My Hero Academia: All's Justice é o Último Smash da série?
Deku e companhia retornam para o grande finale, mas deixam muito pelo caminho
Eu gosto tanto de animes quanto de video games, então não é de se espantar que eu entre em alerta sempre que sai um jogo de alguma obra que gosto. Com My Hero Academia: All's Justice não poderia ser diferente.
O terceiro jogo de luta da franquia, excluindo o battle royale, produzido pela Byking, chega logo após o final do anime de My Hero, aproveitando assim o embalo. Embalo esse que deixa um quê de mal aproveitamento, mesmo mostrando o final da história de Deku de um jeito diferente, isso porque o jogo parece se segurar em algumas partes enquanto faz demais em outras.
All’s Justice traz consigo uma repaginada do sistema de luta de seus antecessores. O que antes era um Arena Fighter de animes comum, mas ainda muito inventivo, agora vem com um sistema de Tag Team, onde alternar entre os três personagens selecionados a toda hora é o foco.
O fluxo do combate, com a nova mecânica, flui bem. Com a possibilidade de fazer combos automáticos, qualquer um pode pegar o controle e se divertir, mas ainda há bastante liberdade para testar combos diferentes no modo de controle manual.
Nunca há um momento de paz, e os combos podem seguir por muito tempo se o oponente não conseguir interrompê-los. Acredito que o combate, como o pilar central do gameplay, foi um acerto em cheio, pois ele serve muito bem para todos os modos de jogo, inclusive em momentos que pedem por mais de um inimigo em campo.
Modo História, Batalha Livre, Online, Team Up Missions e outros modos menores endossam quão bom é usar cada personagem nesse jogo. Não há um herói repetido, em termos de mecânicas, o que faz aprender cada um muito divertido. Até mesmo quando existem mais de uma versão de um personagem, elas se comportam de maneiras distintas.
O único problema que encontrei, falando dos combates, está nos cenários das lutas. A maioria apresenta ambientes cheios de obstáculos, e desnivelamentos, que por muitas vezes dificultam e atrapalham os poderes dos Heróis e Vilões. Outra coisa que me desagradou é que vários deles só aparecem em determinados modos de jogo, fazendo a tela de seleção das batalhas livres parecer vazia.
Já que mencionei os diferentes modos de jogo, chegou o momento de falar deles a fundo. Os dois principais são Modo História e Team Up Mission, sendo os outros derivados do segundo ou os modos versus, local e online.
O modo história funciona como uma sequência de linhas do tempo, onde cada uma segue um dos sete personagens que o jogo escolheu focar durante o arco final da história. Elas não são muito bem distribuídas, colocando alguns eventos fora de ordem, e como o jogo dá uma certa liberdade de escolha de qual fazer primeiro, essa acaba não sendo uma boa maneira de experimentar a aventura.
O que dificulta mais ainda são as cinemáticas desse modo. Há boas cenas, que são completamente animadas pela equipe do jogo, algumas pré-renderizadas, porém a maioria são frames do anime pouco animados. Sim, isso mesmo, prints de tela onde são dados zoom in e zoom out para dar algum dinamismo, mas que no final das contas têm o efeito contrário.
Por outro lado, a dificuldade é um ponto positivo da campanha. Senti que as lutas são bem balanceadas, exceto por algumas que são propositalmente mais difíceis, para seguir com o lore da série. Excluindo a última batalha, que achei um pouco punitiva demais, o resto do modo me divertiu bastante.
Já as Team Up Missions são bastante complicadas. O cerne delas é cumprir diversas tarefas dentro de uma mapa aberto de cidade. Todo o conteúdo desse modo, e seus subsequentes, não são canônicos, o que deixa tudo com tom leviano, já que as missões e suas histórias divertem, mas não deixam sua marca.
O mapa aberto não ajudou a mudar essa opinião. Sim, há várias side quests que podem ser feitas dentro de cada missão, e elas dão recompensas que ajudam a completar o objetivo principal, mas não são mandatórias. Já a movimentação pelo cenário é bem desajeitada, e varia muito do personagem que estamos controlando.
No final das contas, cada elemento desse modo o infla, em vez de completá-lo. Não achei que houvesse necessidade disso tudo, já que algumas missões são bem longas, e sem a necessidade de usar os buffs e recompensas das missões paralelas; ignorei a maioria e fui direto ao ponto.
Agora, sobre os modos que derivam das Team Up Missions: Hero’s Diary e Archives Battle. O primeiro é como um lado B das missões, onde vemos pequenas histórias dos membros da classe 1-A, cada uma separada em três atos. Mais uma vez, um modo legal, mas sem muita relevância, já que em algumas nem há muito conteúdo para se fazer, e sim mais cutscenes. Sinto que essa é uma opção que só vai agradar os maiores fãs, mas pelo menos as cutscenes são bem feitas.
As Archives Battles são uma forma que o jogo deu para revisitarmos lutas importantes dos jogos anteriores, e a única forma de liberar esse conteúdo é cumprindo certas Team Up Missions. Aqui, os mesmos pontos positivos e negativos da História se mostraram presentes, principalmente nas cenas compostas por frames do anime, infelizmente.
A falta de recompensas que todos os modos dão não ajuda a engajar quem joga. Praticamente todos os itens de customização que liberei podiam ser comprados de antemão, e os que eu realmente queria, que são certas skins presentes no modo história, aparentemente não podem ser usadas fora dele, o que me frustrou bastante.
É sempre muito difícil para mim definir um veredito para esse tipo de jogo. Games licenciados de animes e mangás sempre passam por processos árduos de produções, seja lidar com os donos dos direitos das obras, ou com um orçamento ou tempo limitado.
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Dito isso, aprecio muito o que a Byking fez por My Hero Academia ao longo dos anos. Os jogos anteriores, principalmente My Hero One’s Justice 2, mostraram o que um bom Arena Fighter podia entregar, e My Hero Academia: All's Justice continua esse legado. Com um gameplay reinventado, e bons momentos do modo história o jogo se sobressai, mas com todas as gorduras de seus outros modos, ele não chega aos status de Plus Ultra.
My Hero Academia: All's Justice
My Hero Academia: All's Justice