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Korea
Crítica

Ditto é melodrama coreano charmoso, mas desatento aos próprios temas

História de amor e viagem no tempo aproveita pouco suas oportunidades narrativas

Omelete
3 min de leitura
30.03.2026, às 15H37.
Ditto: Conexões do Amor (Reprodução)

Créditos da imagem: Ditto: Conexões do Amor (Reprodução)

Lançado no ano de 2000, o filme sul-coreano Lembre-se de Mim se tornou um grande sucesso de bilheteria e crítica em um momento pivotal dentro do cinema do seu país. Na época, a recuperação econômica pós-crise financeira de 1997 começava a se refletir na indústria criativa, marcando um ponto de virada onde a Coreia passaria a entender melhor o valor do seu cinema, da sua TV, da sua música como estimulantes econômicos e produtos de exportação cultural. 

Tanto é assim que Ditto: Conexões do Amor, remake de Lembre-se de Mim que chega aos cinemas brasileiros mais de um quarto de século depois do original, até encontra um momentinho para brincar com essa conexão histórica. Trata-se da cena, ambientada em 1999, na qual o protagonista Kim Yong (Yeo Jin-goo, do k-drama Hotel Del Luna) leva sua nova namorada, Seo Han-sol (Kim Hye-yoon, de Adorável Corredora), ao cinema para assistir outro grande sucesso da virada do século na Coreia: Shiri - Missão Terrorista.

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A sequência rede uma piadinha de desencontro cultural, uma vez que Kim Yong está conversando via rádio amador com Kim Mo-nee (Cho Yi-hyun, de All of Us Are Dead), uma estudante de sociologia na mesma faculdade que ele – mas em 2022. Ela não conhece o filme, mas a menção do nome Shiri ativa a inteligência artificial do seu telefone. 

A premissa dos personagens em tempos diferentes que se comunicam através de alguma tecnologia é manjada. Hollywood fez algo parecido com Alta Frequência (2000), e a própria Coreia reeditou a ideia em A Casa à Beira Mar (2000, refeito em 2006 nos EUA como A Casa do Lago) e Signal (2016), só para citar alguns exemplos. Funciona porque estabelece um abismo intransponível entre personagens que, em qualquer outra narrativa do gênero, teriam uma evolução narrativa mais tradicional; e porque permite a eles que dividam perspectivas entre si sem viver sob o espectro dessa relação, seja ela romântica ou não.

A essa altura do campeonato, no entanto, é preciso um pouco mais de habilidade para levar a história das correspondências que viajam no tempo para além do chavão – e, infelizmente, a diretora e roteirista Seo Eun-young (Go Back) não parece ser a pessoa certa para o trabalho. Ditto banca tudo no charme da sua premissa, e na fofura dos seus protagonistas, bem treinados na construção leve dos personagens universitários, mas sofre com um texto terminantemente desatento às oportunidades temáticas que se apresentam diante dele.

Uma das jogadas mais legais desse remake, por exemplo, é aproveitar a passagem do tempo desde o lançamento de Lembre-se de Mim para ambientar a linha narrativa do “passado” justamente na época em que o filme original saiu. A virada do século XXI foi emblemática em uma série de aspectos, para a Coreia e para o mundo, encerrando em si a contradição entre previsões apocalípticas e otimismo futurista. Ainda não havia a noção de como a contemporaneidade estava encaminhando o planeta e a sociedade para o colapso, mas um espectro de cinismo já se insinuava pelas rachaduras.

Daí que Ditto se posiciona de forma bastante interessante para falar dos sonhos de seus personagens, empoleirados no precipício da vida adulta, diante de um cenário inteiramente ambivalente sobre os tais sonhos que eles nutrem. Mas é só isso: um posicionamento, que não evolui para lugar nenhum. As histórias de Kim Yong e Mo-nee não caminham na direção de um desengano, ou de um manifesto de sobrevivência – tudo o que Ditto consegue evocar, no fim das contas, é uma platitude sobre encontrar o amor em todos os cantos, e sobre como a sinceridade sempre nos leva a um final feliz.

Pode ser que isso seja o bastante para os fãs de melodramas sul-coreanos adolescentes que estejam procurando um bom “lustrador de cérebro” para o fim de semana. Mas há como fazer isso e ainda falar de coisas interessantes, como a própria Coreia tem provado de novo e de novo e de novo com o passar dos anos. No caso de Ditto, são chances perdidas demais para ignorar.

Nota do Crítico

Ditto: Conexões do Amor

동감

2022
114 min
País: Coreia do Sul
Direção: Seo Eun-young
Roteiro: Seo Eun-young
Elenco: Kim Hye-yoon, Bae In-hyuk, Cho Yi-hyun, Na In-woo, Yeo Jin-goo
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