Mestres do Universo | Filme do He-Man é sem-vergonha - no melhor dos sentidos!
Adaptação dirigida por Travis Knight deve agradar fãs de He-Man
Créditos da imagem: Amazon MGM Studios
Em 2000, Bryan Singer decidiu que os X-Men não poderiam aparecer no cinema usando seus uniformes coloridos. O resultado foram roupas de couro que pareciam saídas de Matrix. Mais de duas décadas depois, Hollywood finalmente fez as pazes com o cafona. Hoje temos Wolverine vestindo amarelo, Superman usando a cueca por cima da calça e He-Man entrando em batalha contra o Esqueleto usando sua clássica sunga de pelos.
Essa nostalgia sem vergonha de ser oitentista é um dos grandes trunfos de Mestres do Universo (Masters of the Universe, 2026). O longa não tenta reinventar seu protagonista, não tenta modernizá-la e nem tenta desconstruí-lo ou pedir desculpas por ele existir. Pelo contrário: abraça o exagero, os monstros exagerados e a fantasia de espada e feitiçaria dos anos 1980, com um tigre verde que fala e tudo.
Dirigido por Travis Knight, CEO da Laika e diretor da ótima animação Kubo e as Cordas Mágicas e de Bumblebee, o filme entende perfeitamente o material que tem em mãos e sabe quando celebrar sua mitologia e quando brincar com ela.
Aliás, as piadas com o universo do desenho e dos bonequinhos da Mattel se amontoam na tela, tal qual o número de corpos de soldados do Rei Randor e também do Esqueleto. Afinal, as lutas são tão importantes para este longa-metragem quanto o humor.
O equilíbrio entre ação e humor não acontece por acaso. O roteiro reúne veteranos da animação, da comédia e dos blockbusters modernos, resultando em um filme que sabe rir de si mesmo - até quando está transformando seus personagens em fonte de risada.
Knight filma as batalhas como se estivesse reproduzindo suas brincadeiras de criança no chão do seu quarto. Há duelos complexos e muito bem coreografados em longos corredores. Vemos personagens poderosos e muito bem armados dos dois lados das batalhas. E ainda naves atirando, iluminando os céus de Etérnia mais do que fogos de artifício no Réveillon de Copacabana. Tudo é grande, colorido e deliberadamente exagerado.
Deixando de lado seus papéis dos romances água-com-açúcar, Nicholas Galitzine entende que Adam precisa ser mais do que um armário musculoso. Como o civil, ele traz insegurança e humor suficientes para tornar sua transformação no herói He-Man seja genuinamente arrepiante e épica. Já Camila Mendes entrega uma Teela carismática, destemida e determinada, funcionando tanto como parceira de ação quanto como um interesse romântico que o filme tem a inteligência de deixar apenas nas reticências.
Porém, nem tudo funciona à perfeição. Com 2h22 de duração, o filme frequentemente parece incapaz de encerrar suas próprias cenas. Na sua ansiedade de ser engraçado e movimentado o tempo todo, Knight às vezes recorre a cortes bruscos demais, prejudicando o ritmo de algumas cenas. Além disso, algumas sequências se estendem além do necessário. A batalha aérea, por exemplo, parece estar ali só para vender brinquedo, pois nada acrescenta à trama.
Uma montagem mais precisa poderia salvar uns bons 20 a 30 minutos da vida do espectador. E ainda geraria uma economia em efeitos visuais que poderia ter sido utilizada para termos mais momentos do Pacato/Gato Guerreiro, ou mais vilões coadjuvantes além do ótimo Mandíbula.
Mas entre esses tropeços estão vários feitos lúdicos, e através deles, Mestres do Universo se salva. A trilha sonora que não cansa de dar piscadelas para os fãs e uma insistência cômica da câmera em enquadrar Mendes por trás, uma brincadeira que a atriz claramente gostou de fazer. Assim vai. O longa da Amazon/MGM leva os fãs de volta a Etérnia sem medo de mexer no passado e ainda deixa nas cenas pós-créditos esperança de uma expansão iminente. Afinal, Travis Knight parece ter entendido algo que Hollywood levou décadas para aceitar: He-Man funciona melhor quando não pede desculpas por ser He-Man.
Mestres do Universo
Masters of the Universe
Excluir comentário
Confirmar a exclusão do comentário?
Comentários (0)
Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.
Faça login no Omelete e participe dos comentários