Loki fecha temporada com episódio surpreendente e meditativo

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Loki fecha temporada com episódio surpreendente e meditativo

Finale foi lançado na manhã de hoje (14) pelo Disney+

Caio Coletti
14.07.2021
08h47
Atualizada em
14.07.2021
14h34
Atualizada em 14.07.2021 às 14h34

"Essa é a escolha: ordem sufocante, ou caos cataclísmico". A fala d'Aquele Que Permanece (Jonathan Majors) no finale de Loki, lançado hoje (14) pelo Disney+, serve também como tese principal do capítulo, que faz a série se embrenhar em reflexões emocionais e políticas surpreendentes após uma temporada irregular, mas obstinadamente profunda em sua exploração de personagens.

Quando Loki (Tom Hiddleston) e Sylvie (Sophia Di Martino) encontram o "homem por trás das cortinas" da AVT, são apresentados com um dilema moral inesperado. Uma vez que ele explica porque a Autoridade foi criada, e o que ela está impedindo de acontecer, a questão de como lidar com o "grande vilão" se torna de individual vs. coletivo, mas também de livre arbítrio vs. controle.

O grosso dessa última retórica, no roteiro do criador Michael Waldron, é carregado por Aquele Que Permanece, interpretado com o que parece ser ilimitada articulação e carisma por Majors. Se ele for mesmo se tornar uma presença constante no MCU, como o final do episódio leva a crer, será uma adição valiosa à franquia - sua atuação atinge aquele equilíbrio raro entre não se levar a sério demais, mas tampouco ser rasa.

O que suas outras variantes vão fazer nos próximos filmes da Marvel é impossível de prever, mas, aqui, o personagem é uma figura de desafio às percepções morais da série até agora. Se Loki passou cinco episódios discutindo o destino de vilões na estrutura narrativa tradicional, remoendo se eles estavam "destinados a perder" sempre, Aquele Que Permanece estende uma pergunta ainda mais difícil: o que te torna um vilão? Seus motivos, ou seus atos?

Loki e Sylvie representam pólos opostos desse dilema. Ele se aproxima, neste episódio, do personagem que acompanhávamos até Vingadores: Ultimato, capaz de um altruísmo pragmático que o coloca, muitas vezes, em confronto com as decisões heróicas mais idealistas de seus colegas. Já ela, movida pela emoção e por uma bagagem de traumas inescapável, apresenta a obstinação moral reservada aos heróis, aos que "fazem a coisa certa" apesar das consequências. 

Foi um caminho longo e tortuoso que os dois percorreram até aqui - e um caminho que Loki, a série, construiu com óbvio cuidado e afeto. Da deconstrução do Loki de Hiddleston no capítulo de estreia, passando pela revelação da história de Sylvie em "Lamentis" (1x03) e a culminação da relação dos dois na semana passada, o confronto pelo qual eles passam aqui, e o desfecho dele, parece apropriado, merecido, conquistado pelo trabalho dos roteiristas.

Como finale, "Por Todo o Tempo. Sempre." acerta em cheio ao seguir a veia mais paciente e verborrágica dos melhores capítulos anteriores de Loki. O que empolgou na série nunca foi a escala épica de sua história de confusão temporal, o dinamismo de suas cenas de ação, ou a perspectiva da introdução de um grande vilão - o que a fez merecer aquela renovação que vem na cena pós-créditos do episódio, no fim das contas, foi a profundidade da história que ela contou.

Quem diria, né, Marvel?

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