Desenvolvedor de Doom diz que "o Xbox não entende nada de arte" após demissões
Programador-chefe da id Software argumenta que "agora não é possível desenvolver um jogo grande como Doom, com metade da equipe"
Créditos da imagem: Doom (2016)/Divulgação
Após John Romero, cofundador da id Software, lamentar demissões no estúdio de Doom, foi a vez de Chris Hays, programador-chefe se manifestar. O profissional quebrou o silêncio sobre os impactos da reestruturação feita pelo Xbox e atualizou a real situação da desenvolvedora.
Em entrevista recente ao podcast Well Played, o veterano, que trabalha há mais de 15 anos no estúdio e participou de títulos como Doom Eternal e Doom: The Dark Ages, falou abertamente sobre os reflexos dos cortes e afirmou que ficou “impossível desenvolver jogos AAA do mesmo porte como os trabalhos anteriores da equipe".
Segundo ele, departamentos inteiros foram “dizimados” após as demissões, com funções essenciais deixando de existir. Assim, o desenvolvedor negou que a id Software ainda tenha a mesma estrutura da época de Doom (2016): “Não somos a mesma equipe. Somos metade da mesma equipe”, afirmou.
Hays ainda criticou a postura da Xbox diante das mudanças e disse que a empresa teria passado instruções sobre o que os funcionários poderiam declarar publicamente. Para ele, as garantias de que o estúdio continuará produzindo grandes jogos não correspondem à realidade interna. O programador também questionou o modelo do Game Pass, apontando que os jogos da Bethesda chegam ao serviço no lançamento, mas a empresa ainda considera baixos os números de vendas.
Ao comentar os cortes, Hays afirmou que a Xbox “fundamentalmente” não entende de arte ou videogames: "Se você cortar metade de um estúdio e não levar em conta como ele é feito, você não entende que a coesão entre nossas equipes foi parte do que o tornou bem-sucedido", disse.
As declarações acontecem após a Xbox anunciar, em julho, uma rodada de demissão de 3200 funcionários até o fim do ano fiscal de 2027. Os desligamentos devem representar cerca de 20% da força de trabalho da empresa. Como parte da reestruturação, o Xbox também encerrou algumas participações em estúdios adquiridos anteriormente, como Double Fine e Compulsion Games. Em comunicado enviado aos funcionários, a CEO Asha Sharma classificou as mudanças como “a reestruturação mais significativa da história do Xbox”.
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