Sweet Tooth

Créditos da imagem: Netflix/DC Comics/Divulgação

Netflix

Artigo

Das páginas às telas: como a equipe de Sweet Tooth levou a HQ para a Netflix

Criadores da série explicam coincidências entre a concepção e a finalização da produção

Nico Garófalo
03.06.2021
14h50

Quando Sweet Tooth, série baseada na elogiada HQ de Jeff Lemire para a DC/Vertigo, enfim chegar à Netflix nesta sexta-feira (4), encerrá um longo ciclo de 12 anos desde que Jim Mickle, criador da série, quis adaptar o gibi pela primeira vez. O cineasta, que escreveu e dirigiu o piloto da versão live-action, e acompanhou os quadrinhos desde sua publicação original, em 2009, lembra que se sentiu atraído pelo traço de Lemire e pela maneira como o quadrinista imprimiu sua própria personalidade “nos desenhos e na história. É uma visão única, que não costumamos ver nos quadrinhos”, conta.

Na época, o diretor considerou trabalhar em uma adaptação televisiva de Sweet Tooth, mas as emissoras da época não tinham espaço para uma história tão longa - o quadrinho tem ao todo 40 edições. Anos mais tarde, o destino pareceu intervir. A Team Downey, produtora comandada por Robert Downey Jr, Susan Downey e Amanda Burrell, adquiriu os direitos de adaptar o gibi de Lemire. Burrell, que já conhecia Mickle e seu trabalho há anos, pensou justamente no amigo para desenvolver a série, sem saber de seu desejo de trabalhar na história de Gus e Jepperd. "Assim que Jim entrou no grupo, Sweet Tooth começou a avançar e tudo ganhou vida. Passou a ser um trabalho coletivo com a Warner Bros., e depois a Netflix entrou em cena para dar o toque final”, conta Burrell.

Em 2019, a equipe viajou à Nova Zelândia, onde começou a filmar o piloto sob o olhar de Jeff Lemire. O roteirista, quase tão protetor com sua obra quanto os fãs de Sweet Tooth, se mostrou satisfeito com as liberdades criativas tomadas por Mickle e sua equipe, e não economizou elogios às novidades trazidas pela adaptação. “Jim explicou a ideia dele para a série e percebi que estava muito alinhada com a minha criação original. Então, senti que a história estava em boas mãos. Para mim, Gus e Jepperd são a alma da história, e isso foi mantido. Tudo o que foi adicionado contribuiu para esse eixo central. Aliás, adorei as coisas novas. Acho que algumas das melhores partes da série são os novos personagens. Isso é muito legal para mim, porque assim também tenho novidades para ver”, comenta Lemire, que, inclusive, viu a chegada da série como um incentivo para retomar a história de Gus nos quadrinhos.

Com o primeiro episódio pronto e aprovado, a Netflix e a Team Downey foram atrás de Beth Schwartz, já experiente em traduzir e adaptar personagens dos quadrinhos para a TV após seus trabalhos no Arrowverse, para atuar como roteirista, produtora-executiva e showrunner. Além de trazer esse conhecimento para a produção, Schwartz também mostrou uma grande conexão com a história de Sweet Tooth: mãe há pouco mais de seis meses, a produtora se identificou com a trama sobre paternidade e proteção familiar.

Sweet Tooth se torna um pouco atual demais

Embora as filmagens de Sweet Tooth tenham sido concluídas muito antes da pandemia da COVID-19, a pós-produção da série, que inclui animais e alguns ambientes completamente digitais, fez com que o mundo pós-apocalíptico criado há mais de dez anos por Lemire se tornasse assustadoramente real. “É uma loucura, mas muitas coisas que abordamos na série e que já estavam nos quadrinhos há mais de 10 anos acabaram acontecendo no mundo real. A vida imita a arte e vice-versa”, comenta Mickle.

Mesmo que concorde com o timing assustador da série, Burrell lembra que Sweet Tooth é justamente sobre a força da humanidade e da esperança mesmo nos momentos mais sombrios e desesperadores. “Estamos trabalhando na série Sweet Tooth desde 2016, e os quadrinhos foram lançados muito antes disso. Pensávamos que era uma história de ficção científica, não algo que realmente poderia acontecer. Quando aconteceu, ficamos tão surpresos quanto o resto do mundo. Mas isso acabou servindo de incentivo, nos deu uma sensação de propósito, uma vontade de conectar a série com a humanidade e transmitir a esperança de ter um caminho a seguir”.

Assim como Gus e Jepperd, a equipe de Sweet Tooth se manteve firme em sua caminhada, obstinados em levar um fio de esperança a quem tanto precisa neste momento. Em tempos em que violência e desespero parecem dominar toda e qualquer interação do nosso dia a dia, não há por que não agradecer um pouco de inocência e fofura feita praticamente sob medida para os dias atuais.

A primeira temporada de Sweet Tooth estreia nesta sexta-feira (4) na Netflix - confira nossa crítica.

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