patrulheiro espacial fez valer qualquer sacrifício.

Pôster de Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica
Pixar/Divulgação

"Minha vida está uma loucura, com o Caldeirão, com tudo que eu estou fazendo", destacou Mion. "Então, chegou para minha equipe [e a resposta foi] assim: 'Poxa, que pena que chegou agora, porque você mal consegue ver seus filhos, mas chegou uma dublagem para você fazer, do Buzz. Eles vão fazer um filme só do Buzz'. Eu falei: 'O quê?! Não me interessa como, mas a gente vai fazer. Eu vou ficar de madrugada, eu vou ficar domingo, eu vou ficar o que for, vocês se viram'... Foi um esforço coletivo da Disney, que queria muito que eu fizesse, da minha equipe, que queria muito que eu fizesse, e a gente foi encaixando datas para eu dublar".

PASSAGEM DE BASTÃO

Imortalizado na mente dos fãs como um boneco de voz grave e postura comicamente heróica, Buzz é recriado em Lightyear como um homem muito mais complexo e vulnerável, passível de erros e envolto em certa melancolia. A mudança na voz do personagem faz parte dessa proposta narrativa: no original, sai o vozerão rasgado de Tim Allen e entra o tom caloroso de Chris Evans. No Brasil, o personagem deixa de soar tão robusto quanto Guilherme Briggs para assumir uma veia mais cotidiana na voz de Mion. A substituição rolou de forma suave, com direito a passagem de bastão em vídeo e troca de figurinhas entre ambos.

"O Guilherme é um cara sensacional", elogiou Mion. "Ele foi muito querido comigo, desde o primeiro momento. Ajudou muito no entendimento de que não é o Buzz boneco, para os seus fãs, para os fãs hardcore de Toy Story. Ele me deu algumas dicas, de dublagem como um todo, porque por mais que eu tenha uma certa experiência, eu nunca tinha encarado um projeto desse tamanho... Onde estar com a cabeça, onde buscar emoções e tal. Ele foi muito legal, muito querido".

Responsável pela voz de Buzz Lightyear nos quatro filmes de Toy Story, além de um sem número de derivados na TV e em outras mídias, Briggs também serviu de inspiração para que Mion e o diretor de dublagem Thiago Longo inserissem na atuação do apresentador algumas boas referências à versão mais conhecida do patrulheiro. "Nas horas dos diários, a gente buscou um pouco mais a voz do Buzz boneco. Porque, até aí, o Buzz boneco tem algumas características que foram inspiradas no Buzz homem, o herói", detalhou Mion.

PENDURANDO AS CHUTEIRAS?

E agora, qual é o plano? Depois de dar voz à reinvenção de um dos dois personagens mais amados da principal franquia da Pixar, quais ambições os sempre dinâmicos planos de Marcos Mion reservam para a dublagem, ou até para a atuação? "Irmão, depois do Buzz eu vou pendurar a minha chuteira porque eu vou pendurar a chuteira num ponto altíssimo da minha carreira de dublador", respondeu ele.

"Eu só fico rezando para, talvez, quem sabe, a Disney fazer um Lightyear 2 e aí eu vou ser chamado de volta para continuar o trabalho. Mas, cara, sinceramente, era um sonho ter um personagem icônico com o qual eu pudesse me identificar, e que as pessoas pudessem remeter a mim, e esse sonho foi realizado com o Buzz", celebrou. "Então eu realmente vou pendurar a chuteira no auge".

Soa definitivo? Sim. Mas nunca se sabe com quem tenta ir além do infinito.

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