Tá perdido no k-pop? Um guia prático em 10 músicas

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Tá perdido no k-pop? Um guia prático em 10 músicas

Não dá mais para fugir do pop coreano, de BTS a Monsta X, então vem com a gente

Caio Coletti
18.06.2021
06h00
Atualizada em
14.09.2021
09h12
Atualizada em 14.09.2021 às 09h12

Em 2021, tem sido impossível ignorar o k-pop. Anos depois de um momento de notoriedade com “Gangnam Style”, do PSY, a música coreana entrou de vez no Ocidente com o sucesso recordista do BTS e de vários de seus compatriotas (TWICEBlackpink, Monsta X) fora do país natal - todos crescendo a partir de uma base de fãs internacional para se provarem potências também nas paradas. Se você está se sentindo meio perdido nesse momento, não se preocupe: o Omelete pode te ajudar!

A primeira coisa a pontuar é que o k-pop não é, por si só, um gênero musical. Ao invés disso, ele engloba toda a produção mainstream da indústria musical coreana, o que significa que você vai encontrar todo tipo de canção no k-pop - não só a dance music com tempero de R&B do BTS, mas também tons diferentes de jazz, rock, techno, electro, hip hop e até bossa nova.

Abaixo, reunimos 10 canções essenciais para começar - e é só começar, mesmo! - a entender o k-pop. Cinco delas esclarecem a história da indústria, e outras cinco (todas lançadas em 2021) mostram onde ela está atualmente.

5 pela história:

Super Junior - “Sorry, Sorry”

Impossível falar de k-pop sem falar de “Sorry, Sorry”. Faixa título do terceiro álbum do grupo masculino Super Junior, de 2009, ela foi a canção que mostrou de forma mais definitiva o potencial do k-pop como produto de exportação da Coreia do Sul - flashmobs (era 2009, gente!) de fãs de vários continentes imitando a coreografia engenhosamente simples do clipe deixaram claro que os rapazes do Super Junior eram amados por todo o mundo.

Musicalmente, a canção destaca uma característica própria do pop eletrônico coreano: o uso desavergonhado de ganchos melódicos, aqueles trechinhos de música muitas vezes repetitivos, grudentos, que te deixam assobiando depois do fim da canção. “Sorry, Sorry”, blindada por sintetizadores e com seu ritmo viciante, ajuda a explicar como nenhuma outra canção dos anos 2010 o apelo meio irresistível do k-pop.

Quer mais? Tente “My House”, do 2PM; “View”, do SHINee; e “This Love”, do Shinhwa.

f(x) - “Rum Pum Pum Pum”

Igualmente impossível falar de k-pop sem citar o f(x), grupo feminino que até hoje é visto como pilar do lado mais experimental da indústria. “Rum Pum Pum Pum” foi a música de trabalho do disco Pink Tape, lançado por elas em 2013 - cheio de surpresas, ele mostra que é possível fazer pop ousado dentro do mainstream, misturando referências e gêneros musicais ao bel-prazer dos produtores. Basta notar a virada para um quase-samba (sério!) no último terço de “Rum Pum Pum Pum”.

Enquanto isso, a imagem que o f(x) projetava ajudou a solidificar a forma como a indústria vende suas estrelas femininas, com uma ousadia estética calculada. Os looks andróginos da integrante Amber são históricos, e a pose mais agressiva de algumas obras do grupo influencia artistas coreanos até hoje, mas o k-pop (como qualquer indústria mainstream) também exige a conformação a certos estereótipos de feminilidade, e ninguém caminhou nessa linha tênue com mais maestria do que o f(x).

Quer mais? Tente “Kill Bill”, do Brown Eyed Girls; “Come Back Home”, do 2NE1; e “Why Not?”, do LOONA.

G-Dragon - “Crooked”

Figura das mais influentes do k-pop, G-Dragon começou como integrante do grupo BigBang e eventualmente engatou uma carreira solo que o posicionou como um dos líderes da cultura jovem sul-coreana. “Crooked”, com sua estética influenciada pelo punk e seu instrumental de synthpop nervoso (pense na energia antêmica de “I Love It”, do Icona Pop, mas a multiplique por dez) encarna esse espírito como nenhuma outra canção da trajetória do artista.

