Ryan Reynolds como Guy, protagonista do filme Free Guy: Assumindo o Controle

Créditos da imagem: Disney/Divulgação

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Free Guy traz Disney usando maiores franquias para mostrar seu poder

Mais do que fan service, surpresas do filme são atestado de força comercial da Casa do Mickey

Eduardo Pereira
20.08.2021
11h00

[O texto abaixo traz spoilers de Free Guy: Assumindo o Controle]

Originalmente um lançamento da 20th Century Fox, Free Guy: Assumindo o Controle chega aos cinemas como a mais nova estreia da 20th Century Studios, nome do lendário estúdio agora que ele pertence à The Walt Disney Company. Só que essa não foi a única mudança que a Casa do Mickey trouxe à mais nova comédia de ação de Ryan Reynolds. Uma boa dose de easter eggs surpreendentes e divertidos, exclusivos às maiores franquias da empresa, dão as caras no terceiro ato do filme. Tratou-se de uma mudança de (quase) última hora que surgiu da fusão entre a aquisição, a criatividade e ousadia do astro canadense e do diretor Shawn Levy, e a flagrante vontade da Disney de dar a uma herança de outro selo uma identidade mais "de casa".

Quando está perto de conseguir expor o mau caratismo do desenvolvedor de jogos Antwan (Taika Waititi), Guy (Reynolds) é confrontado por uma versão mais musculosa (e inacabada) dele mesmo: Dude. Enquanto apanha mais do que qualquer ser humano aguentaria, o personagem de videogame recorre aos óculos que usa, ferramenta que guarda todos os acessórios disponíveis no game Free City, para acessar um arsenal repleto de referências. De lá, ele tira o canhão sônico Mega Buster, de Mega-Man, um dos machados do game Fortnite, a arma de gravidade de Half-Life 2, bem como a arma de portais de Portal. O mais legal, entretanto, vem do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) e de Star Wars, com o punho do Incrível Hulk, o escudo do Capitão América e o sabre de luz de Anakin Skywalker.

"Nós tivemos essa ideia assim que a Disney comprou a Fox. Ryan e eu pensamos 'como podemos tirar vantagem disso?', e então pensamos em colocar algo da Marvel ou da Lucasfilm na produção. Logo, escrevemos uma carta para Bob Iger, Kevin Feige e Kathleen Kennedy. E a carta basicamente dizia: 'Caros senhores e senhora, vocês possivelmente considerariam nos permitir o uso do escudo do Capitão América, ou dos punhos do Hulk, ou de um sabre de luz? Humildemente, Ryan Reynolds e Shawn Levy'. Para a nossa surpresa, eles responderam que sim. Nós retrucamos: 'Para qual?', e eles disseram: 'Todos'", lembrou Levy em papo com o Collider.

Vídeo promocional de Free Guy apresenta o visual de Ryan Reynolds como Dude.

Só que, não contentes em se valer de alguns dos adereços mais badalados do cinema atual, Reynolds e Levy ainda bolaram uma forma de ter um gostinho ainda maior do MCU em Free Guy. "Chris Evans estava gravando Em Defesa de Jacob em Boston, então Ryan logo pensou: 'Espera. Chris Evans está em Boston'. Ele ligou para Chris e disse: 'Se tivermos uma câmera montada só esperando por você, você pode vir e filmar por 10 minutos só para que façamos uma piada no filme?', e Chris disse que sim. E foi assim que fizemos: tínhamos uma câmera esperando em um restaurante, ele chegou e nós filmamos uma piada", adicionou Levy.

Com esses poucos minutos de fan service em Free Guy, a Disney não só se mostra mais flexível quanto às possibilidades narrativas que a convergência de tantas propriedades icônicas sob uma mesma companhia pode oferecer, como também manda um recado sobre a força e influência crescentes que detém hoje no cenário do entretenimento. Quando foi adquirido pela Casa do Mickey, o filme já estava em produção, sendo ativamente readaptado pelo novo estúdio para ser o carro-chefe das produções "compartilhadas" entre ele a finada Fox.

Assim, mais que uma história original (que se encaminha para ser o nascimento de mais uma franquia original), Free Guy: Assumindo o Controle é um documento e uma mostra do poderio comercial que a Casa do Mickey detém após a sinergia de US$71 bilhões com a 21st Century Fox. Uma guinada que, por bem ou por mal, está só começando a ser plenamente exploradas nas telonas. Deadpool e Korg que o digam.

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