Uatu em What If...?

Créditos da imagem: What If.../Marvel Studios/Reprodução

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What If…? | 4 perguntas curiosas que já foram respondidas nas HQs

Para entrar no clima do próximo lançamento do Marvel Studios, revisite algumas edições dos quadrinhos que inspiraram a animação

Mariana Canhisares
09.08.2021
11h00

O que aconteceria se os eventos do MCU tivessem se desenrolado de um modo um pouco diferente? Por exemplo, se T’Challa fosse levado pelo Yondu em vez de Peter Quill? Ou, então, se Peggy Carter recebesse o supersoro no lugar de Steve Rogers? Essas perguntas inusitadas e, por isso mesmo, divertidas ganharão respostas em What If…?, a primeira série animada do Marvel Studios que chega ao Disney+ a partir desta quarta-feira (11).

Ainda que tenha um ineditismo dentro do contexto do universo compartilhado, os leitores dos quadrinhos já estão bem acostumados a imaginar “o que aconteceria se…?”. Isso porque a antologia existe nas páginas desde o final dos anos 1970, quando Roy Thomas concebeu o gibi What If…?. Já nas primeiras edições, o escritor colocou Uatu, o Vigia, como narrador das histórias. Afinal, desde que se instalou em uma base da Lua, o alienígena observava tudo o que se passava no nosso sistema solar. Logo, ele tinha uma visão privilegiada de todos os principais eventos do universo Marvel.

Sua presença também no seriado sugere que a dinâmica nos quadrinhos deve ser reproduzida para as telas, isto é, Uatu deve lembrar os leitores sobre o que aconteceu originalmente nas histórias e, então, apresentar a situação hipotética. Porém, é importante se atentar a um fato: com o multiverso batendo à porta do MCU, What If…? é sim parte do cânone do universo compartilhado. Ou seja, o que quer que se desenrole nas realidades alternativas exploradas pelo Vigia pode ter implicações -- ou, no mínimo, ser revisitado -- ao longo de toda a fase 4.

Mas, para entrar no clima da estreia desta quarta-feira (11), que tal revisitar algumas das situações hipotéticas já imaginadas nos quadrinhos?

E SE O HOMEM DE FERRO FOSSE UM TRAIDOR?

Marvel Comics/Reprodução

A história que encerra a primeira série, publicada de 1977 a 1984, imagina um cenário talvez menos impactante que o título promete, isto é, e se Tony Stark fosse coagido a trair os Estados Unidos. Porque, como bem narra o Vigia, em outra realidade, o bilionário não foi bem-sucedido no seu plano de salvar seu coração e se vingar dos seus captores. Na verdade, esta edição mostra que Stark ficou somente no quase, tornando-se uma vantagem e tanto nas mãos do vilão Chen Lu, o físico nuclear do Partido Comunista chinês.

Quando o plano de vingança de Stark foi frustrado, Chen Lu e seus capangas fizeram duas alterações importantes no projeto: incluíram um dispositivo no qual eles poderiam ver e ouvir tudo o que ele fizesse e adicionaram ao reator do seu coração um botão de liga e desliga, que poderia ser acionado remotamente. Em outras palavras, garantiram vigilância constante do CEO das Indústrias Stark, assim como não deixaram dúvidas ao bilionário que, se não cumprisse as ordens que recebesse, ele seria morto.

Pois bem, Stark volta aos Estados Unidos e anuncia em uma badalada coletiva de imprensa o seu mais novo empreendimento tecnológico -- sim, justamente a sua armadura que (e isso é um detalhe curioso) é capaz, entre outras coisas, de congelar seus adversários. Diante da aprovação de Thor, todos os heróis o recebem como um aliado e passam a chamá-lo para colaborar nas suas lutas. No entanto, nem todos estão convencidos das suas boas intenções. Nick Fury -- que, aqui, se recusa a usar um tapa-olho -- tem muitas desconfianças sobre o período que Stark foi mantido em cativeiro e não está disposto a parar sua investigação, nem mesmo depois de repreendas dos seus superiores.

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A chance de provar que há algo de suspeito nas atitudes de Stark vem quando o dito herói recebe informações sobre a formação da SHIELD e entende que Nick Fury é um forte candidato para assumir a chefia da organização. Isso porque se Stark soube, Chen Lu também. O vilão vende as informações para a HYDRA, que faz um ataque em massa e quase mata o agente da CIA. Quase. Na cama do hospital, ele avisa o Quarteto Fantástico que, apesar de não acreditar no agente, decide fazer uma apuração própria.

Reed Richards eventualmente entende que Stark mantém um canal de comunicação suspeito, mas sua descoberta é imediatamente revelada a Chen Lu, que manda o seu sequestrado matar o líder do Quarteto. O que ele não contava, porém, é que Stark e Richards seriam muito perspicazes. Comunicando-se no subtextos das gritarias tradicionais de combate, eles conseguem colaborar para cortar os comandos remotos de Chen Lu. E mais: ainda salvam o coração de Tony Stark e usam a armadura de ferro para destruir o QG do vilão.

