Bumblebee

Créditos da imagem: Bumblebee/Divulgação

Filmes

Crítica

Bumblebee

Derivado tenta resgatar o espírito do primeiro Transformers mas nunca vai além da sensação de dejá vu

Marcelo Hessel
26.12.2018
19h48
Atualizada em
03.01.2019
12h30
Atualizada em 03.01.2019 às 12h30

Nas animações em stop-motion do estúdio Laika, o diretor Travis Knight fez seu nome e pôde exercitar - na meticulosidade que o meio exige - seus primeiros passos de composição de quadro, de movimento em cena. Ao assumir Bumblebee, o primeiro filme derivado de Transformers, Knight carrega consigo esse cuidado, com o intuito de devolver à franquia o encantamento infantil.

As melhores cenas, não por acaso, são aquelas que funcionam como crescendos de piadas físicas e de pantomima, jogando com o contraste do robô-fusca gigante em um ambiente desproporcional. É como se o filme tentasse resgatar o espírito do primeiro Transformers de Michael Bay, não apenas na premissa - um menino ganha seu primeiro carro, com Shia LaBeouf aqui substituído por Hailee Steinfeld - mas também nas dinâmicas cômicas daquelas primeiras cenas dos "robots in disguise" no jardim dos Witwicky.

Bumblebee não escapa muito, assim, de uma sensação de déjà vu. A personagem de Steinfeld traz um componente dramático mais presente - a orfandade, o bullying, as dores da adolescência em geral - mas Knight dirige a subtrama sempre com um tom acima e com base na reiteração.

À falta de sutileza e mesmo de originalidade, seu filme compensa no design: é legal ver os robôs com um visual mais limpo e nostálgico, próximo da primeira geração de bonecos, o que já deixa tudo bem menos marrento do que com Bay; e também nos pequenos lampejos de coreografia, como na cena em que Bumblebee descobre a casa toda. Não por acaso, são os momentos de mais computação gráfica, menos cortes entre planos, mais próximos do que Knight traz do stop-motion. De resto, o diretor ainda tem muito caminho pela frente para se habituar ao live-action.

Nota do Crítico
Bom