Clássico com Jeremy A. White na Reserva Imovision

Icone Fechar
Games
Crítica

Minos mostra como é ser o Minotauro de seu próprio labirinto

Título da Devolver mostra potencial em puzzles e profundidade de gameplay, mas decepciona no ritmo

Omelete
5 min de leitura
MH
27.04.2026, às 18H38.

Em uma época onde todos os jogos buscam ter muitos estímulos sensoriais — sempre acontecendo algo, números subindo, multiplicadores acumulando, combos infinitos e flashes na tela — Minos vai na contramão e aposta na paciência, observação e um planejamento frio e calculista.

Minos
Divulgação/Devolver

Omelete Recomenda

Em Minos, você é Astério e está preso em um grande labirinto cheio de guerreiros que querem te matar. Para evitar isso, você precisa montar armadilhas, construir caminhos pelos labirintos que levem a elas, e ainda usar suas habilidades para não morrer.

Toda a história gira em torno de Astério, que busca entender por que ele está preso ali, e por que todos querem matá-lo. No início da sua jornada você é guiado por Dédalo, ele te explica partes da sua história e do labirinto, mas tudo é muito etéreo.

A gameplay consiste em avançar por Profundidades, que podem ser consideradas como os andares do grande labirinto. Em cada uma, você pode ter de 1 a 4 opções de labirintos para jogar e avançar à próxima. Nessas opções encontram-se diversas estruturas de labirintos com modificadores de mecânica, diferentes tamanhos, volume de inimigos e dificuldades.

Sempre que se avança uma Profundidade, você chega no acampamento — uma espécie de base onde você pode fazer melhorias nos atributos, recursos, dispositivos, habilidades e na mecânica travessia.

A mecânica geral é simples: você precisa chegar na última Profundidade e resolver o enigma do último labirinto. Caso morra nesse processo, você volta para a Profundidade 1 e recomeça tudo novamente, levando com você apenas o progresso feito no acampamento.

Dentre os modelos de labirintos disponíveis existe uma opção que é um puzzle. Neles há armadilhas limitadas e os espaços exatos para colocar cada uma — para mim são os labirintos mais legais e que mais forçam a você aprender de forma autodidata as várias mecânicas que o jogo te oferece.

Minos
Divulgação/Devolver

Na primeira vez que entrei em uma sala dessa, sofri por mais de 1 hora até desvendar uma interação entre as armadilhas e as paredes do labirinto. Aqui é onde o jogo mostra todo seu potencial e, para mim, onde o jogo deveria apostar todo seus esforços.

Infelizmente, o jogo te entrega novidades a conta-gotas, fiquei sempre esperando o grande plot, a grande mudança, o grande twist da gameplay. Quando atingi pela primeira vez a Profundidade 4 foi quando achei que o jogo mudaria seu ritmo, pois é o momento em que Astério se transforma no Minotauro. Mas basicamente nada mudou, a gameplay seguiu fria e calculista.

O jogo possui um volume grande de conteúdo, existem muitos inimigos, cada um tem sua função, força e fraqueza. Há adversários com mais vida, alguns com resistência a certas armadilhas, os que não ativam placas de pressão e muitas outras variações. Para responder a tudo isso, existem várias armadilhas: de fogo, veneno, flechas, serras e por aí vai.

Minos
Divulgação/Devolver

É possível criar inúmeras combinações que podem te levar a um dano massivo em área ou você pode encurralar individualmente cada inimigo e matar com uma armadilha de dano individual, ainda assim, sinto que você sempre acaba montando o mesmo set-up, jogando sempre na sua zona de conforto. Independente do formato, tamanho e modificador do labirinto, sempre monto a mesma estrutura para zerar todas as profundidades.

Também vale citar que achei o jogo bem punitivo com suas escolhas passadas: nas primeiras tentativas escolhi armadilhas que, em determinado ponto, não eram efetivas contra os inimigos que apareciam e isso “causava” minha morte, fazendo eu reiniciar tudo e me preparar melhor para o que viria.

De certa forma, isso me forçava a mudar meu set-up padrão e otimizar ele pra todo tipo de inimigo que viesse, e em determinado ponto do jogo achei o set-up perfeito, nada complexo, tortuoso ou que dependesse de sorte para construir, então assim cheguei numa fórmula simples e muito efetiva que me levou até o fim do jogo. Sentia vontade de explorar novas vertentes, mas por ter tantas opções e desdobramentos, que a vontade de me arriscar não me dava a sensação de recompensa ao tentar, até porque normalmente dava errado.

Minos
Divulgação/Devolver

Diferente de toda mitologia Grega sobre o Minotauro no labirinto, a história de Minos não é o chamariz do jogo — por sinal fica em segundo ou até terceiro plano. A história se concentra mais em narrar a inquietude dentro de Astério em entender o porquê dele estar aqui, por que ele comete essas atrocidades e o que são os labirintos que o cercam. 

Além de Dédalo, existe uma “Voz Desconhecida” que durante toda sua trajetória fica te instigando, provocando e incitando ideias que para você não fazem sentido. Só pro final do jogo você entende o todo, e infelizmente é ali que você lembra que existe uma história sendo contada dentro de uma grande gameplay complexa e desafiadora.

A sensação de ser o temido Minotauro no labirinto é incrível. Fazer as armadilhas da forma meticulosa e estratégica são satisfatórias, ainda mais quando você vê todos inimigos morrendo para suas artimanhas, mas a forma que o jogo não recompensa a criatividade poda toda a vontade de explorar vertentes que se pode fazer.

Minos
Divulgação/Devolver

Talvez eu não tenha a mente mais geniosa e por isso não era recompensado com ideias grandiosas (pelo menos na minha cabeça). Minos tem uma mina de ouro recheada nas fases de puzzle, onde toda a estrutura está montada e cabe a você desvendar a solução — por sinal, a última fase te força a gastar alguns bons neurônios até ser resolvida. É um jogo onde toda decisão tem que ser bem pensada; cada energia gasta por Astério durante uma horda tem que ser bem calculada para que isso não estrague toda sua run. Uma parede não quebrada e já era.

O objetivo do jogo pode ser defender o labirinto, mas é impossível defender o labirinto de si mesmo. Com uma jogabilidade lenta e desafiadora até certo ponto, Minos me decepcionou pelo potencial desperdiçado, uma proposta que me encantou pelos trailers, mas seu charme foi quebrado rapidamente após perceber que bastava apenas uma fórmula simples para resolver tudo.

Nota do Crítico

Minos

Minos

09.04.2026
Roguelike, Defesa de Torres
Desenvolvedora: Artificer
Publicadora: Devolver
Classificação: 10 anos
Plataformas: PC
Testado em: PC

Comentários (0)

Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.

Sucesso

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a nossa Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.