Review | Deep Dish Dungeon usa a exploração e o desconhecido para te fisgar na aventura
Seja cozinhando monstros, descobrindo novos lugares ou explorando, Deep Dish Dungeon entrega uma aventura retrô excelente
Créditos da imagem: Raw Fury
Jogos de sobrevivência, em sua grande maioria, seguem uma fórmula. O jogador fica preso em uma ilha, ou um continente, e precisa sobreviver a partir daí.
Não que todos sejam ruins, longe disso, mas muitos seguem esse formato, e convenhamos, tem horas que parece tudo muito igual. Com isso em mente, Deep Dish Dungeon, do estúdio brasileiro Behold Studios e publicado pela Raw Fury, entrega uma experiência diferente, mais cadenciada, e que vai recompensar os pacientes.
Deep Dish Dungeon é também um metroidvania, com o jogador podendo revisitar as áreas conforme avança pela masmorra, em busca de tesouros e aventuras, e muitas vezes, vai precisar retornar para os lugares para conseguir desbloquear novos caminhos.
Sem um mapa para ajudar na exploração, o título vira para o jogador e "diz" em alto e bom som nos minutos iniciais: "Se vira". Com isso, desbravar o lugar é essencial.
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E é nesse desconhecido, mal iluminado e sem uma linha guia, que o jogador precisa estar atento aos detalhes. Olhar cada canto, pegar cada galho no chão, ficar de olho para não ficar com fome, e também enfrentar alguns monstros.
Conforme você vai explorando e liberando mais áreas, as possibilidades vão ficando cada vez maiores, o que faz com que o jogador tenha o desejo de explorar, principalmente para conseguir mais ferramentas.
Com mais ferramentas, as possibilidades vão se ampliando. Seja conseguindo desbloquear a mesa de trabalho, ou descobrindo como fazer um forno, a progressão do jogo acompanha a sua sede de exploração.
É aqui que o jogo brilha. Você pode ir explorando do seu jeito, sendo mais comedido na hora de desbravar a masmorra, ou sair que nem um louco correndo pelo lugar. A questão é que algum monstro pode te pegar desprevenido.
Algo que me chamou muito a atenção conforme eu jogava, foi a ambientação. Com um estilo mais oldschool de arte, que pode parecer simplista a primeira vista, Deep Dish Dungeon usa muito bem a falta de luz e a direção de arte para te dar inquietude.
Apesar de ser um jogo que pode ser cooperativo, e render boas risadas com os amigos, Deep Dish Dungeon continua sendo uma aventura tensa. O jogador precisa ficar de olho na sua alimentação e na hidratação, o que faz com que cada saidinha para explorar a masmorra, tenha uma logística por trás. E a música, constantemente tensa, ajuda a deixar a exploração mais sombria.
Se a região possivelmente possui morcegos, por exemplo, será necessário levar o arco e flecha. E também comida, é claro. O frasco de água também não pode faltar. Gravetos também, afinal de contas, a tocha vai se esvaindo e o local é bem escuro. Quando você menos espera, sua mochila e os espaços de itens estão quase cheios, e ainda nem terminou de levar em consideração o que vai enfrentar.
O combate do jogo é bem simples, podendo desviar dos inimigos, atacar eles antes de sofrer um golpe e cancelar a animação, mas também não deixa de ter seus momentos tensos. Comigo, em um momento que estava explorando e ainda não tinha descoberto o arco e flecha, dei de cara com os morcegos voadores.
É seguro dizer que a situação não terminou bem quando do nada, surgiram os dois das sombras. Eventualmente, consegui o arco, e aí, eles deixaram de ser um problema.
A falta de iluminação do local, algo proposital para evocar essa sensação de desconhecido, de mistério, ajuda a construir a tensão ao explorar a masmorra. A cada porta, entrada ou corda pendurada em algum lugar, eu já pensava, "será que vale a pena?", e bem, na maioria das vezes vale, mas ainda assim haviam algumas surpresas.
Deep Dish Dungeon recompensa o jogador que tem calma para explorar e saborear a aventura - e até mesmo os monstros, que podem ser comidos -, enquanto descobre os segredos da masmorra. Sem um mapa, e podendo desbravar tudo conforme o seu gosto, o título tem a sua tensão, mas ao mesmo tempo, uma sensação bizarra de paz.
Mesmo que o jogo tenha essa ambientação sombria, com uma música densa e monstros prestes a te destruir, fazer as coisas simples da sua base, colher cogumelos, pegar o ratinho na ratoeira, as tarefas da parte de sobrevivência são bacanas, e ajudam a quebrar o ritmo da tensão constante da exploração.
Deep Dish Dungeon coloca os jogadores em uma aventura vintage, não só pela estética, mas também pelo próprio ritmo do jogo. A sensação de ir desbloqueando lugares, iluminando o caminho e adentrando o desconhecido são bem divertidas e sempre existe uma recompensa a cada incursão.
A única coisa que me incomodou, foi a simplicidade de alguns comandos, mas isso faz parte da estética retrô do título. A furtividade também pode ser bem simples em alguns pontos, o que pode decepcionar algumas pessoas.
Contudo, seja explorando sozinho ou com amigos, Deep Dish Dungeon entrega para o jogador uma masmorra lotada de quebra-cabeças, cheia de perigos e com recompensas para aqueles que adentrarem o desconhecido.
Com jogos cada vez mais tentando "segurar a mão do jogador" durante a exploração de cenários, a aventura do Behold Studios solta a sua mão e faz com que você quebre a cabeça para descobrir as coisas. Seja como desbloquear um ambiente novo, ou fazer uma nova receita, a aventura progride conforme o seu ritmo e não existe nada mais gostoso do que isso.
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