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Por que Resident Evil representa um novo tipo de adaptação de games para o cinema

Focando nas mecânicas do jogo e na sensação de jogá-lo, filme de Zach Cregger mostra um novo caminho para trazer os mundos virtuais para a telona

Omelete
4 min de leitura
01.10.2026, às 11H50.
Resident Evil Filme vs. Jogo

Créditos da imagem: Capcom/Sony Pictures

Meu crítico favorito de videogames, Tim Rogers do ActionButton, uma vez explicou a diferença entre esse meio e o cinema melhor do que ninguém. Ele disse, essencialmente, que os melhores jogos são feitos dos momentos que filmes cortam.

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Os exemplos dele são úteis: o que faz Shadow of the Colossus tão memorável é mais a aventura de escalar, lentamente, um gigante, do que enfiar a espada no ponto fraco dele. Em Gears of War, o que te prende com olhos arregalados não é só o tiroteio, mas sim a respiração presa enquanto nos escondemos atrás de uma cobertura e aguardamos o momento perfeito para levantar a arma e atirar.

Eu poderia adicionar muitos outros. A descoberta de um item valioso fora da rota principal em Bloodborne. Se arrastar lentamente sem que os inimigos te vejam em Metal Gear Solid. Absolutamente tudo em The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

Em Resident Evil, pra mim, os melhores momentos incluem a euforia de encontrar uma arma valiosa, o alívio de descobrir a sala segura, o desespero de precisar navegar por um corredor de zumbis enquanto na minha mão há apenas duas balas. Claro, eu adoro ver um monstrengo explodindo, mas isso só tem valor por conta de tudo que é construído antes.

Resident Evil, de Zach Cregger, é o primeiro filme de videogames que foca nessas coisas. Claro, eu adoro a história de Leon e Claire, mas um filme que conta aquela história seria apenas uma versão inferior de uma narrativa bem-executada num videogame (e, na verdade, isso já existe: Bem-Vindo a Raccoon City). O que Cregger fez é um filme que se comporta como o gameplay de Resident Evil, e pra mim isso é bem mais impressionante. Tanto na câmera em primeira pessoa na hora de atirar quanto na ansiedade de procurar munição, seja na decisão de apenas fugir de um inimigo ou na estrutura de fases (terminando, claro, num laboratório), o filme leva para a tela os momentos que outros longas de Resident Evil, como de costume, cortaram. Mas são esses momentos que tornam o jogo essencial, único e duradouro.

Conforme Hollywood caminha em direção às adaptações de videogame, tem sido curioso ver como eles abordam isso. Pra mim, a melhor é Fallout, não só por reproduzir a estética e mitologia daquele mundo, mas por trazer para a série a sensação de jogar Fallout: os encontros aleatórios, o ir-e-vir aos mesmos lugares, a certeza de que ainda há muito para descobrir, o humor radioativo. Nenhum filme de Resident Evil, nem os surtos de Paul WS Anderson nem o fiel, mas fraco, longa que tentou um copia-e-cola, me trouxeram a sensação de jogar Resident Evil. Esse trouxe.

Isso mostra que não é só uma questão de fidelidade visual. Os filmes de Mario parecem com os jogos de Mario, mas não tem nada a ver com a sensação de pura alegria que é jogar Mario. Eles são máquinas de piadas que não param quietas um segundo. Eles cortam os momentos que tornam Mario lendário: as múltiplas tentativas para conseguir aquele pulo difícil, a descoberta de uma fase secreta, e assim vai.

Eu acho que esse filme de Resident Evil tem problemas. Cregger falou que cortou as piadas, e acho que podia ter cortado ainda mais, porque você acaba virando refém do quão engraçada elas são e eu diria que o resultado é 70%, o que significa que ainda tem 30% de piadas das quais você não ri. Tudo bem, não fere muito o filme, e eu também entendo a razão do humor aqui.

Se a ideia é recriar o sentimento de jogar Resident Evil, Cregger faz de Austin Abrams o jogador incompetente. Seu riso nervoso é o de quem ainda está dominando as mecânicas. Como se você entregasse o controle pra uma pessoa que nunca sequer tocou nessa franquia e ficasse rindo da dificuldade básica dela em fazer algo que você, o veterano, nem lembra ter sido difícil. É uma baita ideia, e uma que oferece um caminho mais interessante, ousado e valioso para a missão de trazer esses mundos interativos para a telona.

Vão sair muitos filmes de videogames nos próximos anos. A maioria vai se apoiar em referências, fanservice e easter eggs. Alguns vão só adaptar uma narrativa da maneira mais tradicional e focar em fazer isso bem. Vão sair coisas boas de todo o jeito. Poucos, eu acho, serão fascinantes como esse.

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