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Crítica

Fatal Frame II: Remake reforça posto de um dos mais aterrorizantes da história

O clássico do terror se mantém fiel mas ainda exige paciência

Omelete
6 min de leitura
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28.04.2026, às 16H52.

É inegável que estamos vivendo uma nova era de ouro dos terror nos videogames. Recentemente, fomos agraciados com títulos notáveis, como Alan Wake 2, que expande ainda mais o universo da Remedy, e o promissor Silent Hill f, que busca inspiração no folclore japonês, explorando um cenário inédito para a franquia. Além disso, a Bloober Team levou o gênero para o espaço em Cronos: The New Dawn, sem esquecer o aguardado retorno da icônica franquia Resident Evil.

Fatal Frame 2 Remake
Divulgação/Koei Tecmo

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Embora nunca tenha alcançado sucesso comercial expressivo ou grande adesão do público, a série Fatal Frame deixou sua marca naqueles que a jogaram na época do PlayStation 2, mesmo com poucos títulos. Constantemente citada entre os jogos mais assustadores, ela conquistou um status cult após duas décadas de seu lançamento.

Atendendo aos pedidos incessantes de fãs e jogadores que nunca tiveram a oportunidade de experimentar um dos títulos, a franquia finalmente está de volta. Fomos presenteados com um novo remake do segundo jogo, Fatal Frame II: Crimson Butterfly, o jogo mais conhecido e memorável da franquia, desta vez sob o desenvolvimento da Team Ninja. Vale ressaltar que este é o segundo remake do título, sendo o primeiro lançado para Wii em 2012.

A trama do segundo jogo foca nas irmãs Mio e Mayu, que retornam a uma floresta que brincavam na infância. A história toma um rumo sombrio quando Mayu, atraída por uma borboleta carmesim, se afasta de Mio. Após se aventurar floresta adentro e ter se deparar com visões assombrosas, Mio reencontra a irmã perto da entrada de uma antiga vila que sumiu há anos. Misteriosamente, o caminho de volta desaparece, forçando as duas a explorar a assombrada vila.

O local em questão é a Vila Minakami, cercado de lendas que narram o aprisionamento daqueles que se perdem em seus arredores. Rapidamente, as personagens se dão conta que não estão mais sozinhas com a presença de fantasmas do passado, presos a um misterioso ritual ligado à história da vila. Para tornar a situação ainda mais desesperadora, a noite em Minakami nunca acaba.

Com essa premissa básica, toda a história do jogo se desenrola na vila. Embora a localização possa parecer restrita inicialmente, este remake expandiu a experiência com novas áreas e conteúdo adicional, aprofundando a exploração para a felicidade dos fãs de longa data. Seguindo o formato clássico dos survival horrors, o jogador deve vasculhar a vila inteira, solucionando puzzles para desbloquear novos caminhos e obter melhorias. O objetivo final é desvendar o mistério que cerca o local e, finalmente, escapar.

Fatal Frame 2 Remake
Divulgação/Koei Tecmo

Ao contrário da versão anterior, este novo remake é uma reconstrução completa feita do zero, não somente um update gráfico ou uma remasterização. O jogo foi desenvolvido com o motor gráfico Katana Engine, o mesmo utilizado em jogos como Nioh 3 e Pokémon Pokopia. A principal mudança é a substituição da tradicional câmera fixa, que definia a experiência dos títulos clássicos, por uma visão moderna em terceira pessoa sobre o ombro do protagonista, seguindo a tendência dos jogos modernos do mesmo gênero.

Embora a mudança de perspectiva possa gerar questionamentos, ela foi executada com maestria: se antes a tensão vinha da expectativa do que aguardava no próximo corredor, agora a sensação predominante é de claustrofobia, pois mesmo que o jogador tenha um maior controle sobre o que ele consegue ver, ele ainda vai encarar perseguições em espaços confinados, como corredores estreitos e salas apertadas.

A direção artística é um problema frequente em remakes, como visto em casos como Demon's Souls, onde a visão artística original foi sacrificada em nome de um visual moderno, algo que não agradou a maioria dos fãs. No entanto, neste caso, os desenvolvedores alcançaram um excelente equilíbrio: conseguiram atualizar os gráficos, mantendo-se fiéis ao estilo do jogo original de PlayStation 2 com ambientes escuros e sinistros. Mesmo os fãs mais puristas devem reconhecer que a atmosfera dos jogos originais permanece presente neste remake.

