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Games
Crítica

Cairn desafia os limites da escalada em experiência de tirar o fôlego

Jogo indie da The Game Bakers combina aventura contemplativa com elementos de sobrevivência

Omelete
4 min de leitura
PP
29.01.2026, às 11H00.

Entreter é, sem dúvidas, uma das funções primordiais dos videogames, mas, vez ou outra, você se depara com um sentimento que vai além da simples diversão. Foi exatamente o que senti com Cairn, novo jogo de escalada da desenvolvedora independente The Game Bakers (Furi). 

Cairn
Divulgação/The Game Bakers

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Em Cairn, o estúdio francês combina uma aventura envolvente e contemplativa com elementos de sobrevivência. O resultado é uma experiência desafiadora, que testa os limites da perseverança e encanta com um visual de tirar o fôlego (literalmente, haha). 

A narrativa acompanha a jornada de Aava, uma escaladora profissional, que acaba de definir uma nova meta: atingir o cume do Monte Kami, um feito praticamente impossível e nunca alcançado no universo do jogo. Introvertida e focada, a protagonista de Cairn se destaca pela personalidade misteriosa e solitária, equilibrada por um humor irônico bem característico.

Cairn
Divulgação/The Game Bakers

A jogabilidade básica consiste em mover os braços e pernas de Aava, de forma que ela consiga se apoiar nas pequenas “fissuras” e elevações das paredes. A princípio, essa pode parecer uma tarefa fácil, mas não se engane. Algumas montanhas podem ser absurdamente lisas, o que dificulta ainda mais a missão.

Dito isso, é o próprio jogador que escolhe por onde deseja subir cada montanha. É aqui que entra também a importância de usar o mapa. Quando disponível em determinadas áreas, esse recurso permite que o jogador avalie qual é a rota mais fácil de subida. Quanto mais lisa é a parede da montanha, mais difícil será a escalada.

Curiosamente, Aava não tem uma barra de estamina específica. Um dos principais indicativos de cansaço e exaustão é nada mais nada menos que a respiração da personagem. Esse detalhe não se destaca por acaso, já que o pequeno time de desenvolvedores da Game Bakers colaborou com o designer de som Lukas Julian Lentz (Cocoon) e com o compositor e também designer de som Martin Stig Andersen, conhecido pelo trabalho em Limbo e Control, jogos com uma forte ambientação sonora. Não à toa, um dos pontos altos de Cairn é o forte contraste entre o silêncio ensurdecedor da atividade de escalada, com os sons e a respiração ofegante emitidos por Aava. 

Como se pode imaginar, as quedas são o grande pesadelo do game. Aqui, os pitões são uma ferramenta essencial. Carregados pelo amigável robôzinho companheiro de Aava, Climbot, esses utensílios ajudam a prender cordões de segurança, que evitam uma queda brusca e restauram o fôlego completamente .

Cairn
Divulgação/The Game Bakers

Felizmente, nem sempre cair é sinônimo de morte imediata. Tudo depende da altura da queda e dos outros elementos de sobrevivência do game. Isso porque além de se agarrar nas rochas, o jogador precisa controlar outros três importantes pilares: a fome, a sede e a temperatura da jovem escaladora. 

Desses três elementos, o mais importante é a fome. Aava precisa comer com certa frequência, e encontrar comida ao ar livre não é nada fácil. Por isso, é essencial vasculhar os cenários atrás de alguns petiscos ou plantas, que certamente salvarão sua vida em momentos cruciais. Por outro lado, encontrar água não é uma tarefa difícil, e o jogador consegue aproveitar as fontes de água com certa frequência. O mesmo vale para a temperatura. Basta aquecer uma bebida ou um bom macarrão instantâneo para sentir o corpo quentinho novamente.

Para além do desafio de escalada e sobrevivência, Cairn também consegue ser um jogo extremamente contemplativo. Em alguns momentos, é como jogar Death Stranding, mas sem as extensas caminhadas de Sam e o perigo avassalador das BT’s. Por sinal, o game traz uma sequência de abertura incrivelmente similar à que vemos em Death Stranding 2

Outro detalhe é que, no jogo da Game Bakers, a beleza não está num grande poderio gráfico, mas sim na arte do ilustrador francês Mathieu Bablet. Com um estilo único e cartunesco, o artista consegue equilibrar a gameplay desafiadora de Cairn com um visual que é encantador e, muitas vezes, recompensador. Afinal, nada melhor do que admirar uma bela vista depois de uma árdua escalada. 

Em termos de desempenho, não houve tantos problemas no PlayStation 5. Contudo, em mais de 15 horas de gameplay, me deparei com alguns bugs em que Aava ficava presa em algumas das rochas, o que causou quedas e frustrações desnecessárias. Importante ressaltar, também, que o game chega com legendas em português brasileiro e três níveis de dificuldade: um modo focado na história, outro em uma escalada equilibrada e um modo extremamente difícil, com morte permanente, para aqueles que desejam uma jornada ainda mais realista. 

No geral, Cairn chega como uma experiência difícil e contemplativa, que combina o intenso esporte de escalada com uma narrativa misteriosa e cativante. No game, cada movimento é como um verdadeiro puzzle, e a paciência uma virtude que precisa ser colocada em prática.

Nota do Crítico

Cairn

Cairn

29.01.2026
Esporte, Aventura
Desenvolvedora: The Game Bakers
Publicadora: The Game Bakers
Classificação: 14 anos
Plataformas: PlayStation 5 , PC
Testado em: PlayStation 5

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