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No Oscar e além, O Agente Secreto aponta para um cinema nacional consistente

2025 foi o ano de mostrar que esse novo cinema brasileiro não é fogo de palha

Omelete
3 min de leitura
15.03.2026, às 23H06.
Wagner Moura em O Agente Secreto (Reprodução)

Créditos da imagem: Wagner Moura em O Agente Secreto (Reprodução)

No ano passado, quando Ainda Estou Aqui trouxe o Oscar inédito de Melhor Filme Internacional para o Brasil, não foi tão difícil diagnosticar o que isso significava: uma conquista sem precedentes, que denotava um momento sem precedentes para o cinema nacional. Como eu disse aqui neste mesmo site, acabava ali o momento de retomada, de recuperação – agora, estávamos acima de onde jamais estivemos, e precisávamos olhar para o que havia pela frente.

Bom, eis aqui o que havia pela frente: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que acumulou prêmios pelo mundo durante o ano de 2025, levou quase 2.5 milhões de brasileiros aos cinemas, e agora - apesar de não ter vencido a estatueta de Melhor Filme Internacional - foi um dos nomes de destaque do Oscar 2026.

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Chegar à lista de indicados de Melhor Filme Internacional da Academia duas vezes seguidas é raridade - de fato, somente nações europeias alcançaram o feito antes. Que tenhamos conquistado essa marca aponta para uma consistência que, até então, não existia na produção audiovisual do país. É o nascimento de um cinema nacional que, além de excelente (o que sempre foi), também pode ser chamado de possante, seguro, capaz de penetrar em cenários globais e atrair a massa do público local para os cinemas com consistência.

Acima de tudo, essa reincidência no Oscar aponta para um Brasil protagonista, e não convidado. Não se engane: no prêmio da Academia, apesar de todo o verniz de prestígio e rigor que a instituição gosta de projetar, estar no topo da mente é tão importante quanto fazer um bom filme. O Agente Secreto chegou onde chegou porque Ainda Estou Aqui colocou o Brasil na contenda, nos apresentou como via de premiação válida, e o destaque de O Agente Secreto na cerimônia garante que vamos continuar nela.

E não é assim que funciona, também, nas bilheterias? 2024 foi ano estandarte para o cinema brasileiro nesse sentido, com quatro filmes quebrando a marca de 1 milhão de espectadores (Ainda Estou Aqui, O Auto da Compadecida 2, Os Farofeiros 2 e Nosso Lar 2: Os Mensageiros), enquanto 2025 viu O Agente Secreto dividir esse marco "apenas" com Chico Bento e Goiabeira Maraviosa. Ainda não é um esfriamento, mas aponta para a necessidade de continuar investindo, e lembrando ao público que ele gosta de ver filme nacional na tela grande.

Para que isso aconteça, é importante também insistir em histórias relevantes e carismáticas, que combinem o lembrete histórico operado por Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto com a humanidade latente que artistas como Walter Salles e Kleber Mendonça Filho são capazes de trazer – cada um ao seu modo – aos seus filmes. É um caminho que, com a dobradinha histórica do Brasil no Oscar, está mais do que pavimentado. Resta pisar no acelerador.

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