O cantor também foi quem provou de forma definitiva que era possível construir uma trajetória de popstar, da forma como a conhecemos aqui no Ocidente, dentro da indústria coreana. Ao reinventar a própria imagem constantemente, ele se colocou - muito além da esfera musical - como um criador de tendências, um líder na indústria fashion e um ícone comportamental.

Quer mais? Tente “Sugar Free”, do T-ARA; “I Can’t Breathe”, do GWSN; e “Gashina”, da Sunmi.

Taemin - “Move”

Dançarino principal do SHINee, um dos grupos ícones do k-pop, Taemin lançou a carreira solo em 2014, mas encontrou a sua verdadeira voz, e sua força como reformador da indústria, em 2017, com o álbum Move. Apostando em um som “limpo” e sensual, e indo na contramão das posturas mais agressivas e influências do hip hop de muitos dos gigantes do k-pop, ele mostrou que o público estava pronto para abraçar uma estética transgressora.

No clipe do single principal do disco, “Move”, Taemin dança com um corpo de bailarinas totalmente composto de mulheres, misturando movimentos estereotipadamente masculinos (ângulos agudos, passos rápidos e “quadrados”) e femininos (“circulares” e fluidos, respeitando o tempo da canção). É uma postura de desafio às normas que apela com consciência e inteligência para a sensualidade.

Quer mais? Tente “Feel Like”, do WOODZ; “Red Moon”, de Kim Wooseok; e “Fever”, do ENHYPEN.

IU - “The Red Shoes”

Lembra quando falamos que tinha jazz e bossa nova no k-pop? Bom, chegamos no momento deles: em 2013, a cantora IU lançou o disco Modern Times, uma deliciosa mistura de influências latinas com o pop-jazz americano dos anos 30. A era, uma espécie de Back to Basics (da Christina Aguilera) dela, veio completa com figurinos chiquérrimos, além de danças e visuais inspirados na Hollywood clássica. Um luxo!

O Modern Times é só a ponta do iceberg quando se trata do (vamos chamar assim) k-jazz, no entanto. O disco vem de uma longa tradição de tributos da indústria coreana a canções americanas e latinas clássicas do século XX - sempre com um sabor todo próprio, é claro, trazendo batidas eletrônicas ou aquele tempero único das linhas melódicas orientais. Se você curte uma boa mistura, mas também acha que “panela velha é que faz comida boa”, essas são as músicas para você.

Quer mais? Tente “Alcohol-Free”, do TWICE; “Dreams Come True”, do The8; e “Bambi”, do Baekhyun.

5 para saber onde o k-pop está agora:

ENHYPEN - “Drunk-Dazed”

Atualmente, estamos na chamada quarta geração de grupos de k-pop, e o ENHYPEN, que estreou no ano passado, é um dos nomes mais importantes dessa leva. “Drunk-Dazed” é um dos lançamentos mais bombados dos meninos, que gostam de brincar com uma estética de filme de terror e costumam criar hinos da pista de dança em seus singles - mas, se você mergulhar na (ainda magra) discografia deles, vai encontrar também toques de soul e synthpop.

Grande parte dessa nova geração segue um pouco a deixa musical da anterior, que produziu superestrelas como o BTS e o Seventeen, apostando em um pop eletrônico globalizado que é impulsionado nas paradas por refrões grudentos e coreografias surpreendentes. O mais bacana, no entanto, é entender aos poucos como cada grupo de artistas é único em sua expressão dentro desse filão, alimentando-o sempre com ideias e influências diferentes, como todo pop deveria fazer.

Quer mais? Tente “Beautiful Beautiful”, do ONF; “Nostalgia”, do Drippin; e “Panorama”, do IZ*ONE.