E SE A TIA MAY TIVESSE MORRIDO EM VEZ DO TIO BEN?

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Não é novidade para ninguém que a morte do tio Ben foi um evento muito emblemático para o amadurecimento de Peter Parker, enquanto pessoa e herói. No entanto, há quem argumente que não foi tanto a ausência do tio, mas sim o acolhimento maternal da tia May. Quem? Bem, o Stu, dono de uma loja de quadrinhos. Isso porque nesta edição de What If…, escrita por Ed Brubaker no início dos anos 2000, é esse cara quem assume o posto de narrador da história.

Aqui vale uma breve explicação do por quê. No final dos anos 1990, Uatu deixou de fazer as vezes de narrador e foi aos poucos posto de lado nos quadrinhos -- a justificativa mais simples e sucinta é dizer que em uma revista do Quarteto Fantástico, ele mata outro Vigia e é punido por isso. Deste ponto em diante, cada roteirista encontrou uma maneira de contar a história. Houve quem usou um misterioso hacker, por exemplo. Brian Michael Bendis já preferiu se incluir nos quadrinhos. Brubaker, por sua vez, quis contar o caso como se fosse uma conversa entre vendedor e cliente de uma comic shop. Mas vale notar que Stu veste a camiseta do Vigia, então...

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Dito isso, vamos para a história! Como bem anuncia o título, a tia May acaba sendo a vítima do ladrão que invade a casa de Peter Parker no meio da noite. Isso porque nem ele, nem o tio Ben estavam lá, o que a deixou completamente indefesa. Talvez por isso também o jovem herói tenha recebido tão mal a notícia e decidido tomar uma atitude por contra própria. Contrariando os conselhos do tio Ben, que descobriu de supetão que Peter era o Homem-Aranha, o adolescente vai até o esconderijo do bandido e, no calor da discussão, o empurra por uma janela, bem diante da polícia. Tio Ben, que seguiu o sobrinho como pode até o local do crime, decide assumir a culpa e vai preso no seu lugar.

Por ser ainda um adolescente, Peter vai parar em um orfanato. Ele até chega a ter algumas famílias adotivas, mas nenhuma funciona. Ele está dominado pela culpa, pela raiva e pela solidão, e isso o impede de ter qualquer conexão emocional.

É importante notar também que este peso nos ombros o faz ter muito ressentimento da figura do Homem-Aranha, de modo que ele decide deixá-lo no passado. Essa decisão faz com que ele não esteja lá para salvar o filho de J. Jonah Jameson. O fato vira manchete nos jornais, mas o evento trágico não recebe tanta atenção quanto o sumiço do Teioso, despertando a raiva do dono do Clarim Diário. JJJ, então, começa uma campanha de difamação do herói que, por sua vez, leva Peter às últimas consequências: ele veste o uniforme mais uma vez, vai até a casa do jornalista e o ameaça verbal e fisicamente. É a primeira vez que Peter se sente bem em muito tempo, mesmo sabendo que o que ele fez foi errado.

Nessa mesma época, seu comportamento desagrada a direção do orfanato e ele vai parar em um centro de detenção juvenil -- detalhe curioso: lá ele encontra Harry Osborn e Flash Thompson, ambos condenados por posse de drogas. Vítima de bullying o tempo todo, Peter decide fugir e passa a viver na rua, na base de pequenos roubos. É só quando descobre as recompensas para ajudar na captura de vilões, como o Abutre e o Lagarto, que ele passa a se dedicar ao combate ao crime como Homem-Aranha.

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Contudo, ele só vai entender de verdade a dimensão dos danos que eles causam às pessoas quando fica frente a frente com o Duende Verde. Novamente, ele perde a cabeça e quase mata o adversário. O embate foi o gatilho para ele reviver todo o drama da morte da tia May, seu crime e a prisão do tio Ben. No impulso, ele tenta ajudar seu único parente vivo a fugir, mas o tio Ben se recusa e dá uma versão da sua famosa frase sobre assumir responsabilidade.

Aprendendo sua lição, Peter vai morar com sua vizinha e se dedica muito à escola. Namora MJ, ganha uma bolsa de estudos e finalmente se livra do peso da culpa. Mas a parte mais divertida vem depois da soltura do tio Ben: juntos, eles passam a combater o crime em Nova York. Peter zanzando entre os arranha-céus, e o tio Ben cortando o movimentado trânsito da cidade.

E SE THOR FOSSE CRIADO PELOS GIGANTES DE GELO?

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A relação entre Thor e Loki nunca foi fácil. Enquanto o Deus do Trovão estava destinado a ser o herdeiro de Asgard, o Deus da Trapaça vivia na sombra do irmão, com inveja do seu destino e da sua sensação de pertencimento. Logo, é no mínimo curioso imaginar como seria o relacionamento dos dois se Odin tivesse perdido a luta contra Laufey, o rei dos Gigantes de Gelo. Porque, nesse cenário, não seria Loki quem iria viver em Asgard, mas Thor quem se mudaria para Jotunheim. Pois bem, em 2018 o roteirista Ethan Sacks explorou esse desfecho nos quadrinhos e, acredite se quiser, a competição entre irmãos também achou espaço ali.