Fatal Frame 2 Remake
Divulgação/Koei Tecmo

Os gráficos do jogo agora são mais realistas e bem trabalhados; as protagonistas ainda mantêm a estética inspirada em animes mas se afastando do visual de bonecas de porcelana do jogo original, com detalhes que permitem expressar mais sentimentos e emoções, contribuindo para todo o clima e narrativo do jogo. Isso pode ser muito pessoal, mas não sou muito fã das texturas dos jogos da Koei. Aqui, entretanto, elas acabam contribuindo muito para todo o visual granulado quando utilizamos a Camera Obscura.

Por falar nela, a Camera Obscura é o grande diferencial de Fatal Frame no universo do terror. Ao contrário de outras franquias, o jogador não utiliza armas para derrotar ameaças físicas, mas somente essa câmera especial para fotografar e, assim, repelir os fantasmas. Isso intensifica cada confronto com as assombrações: afinal, para afastar as aparições e causar dano, é preciso enquadrar e focar corretamente os inimigos na moldura da foto para acertar os pontos que surgem no visor.

Isso pode surpreender jogadores novatos, já que muitos confrontos não se tratam apenas de derrotar inimigos: além dos fantasmas poderem atravessar paredes ou se teleportar, nem sempre é necessário eliminá-los. Além disso, outra mecânica importante é o Willpower, um novo recurso que, junto com a vida de Mio, precisa ser gerenciado, funcionando como uma stamina para ações essenciais em combate — correr, usar recursos especiais da Camera Obscura, esquivar-se ou escapar de ataques inimigos.

Fatal Frame 2 Remake
Divulgação/Koei Tecmo

Se for pego por um inimigo estando sem Willpower, o personagem é derrubado e se torna vulnerável a mais ataques. Durante o combate, esse recurso se regenera de forma lenta, mas também pode ser restaurado com o uso de itens — que, por sinal, são uma das muitas melhorias deste remake, já que é possível usá-los durante a luta, sem a necessidade de abrir menus para isso.

A cadência do combate é lenta, com cada confronto se arrastando e tornando preferível evitar, lutando apenas quando estritamente necessário. A mecânica de fotografia segue o mesmo ritmo, exigindo tempo de espera para que o filme da câmera esteja pronto. No entanto, o remake introduz filtros especiais que podem ser aplicados às fotos para atordoar ou cegar temporariamente os inimigos, oferecendo novas estratégias de sobrevivência.

Apesar do incrível trabalho que a Team Ninja fez para agradar a nova geração de jogadores, o título se assemelha muito mais aos clássicos jogos de survival horror do que aos lançamentos mais recentes como Resident Evil Requiem. Isso se mostra na necessidade de gerenciar recursos limitados, no risco de game over a qualquer deslize e na constante exploração e retorno a áreas já visitadas que podem causar uma impressão de uma jogabilidade truncada.

A narrativa da história é abordada de maneira sutil, não sendo explícita, mas sim transmitida através de pequenas notas, sussurros na escuridão ou visões de assombrações que revelam os eventos passados da vila. Para além do combate, a câmera se torna uma ferramenta essencial para buscar pistas e desvendar os segredos ocultos da vila.

Fatal Frame 2 Remake
Divulgação/Koei Tecmo

O laço entre as duas irmãs é um ponto central e ainda mais aprofundado nesta nova versão. Uma mecânica simples de segurar as mãos, que permite que permaneçam juntas e recuperem vida e Willpower com o risco de expor Mayu ao perigo e limitando ações, reforça essa conexão, que também é expressa por meio dos modelos mais detalhados e elaborados das personagens.

Tudo isso culmina em uma grande obra de horror folclórico, no qual a ambientação toma o palco principal deste jogo. Cada casa que você explora é carregada de superstições, cada passo te faz questionar se deve continuar e nem todas oportunidades devem ser aproveitadas. O remake se estabelece como uma porta de entrada perfeita para todos aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de vivenciar e explorar esta franquia histórica, principalmente para os fãs de terror japonês.

Nota do Crítico

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