ONEUS - “Black Mirror”

Se você curtiu a onda de nostalgia disco (Dua Lipa! Jessie Ware! Kylie Minogue!) do ano passado aqui no Ocidente, tem muita coisa bacana para você também no k-pop. “Black Mirror”, do ONEUS, é uma das melhores músicas do ano, com sua levada empolgante e seu refrão turbinado por uma sessão de cordas que é o puro suco dos anos 1970. Isso sem falar nas referências a Michael Jackson, e no fato de que eles são um arraso ao vivo.

Nem sempre a disco aparece de forma tão óbvia no k-pop, é claro. Às vezes, é mais sobre a melodia da canção (como em “Moon Rider”, que listamos logo abaixo), e às vezes os grupos criam uma versão contemporânea e sofisticada dos chavões do gênero, misturando-o com outras coisinhas pelo caminho. O certo é que o pessoal da quarta geração do k-pop está ligadíssimo no que anda dominando as paradas por aqui também.

Quer mais? Tente “Tag Tag Tag”, do VERIVERY; “Superhuman”, do NCT 127; e “Moon Rider”, do BDC.

TXT - “0x1 = Lovesong (I Know I Love You)”

Para quem gosta de um som mais pesado, uma boa pedida é o TXT, outro dos nomes de maior destaque da geração atual do k-pop. É verdade que eles também têm o seu lado de electro açucarado (basta ouvir ”Magic”), mas os meninos são bons mesmo é no pop rock, criando belíssimas melodias intrincadas e dançando ao som de montanhas de guitarras para expressar as angústias da juventude - o nosso My Chemical Romance, basicamente.

O lado rockeiro da música oriental não é novidade para muita gente, já que alguns artistas do filão até conseguiram sucesso no Ocidente, mas é bacana observar como o som pop rock se infiltrou no mainstream da indústria coreana. O Dreamcatcher (ouça uma delas logo abaixo), por exemplo, construiu toda uma carreira em cima de épicos de arena que expressam sentimentos sombrios e visuais que não estariam desconfortáveis em um clipe do Nightwish.

Quer mais? Tente “My Heart Skips a Beat”, do Purple Kiss; “Do or Not”, do Pentagon; e “Deja Vu”, do Dreamcatcher.

Kang Daniel - “Paranoia”

Em muitos sentidos, Kang Daniel é uma figura única dentro do cenário do k-pop. Após processar uma das maiores empresas de entretenimento da Coreia do Sul pela forma como ela gerenciava sua carreira e vencer, ele estabeleceu sua própria gravadora (a Konnect Entertainment) e continuou lançando alguns dos álbuns e singles mais bem-sucedidos do mercado. 

“Paranoia”, retirada do seu mini-álbum (com os coreanos chamam os nossos EPs) mais recente, é exemplo finíssimo do tipo de musicalidade que ele traz ao k-pop. Dramática, cheia de referências a filmes de terror, e com uma letra intrincada sobre os demônios internos do artista, ela é sombria e honesta, mas também viciante, o tipo de arte pop pela qual artistas ocidentais como Rihanna e Lady Gaga são elogiadas constantemente.

Quer mais? Tente “Monster”, da dupla Irene & Seulgi, do Red Velvet; “Soso”, do Winner; e “Fantasy”, do VIXX.

Purple Kiss - “Can We Talk Again”

A quarta geração do k-pop também tem o seu lado mais suave, como o Purple Kiss demonstra no single “Can We Talk Again”, um R&B clássico com vocais impressionantes e uma melodia que nunca vai sair da sua cabeça. Elas representam a nova encarnação de uma verdadeira dinastia de baladas à la Mariah Carey e Destiny’s Child na indústria coreana.

As meninas do MAMAMOO talvez sejam as atuais soberanas dessa dinastia, aliás, apostando na potência vocal desde a estreia, em 2015. E, às vezes, essa pitada de R&B até esquenta um pouquinho as músicas mais animadas, como as do Checkmate, um dos raros grupos do k-pop que mistura integrantes homens e mulheres. Ouça uma música de ambos os grupos logo abaixo.

Quer mais? Tente “Mr. Ambiguous”, do MAMAMOO; “Like a Movie”, do B1A4; e “You”, do Checkmate.

Se você curtiu as músicas e quer adicionar no Spotify, preparamos uma playllist completinha:

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