Quando o pequeno Thor chegou ao seu novo lar, ele era pura raiva. Além do luto pelo pai, as ameaças de Laufey à sua mãe o tiraram do sério e ele chegou a tentar impedir seu algoz de tomá-la como prisioneira, mas sem sucesso. Por sorte, ele encontrou algum conforto em uma figura muito gentil, e nada parecida com os demais Gigantes de Gelo: Loki. Já ali, no primeiro encontro, em Jotunheim, eles selaram sua irmandade e prometeram nunca deixar um ao outro sozinhos.

No entanto, Laufey tinha uma preferência óbvia por Thor. O menino naturalmente tinha o espírito guerreiro que caracterizava os Gigantes de Gelo. Loki, por outro lado, era chegado à magia e sempre decepcionava o pai com sua postura menos agressiva. Tanto era assim que, ainda na infância, o rei preferiu prometer a Thor a poderosa arma do seu povo, um martelo enorme entregue apenas aos futuros reis, em vez de passá-la adiante para seu filho de sangue -- contrariando muitos de seus súditos, é bom dizer.

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Foi a partir deste momento que os irmãos até então inseparáveis começaram a se distanciar. Enquanto Thor ficava cada vez mais perto de assumir o título de Deus do Inverno, acompanhando e lutando em nome do pai, Loki passava muitas horas nas masmorras. Lá, conheceu Freyja, a mãe de Thor que, sem saber que o filho estava vivo, acolheu o solitário garoto como se fosse seu. E Loki aproveitou o carinho em segredo.

Anos se passaram e, percebendo a desatenção do pai, Loki se propôs a ajudar Freyja a fugir. O que ele não contava, porém, é que Laufey fosse desvendar seu truque e encontrá-lo com sua mãe adotiva em Asgard, prestes a ir para a Terra. O gigante, obviamente, estava furioso e não exitou em pegar Loki pelo pescoço.

Cansado das agressões do rei, o Deus da Trapaça acertou-o no olho e matou-o ali mesmo. Thor, claro, ficou revoltado e tentou vingar o pai. Mas Freyja saltou na frente do seu alvo e se sacrificou pelo Loki. Só naquele momento que o Deus do Inverno descobriu quem era aquela mulher e o que ele tinha acabado de fazer. Por pouco, ele não acabou com o irmão, mas no final o deixou partir para a Terra.

Os dois mantiveram distância por todos esses anos, mas Loki sabia que seu irmão estava por perto, olhando por ele, sempre que ouvia os trovões no céu.

E SE O VENOM POSSUÍSSE O DEADPOOL?

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Um jeito simples de descrever o resultado deste encontro seria dizer que o universo não foi páreo para o ego e megalomania do Venompool. Mas, por mais bizarro que soe esse desfecho -- porque, sim, o anti-herói preferiu apagar o universo inteiro a encarar erros, como matar todos os heróis e vilões para ser o único adorado pela humanidade --, ele não se compara aos eventos dessa história em quatro edições. Para começar, antes de ser possuído pelo simbionte, o Mercenário Tagarela é contratado por Galactus para se vingar do vilão Beyonder. Por quê? Bem, porque ele colocou um M.O.D.O.K. na sua bunda. É, é isso mesmo que você leu.

O Deadpool vai atrás do mau caráter, mas depois do cara oferecer para ele uma bebida e um lugar na mesa ao lado de belas jovens, ele entende que não tem por que acabar com a própria mordomia. Acontece que o Galactus não foi o único prejudicado pelo Beyonder: por causa dele, o Homem-Aranha ficou preso com o Venom. Na luta, no qual Peter Parker é jogado para fora do carro e pede ajuda para o Mephisto, o simbionte toma conta do corpo do Deadpool. E, deste momento em diante, eles se tornam inseparáveis.

A história toda se desenrola na chamada Terra-615.9 e é narrada por diferentes versões do Vigia, a começar pelo Boy Watcher -- uma versão do Uatu misturada com o Boy George? Personagens conhecidos dão as caras nas situações mais improváveis, como é o caso de Tony Stark que, depois de virar parceiro de festa do Venompool e do Beyonder durante anos, é vendido para a I.M.A., organização criminosa dos quadrinhos formada por cientistas obcecados por poder. O Carnificina aparece como uma ex-namorada do Venompool, que está saindo com o Beyonder e está grávida. Adivinhem de quem? Do Galactus.

Pois é, nada faz sentido, mas é difícil conter o riso com uma história tão ácida, divertida e definitivamente nada aterrorizante, apesar do Venompool, sim, decapitar algumas pessoas pelo caminho.

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