Marina faz o Lollapalooza relembrar os prazeres de um espetáculo pop

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Marina faz o Lollapalooza relembrar os prazeres de um espetáculo pop

Com domínio de repertório e show "para as câmeras", ela mostrou ao Brasil que sabe fazer seu trabalho

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3 min de leitura
Caio Coletti
25.03.2022, às 20H14
ATUALIZADA EM 26.03.2022, ÀS 10H45
ATUALIZADA EM 26.03.2022, ÀS 10H45

Lembra quando todo mundo tinha sua "diva indie" favorita? Marina (ex "and the Diamonds") veio ao Lollapalooza 2022 para lembrar o público de São Paulo, intencionalmente ou não, de uma era em que artistas pop independentes surgiam "do nada", eram compradas pelo público com todas as suas esquisitices, e logo se viam no topo das paradas, nem que fosse só por algumas semaninhas.

"Primadonna", o maior sucesso de Marina, foi a canção de encerramento do show da galesa no Lolla 2022, é claro. Para um público gigante que pulou e cantou até a última nota, a cantora e compositora provou que conhece muito bem as regras do estrelato pop - mas vamos começar do começo.

Marina subiu ao palco enquanto o sol se punha, misturando canções do álbum mais recente, o ótimo Ancient Dreams in a Modern Land ("Purge the Poison" animou com suas guitarras punk e versos frenéticos) e pérolas de discos anteriores, como "Froot", ainda mais sensual e sugestiva ao vivo que no disco, se é que isso é possível.

Por falar em sensualidade, a cantora esbanjou sedução no palco, fazendo um show tanto para as câmeras, que receberam piscadinhas e encaradas reproduzidas no telão, quanto para os fãs. Quando o céu já estava escuro e os holofotes do palco davam aquele ar verdadeiro de show de arena, Marina já havia se livrado do seu oitentista blazer verde e ostentava um top escrito (em português!) "eu te amo" em lantejoulas. Golpe baixo, no melhor dos sentidos.

Acima de qualquer coisa, o show mostrou que Marina tem um domínio fora do comum de seu próprio repertório. O desafio de condensar uma discografia toda em um show de festival, de pouco mais de 1h30, foi tirado de letra pela galesa.

Do primeiro álbum, The Family Jewels, ela tirou a declamatória (e lindíssima) "I'm Not a Robot" e o frenético quase-hit "Oh No", ambas provocando efeito hipnotizante na plateia. Do Froot, além da música título, emendou as catárticas "Forget" e "Can't Pin me Down" (reimaginada com sintetizadores deliciosos) com um discurso em que pedia para os fãs pensarem em algo que queriam deixar para trás. Coisa de quem sabe o poder exorcizador da experiência da música ao vivo.

Até o disco menos amado de Marina, o denso Love & Fear, ganhou potência no Palco Onix. Dizendo que "há um momento certo para canções pop, e um momento certo para canções políticas", a cantora sentou ao piano para performar "Man's World" (sem Pabllo Vittar, outra cantora do dia, apesar da expectativa), e emendou a música com um discurso loucamente aplaudido em que mandava líderes como o russo Vladimir Putin e o nosso Jair Bolsonaro... bom, você pode imaginar.

Arrematando o momento, "To Be Human" levou o público a acender as lanternas dos celulares e erguê-los para o alto. Em tempos de pandemia, até as tradições mais bregas dos shows ao vivo parecem charmosas, e Marina tratou de levantar as energias logo depois com o hit latino/eletrônico "Baby" ("Algum de vocês sabe espanhol? Me ajudem aqui!"), que gerou talvez o maior coro da noite.

A potência do Electra Heart, álbum de onde saiu "Primadonna", garantiu que o cansaço não derrubasse o público. As guitarras punk voltaram na apoteótica "Bubblegum Bitch", a contagem de regras de "How to Be a Heartbreaker" (que veio bem antes daquele hit da Dua Lipa, viu?!) gerou frisson, e "Primadonna" fechou tudo com chave de ouro.

Teatral, com arranjos impactantes e charme de sobra, o show de Marina lembrou a este que vos fala, e a um público até maior do que muitos esperavam, o que é um espetáculo pop ao vivo. Fazia muito tempo. Que saudades.

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