Governo pede suspensão e investigação do filme da Netflix Cuties

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

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Governo pede suspensão e investigação do filme da Netflix Cuties

Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos afirma que produção traz "conteúdo pornográfico envolvendo crianças"

Mariana Canhisares
22.09.2020
10h55
Atualizada em
22.09.2020
11h42
Atualizada em 22.09.2020 às 11h42

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos pediu a suspensão e a investigação da veiculação do filme Cuties, da Netflix, no Brasil. Segundo o secretário Maurício Cunha, que assina o ofício, o longa teria "conteúdo pornográfico envolvendo crianças".

Cunha alega que o filme tem cenas focando nas partes íntimas das meninas enquanto elas fazem movimentos eróticos e simulam práticas sexuais. Para ele, o roteiro poderia levar à normalização da hipersexualização das crianças em produtos culturais.

O documento também pede por uma investigação sobre a responsabilidade da oferta e distribuição da produção, porque o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) define a venda ou exposição à venda de conteúdo pornográfico envolvendo menores de idade como crime, punível com prisão de 4 a 8 anos e multa.

Diante dessa alegação, a Netflix afirmou em nota (via Agência Brasil) que Cuties é justamente contra a sexualização de crianças. "É um filme premiado e uma história poderosa sobre a pressão que jovens meninas enfrentam nas redes sociais e também da sociedade. Nós encorajaríamos qualquer pessoa que se preocupa com essas questões importantes a assistir ao filme".

Divulgação

Desde seu lançamento no início deste mês, o filme tem causado polêmica. As críticas se deram por causa de seu cartaz, que trazia as garotas da trupe em poses sexualizadas, e pela sinopse, que dizia que Amy (Fathia Youssouf) entrava “em contato com sua feminilidade”. O pôster divulgado pelo streaming, no entanto, era totalmente diferente da divulgação original do filme na França. Por isso, a plataforma, depois, se retratou sobre o cartaz, dizendo que "não é ok e não representa o filme premiado em Sundance".

A diretora do longa Maïmouna Doucouré defendeu sua obra, afirmando que a intenção nunca foi hipersexualizar crianças, mas sim fazer o exato oposto. "As pessoas que começaram esta controvérsia não viram o filme ainda. [...] Espero que estas pessoas possam ver o filme que agora foi lançado. Estou ansiosa para ver suas reações quando eles perceberem que estamos do mesmo lado na luta contra a hipersexualização de crianças".

Já disponível na plataforma, e com o título Lindinhas em português, o longa francês acompanha a história de uma garota que, buscando se livrar do ambiente conservador de sua casa, se envolve com um grupo de dança.

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