Foto da Família Mitchell no filme A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Créditos da imagem: Divulgação/Netflix

Netflix

Entrevista

Como internet e fracasso salvaram A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Diretor da nova animação da Netflix, Michael Rianda revelou os bastidores de seu primeiro filme ao Omelete

Gabriel Avila
30.04.2021
18h47
Atualizada em
30.04.2021
20h54
Atualizada em 30.04.2021 às 20h54

Uma rápida olhada na equipe por trás de A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é capaz de criar grande expectativa em torno da nova animação da Netflix. Isso porque o filme é co-escrito e dirigido por Michael Rianda e Jeff Rowe, veteranos de Gravity Falls, e produzida por Phil Lord e Chris Miller, que colecionam sucessos como Tá Chovendo Hambúrguer, Uma Aventura LEGO e Homem-Aranha no Aranhaverso. Chega a ser curioso que o filme só exista graças a uma inusitada mistura de internet, fracasso e família.

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas acompanha a luta dos Mitchells para sobreviver e libertar a humanidade de uma revolução das máquinas. Apesar do cenário apocalíptico, a história começa com um drama bastante pé no chão. Katie, a filha mais velha, está indo para a escola de cinema para viver seu sonho longe da família, que não acredita em seus objetivos. Em entrevista ao Omelete, o diretor Michael Rianda revela que o primeiro obstáculo foi trazer novidade a um enredo tão comum:

“Foi muito difícil. Quando começamos a produção, eu fiquei meio ‘já vi essa história antes, o que vamos fazer?’ mas acho que a forma como escapamos - ou melhor, espero ter escapado - desse tipo de armadilha foi trazer detalhes realmente específicos e absurdos de nossas próprias vidas”, afirmou. “Com sorte, esperamos que a história soe nova e familiar ao mesmo tempo”.

Um dos aspectos retirados diretamente de suas vidas foi a relação de Katie com o cinema. O longa mostra como a garota cresceu aficionada pela sétima arte ao ponto de criar seus próprios curta-metragens de forma independente até ser aceita na faculdade. Por ter criado curtas antes de Gravity Falls, seu primeiro trabalho profissional na área, Rianda revela que fez questão de adicionar esse ponto à jornada da garota pela forma como impactou sua própria carreira:

“Acho que curtas são uma ótima forma de se expressar, porque você simplesmente faz e não precisa se preocupar. Com longas, você coloca seis anos de sua vida, então é bom que seja bom (risos). Mas com curtas, você pode trazer ideias e enquanto algumas podem ser ruins, outras podem ser brilhantes e te ajudam a ter um ponto de partida. Você tem chance de tentar e falhar, o que considero muito importante".

“Uma coisa que colocamos no filme, é que você sempre quer falhar secretamente o máximo possível, para aprender e melhorar”, afirmou antes de relembrar como as exibições de teste de A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas ajudaram a evolução do filme. Para Rianda, ouvir críticas sobre o enredo e, especialmente, as piadas, “tornou o filme mais forte”.

O diretor se mostrou bastante grato a essas críticas, especialmente porque o filme toma a corajosa decisão de incorporar à sua história uma linguagem vinda diretamente da internet. Entre memes, dancinhas e referências a redes sociais, o longa inicialmente recebeu duras críticas de um especialista: o sobrinho mais novo do diretor.

“Tivemos uma versão inicial do filme em que meu sobrinho reagiu com ‘isso já é zoado. Ninguém faz mais isso, foi uma moda do Vine, tira do filme’ e eu comecei a tomar notas meio ‘o que mais você acha, moleque de 13 anos?’ (risos). Ele sabe mais do que eu”.

Não é difícil imaginar uma revolução das máquinas que comece pela internet, mas incorporar o que está sendo feito nas redes sociais e no YouTube ao longa se mostrou um desafio maior do que o esperado. “Sentimos que seria importante para os personagens e para o filme soar como algo atual para interagir com o público, mas tínhamos que prestar atenção para trazer coisas que parecessem atuais. Espero que não pareça terrível em 5 anos”.

E com a linguagem da internet, veio também uma arriscada decisão de trazer o humor non-sense para a produção. Não que Família Mitchell tenha inventado a roda, já que esse tipo de comédia pode ser encontrada em animações que vão desde Bob Esponja a Rick and Morty, mas trazer ideias pouco convencionais para um projeto de estúdio grande pode não ser tão fácil quanto parece.

“As pessoas, principalmente as que são um pouco mais velhas, não entendem. Elas ficam meio ‘por que os Furbys estão falando como vilões de Senhor dos Anéis?'. E acho que nosso trabalho foi sempre tentar provar: ‘vamos mostrar para o público, e se eles odiarem a gente tira’. E eles adoraram as coisas esquisitas, então foi legal ver isso. Então o estúdio ficou tranquilo quanto a isso, porque o público gostou”.

Além de co-escrever e dirigir o longa, Michael Rianda ainda ficou responsável por dar voz a Aaron, o filho mais novo dos Mitchells. Questionado sobre seus vários papéis na produção, o cineasta celebrou o controle criativo que tiveram, mas até mesmo isso trouxe sua dose de problemas. “Nenhum roteirista no mundo se submeteria ao que a gente fez (risos). Escrevemos 300 versões de cada cenas, tem 10.000 páginas de material, então nesse sentido conseguimos ter força para mudar as coisas”.

“Já a parte da dublagem foi meio que automática, porque durante a produção eu inicialmente fiz todas as vozes para ser mais rápido. Então decidimos que estava funcionando melhor dessa forma, mesmo que seja um cara de 34 anos fazendo a voz de uma criança”, riu.

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas já está disponível na Netflix.

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