BraveStorm

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Crítica

BraveStorm

Trama confusa é salva (mas não muito) pelos robôs gigantes

Gabriel Avila
01.10.2018
13h34

Filmes e séries Tokusatsu estão enraizados no DNA da cultura pop brasileira. A chegada de produções japonesas como Ultraman e Vingadores do Espaço às TVs de todo o país na década de 1960 tornou o gênero uma febre nacional ao unir ação e fantasia com ficção científica e efeitos especiais. Embora diversas franquias tenham chegado ao país, uma boa parte acabou não sendo transmitida por aqui, o que é o caso de Silver Kamen e Super Robot Red Baron, séries revisitadas por BraveStorm, filme que chega aos cinemas brasileiros com uma trama confusa, salva apenas pelos robôs gigantes.

No ano de 2050 a Terra foi invadida pelos Kilgis, uma raça alienígena que usou o robô Black Baron para transformar todo o oxigênio do planeta em veneno. Para impedir esse destino trágico, os irmãos Kasuga decidem voltar no tempo para frustrar a invasão. Koji, o irmão mais velho, é portador do Silver Mask,  traje que concede superforça e agilidade. Ao chegar no ano de 2015, a família encontra Kenichiro Kurenai, um gênio da robótica, e o convence a construir o Red Baron, um outro robô gigante, para auxiliar na luta contra as forças do mal. A única condição de Kurenai é que o piloto deve ser Ken, seu irmão caçula, que apesar de garoto problema é um exímio lutador. Com a união entre o conhecimento do futuro, a genialidade do passado e o poder de combate de ambos, a Terra ganha uma última chance de sobreviver.

Misturar dois títulos entre inúmeros Tokusatsus é uma premissa interessante, afinal extrair o melhor de duas produções diferentes abre um leque de possibilidades, mas em BraveStorm pouco é aproveitado. A narrativa do filme é inconsistente, com cenas intercaladas de forma confusa em um ritmo desordenado que não conduz os acontecimentos de forma empolgante, tampouco desperta curiosidade. Durante seus pouco mais de 80 minutos, o filme passa muito tempo se explicando, repetindo informações em diálogos que cansam ao minuciar acontecimentos mostrados há poucos segundos.

O ponto alto está nas cenas de ação, empolgantes e caprichadas. A luta entre Red e Black Baron impressiona e faz a espera valer a pena, apresentando o melhor do que se pode esperar de uma luta entre mechas, desde pedaços da cidade destruída sendo usados como arma até o uso de poderes especiais ocultos. Nesse sentido, a participação de Silver Kamen é uma grata surpresa. Apesar de toda a expectativa girar em torno do embate entre os robôs gigantes, sua presença chama a atenção com coreografias que combinam homenagem às séries clássicas e técnicas do cinema moderno.

Com blockbusters e séries de TV de orçamentos cada vez mais astronômicos, as séries Tokusatsu podem parecer datadas, mas são registro da indústria audiovisual no início dos anos 60, quando o Japão respondia a explosão de Hollywood a sua maneira. Revisitar o gênero é uma tarefa ingrata, visto a quantidade de produções lançadas nos anos 2000 que não alcançaram o sucesso de suas predecessoras. Infelizmente, não foi com BraveStorm que os robôs gigantes voltaram aos seus dias de glória.

*O filme chega aos cinemas brasileiros fechando o "Festival de Ação Japonês" promovido pela Sato Company em parceria com o Crunchyroll, que trouxe também a animação inédita de Bungo Stray Dogs e o live-action de Tokyo Ghoul.

Nota do Crítico
Regular