Com show emocional e brilhante, Alessia Cara sai do Lolla com aura de headliner

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Com show emocional e brilhante, Alessia Cara sai do Lolla com aura de headliner

Cantora arrastou a multidão tanto em coros chorosos quanto em danças frenéticas

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3 min de leitura
Caio Coletti
26.03.2022, às 21H21
ATUALIZADA EM 27.03.2022, ÀS 00H26
ATUALIZADA EM 27.03.2022, ÀS 00H26

Alessia Cara deveria estar no palco principal do Lollapalooza 2022. Foi o que a cantora provou para quem quer que duvidasse ao se apresentar em outro palco, o Adidas, na noite do sábado (26), guiando um público gigantesco através de uma montanha-russa de emoções que, ainda por cima, se mostrou musicalmente impecável.

Entrando ao som da funkeada "Here", dançada em compassos marcados pela plateia, ela se apresentou ao Brasil (é a primeira vez de Cara por aqui) como uma diva neosoul de fazer o coração derreter e os quadris se soltarem. No palco, a cantora se contorcia no ritmo da batida e soltava agudos impossíveis que pareciam sair da boca do estômago - só para depois abrir um sorrisão e saudar o público com a naturalidade despojada e encantadora de uma jovem de 25 anos.

Com uma banda profundamente expressiva, que a acompanhou por subidas e descidas de ritmo sem perder um único compasso, Cara logo mostrou que, em seu show, cada música é uma catarse. A energia que explode no refrão de "Wild Things", cantada logo após um vídeo introdutório em que a cantora prega uma vida "desavergonhada, de pura alegria", é um acontecimento periódico quando ela está no palco.

Assim como o show de Marina, na sexta-feira, a apresentação de Cara não deixou de ter um componente narrativo, com as canções encaixadinhas para provocar mais frisson no público. Por exemplo: não foi por acaso que "Querer Mejor", parceria da cantora com o colombiano Juanes, veio depois de um discurso sobre como Cara ama a América Latina. Difícil condenar essa condução quase didática, porque ela não deixa de ser parte do charme de um espetáculo pop - e também porque, honestamente, ela funciona.

Cara também é mestre, no entanto, em operar uma quebra de tom. Basta olhar para como ela juntou a bossa-nova "Bluebird", entoada do seu banquinho ao lado do guitarrista, com a frenética "Lie to Me", que poderia estar tanto num disco do Backstreet Boys quanto no Sour, de Olivia Rodrigo. Não me pergunte como isso funciona, porque você precisava estar lá, mas o longo discurso melodramático (e em bom português!) de Cara antes de "Lie to Me", quando fingiu atender um telefone e gritar com o ex-namorado, certamente ajudou nessa virada.

Daí para frente, a cantora estava com o jogo ganho, mas continuou fazendo gol atrás de gol. Trazer Jão (que comandou um show disputadíssimo no início da tarde do Lolla) para cantar "You Let me Down" foi um, mas ela ainda homenageou Taylor Hawkins com a chorosa e inspiradora "Better Days", puxou coros arrepiantes ao som do cover "Fix You" (Coldplay) e de "How Far I'll Go" (Cara gravou a versão de estúdio do hit do filme Moana para a Disney), esbanjou português novamente com trechinhos de João Gilberto ("Saudade Fez um Samba") e Djavan ("Flor de Lis"), e finalizou com os hits "Scars to Your Beautiful" e "Stay"...

Enfim, Alessia Cara atropelou o público do Lollapalooza e o deixou pedindo mais. Se a organização estiver prestando atenção, uma coisa é certa: neste sábado, ela saiu do palco Adidas coroada como uma óbvia headliner do futuro.

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