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Era Uma Vez em... Hollywood: vale a pena ver o novo filme de Quentin Tarantino?

Com Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie, cineasta entrega filme divertido e maduro ao refletir sobre seu amor pelo cinema

Natália Bridi
15.08.2019
12h00
Atualizada em
16.08.2019
09h40
Atualizada em 16.08.2019 às 09h40

Com Cães de Aluguel (1992) Quentin Tarantino estabeleceu a própria marca cinematográfica. Ao mesmo em que empregava a sua assinatura, tornando-se um “cineasta autor”, a cultura pop acompanhava cada enquadramento e diálogo do seu filme, tornando-o um caso raro que é aceito pela crítica e adorado pelo público. 

Passados 27 anos do seu primeiro reconhecimento, o diretor/roteirista chega agora ao seu nono filme. Vendido como a sua carta aberta de amor pelo cinema, Era Uma Vez em... Hollywood é muito mais do que isso. Fruto de uma obra calculada, essa é a empreitada de Tarantino pela metalinguagem, uma oportunidade de falar sobre cinema fazendo cinema. O que o cineasta faz em um momento conturbado da história do seu ofício:  o verão de 1969, quando a Família Manson proclamou o fim do movimento “paz e amor” com uma série de assassinatos pela cidade de Los Angeles.

A escolha não foi por acaso e cria um cenário perfeito para que, pela primeira vez, o diretor estabeleça um espaço de diálogo com o público, com mais subtexto e menos verborragia. Na tela Tarantino contrasta a idealização hollywoodiana com toques de realidade, questionando e, ao mesmo tempo, exaltando a visão fantasiosa da vida criada pelo cinema. Isso é visível nos personagens de Leonardo DiCaprio (o ator frustrado Rick Dalton), Brad Pitt (dublê Cliff Booth) e Margot Robbie (que vive a atriz Sharon Tate), em que Tarantino mostra suas versões idealizadas - o herói de ação, o parceiro fiel, a musa - para logo depois estabelecer suas “falhas” - a insegurança, o passado violento, os detalhes que a tornam humana. 

Mesmo a briga entre o cineasta e a filha de Bruce Lee, que não gostou do retrato do pai no longa, é um exemplo dessa dinâmica. Questionado, Tarantino disse que a situação apresentada era baseada em fatos, para logo depois argumentar que se tratava de uma representação fictícia. Em Era Uma Vez em... Hollywood essa relação é constante, como se buscasse explicar por que não cabe ao cinema ser uma representação fiel da realidade. É a fantasia, a idealização, que cria as histórias e os mitos, como o próprio Lee, que ajudam o público a lidar com as dificuldades das suas vidas. 

Em meio a essas reflexões, Tarantino divaga. Não é um filme que se amarra perfeitamente ao final como tantos outros da sua carreira. Com estilos que se misturam sem necessariamente conversar entre si e mudanças de tom, o resultado é bem desconjuntado, tornando esse um caso de ame ou odeie na filmografia do cineasta (quando estreou em Cannes o filme foi massacrado por muitos críticos, recebendo palavras mais brandas na sua estreia nos EUA e mostrando força nas bilheterias). 

Trata-se de um filme cujo significado é construído com o público, o que exige certa disposição. Ao mesmo tempo que cria essa conversa sobre cinema, Tarantino dá espaço para que as atuações de DiCaprio, Pitt e Robbie sejam o grande destaque, o que torna o longa hilário e também melancólico pela forma como os personagens são construídos.

No Veredito acima falamos mais sobre Era Uma Vez em... Hollywood para você decidir se vale ou não ir ao cinema ver o novo filme de Quentin Tarantino.