Filmes

Crítica

Tokyo Ghoul

Adaptação do mangá de 2011 cria experiência satisfatória com influências de terror, mas sempre respeitando a obra original

Gabriel Avila
13.09.2018
22h42

Setembro de 2011 ficou marcado pela estreia de Tokyo Ghoul, um mangá de horror sobrenatural inspirado em monstros clássicos com uma trama repleta de suspense e carisma. Com mais de 34 milhões de cópias vendidas pelo mundo, a obra já ganhou seu próprio anime, spin-offs e até uma peça de teatro. Em 2017 virou um live-action, que chega agora aos cinemas brasileiros pela Sato Company. Ao contrário de grande parte dos longas baseados em mangás, Tokyo Ghoul é fiel ao original e, apesar de algumas derrapadas, cria uma experiência satisfatória.

A trama acompanha Ken Kaneki, um colegial que tem sua vida virada ao avesso após ser atacado por uma Ghoul, criatura humanóide que necessita consumir carne humana para viver. O rapaz recebe um transplante dos órgãos de sua agressora, transformando-o em meio Ghoul. Kaneki deve agora aprender a viver essa nova realidade enquanto foge do CCG, órgão responsável pela caça e extermínio desses monstros.

Assim como acontece nos videogames, os mangás têm um vasto histórico de adaptações que desapontam, especialmente por deturpar elementos-chave. Tokyo Ghoul não cai nessa armadilha. O longa respeita o próprio universo ao transportar a trama para as telonas sem perder sua essência. Mesmo as pequenas alterações que a transição de mídias exige beneficia a construção do filme. Apostando na identificação com o protagonista, o horror de sua condição inumana é cativante e desperta curiosidades que são saciadas enquanto novas adversidades surgem.

Com um orçamento modesto, o filme não faz feio em relação ao visual. Embora os efeitos especiais não sejam primorosos, a direção cria saídas para contornar o problema com efeitos práticos e foco maior nas coreografias das lutas. Apesar da classificação etária de 12 anos, até mesmo a violência gráfica tem seu espaço: de forma inteligente, a direção escolhe sugerir ao invés de mostrar, deixando que a imaginação complete as lacunas de forma mais efetiva do que sua computação gráfica seria capaz.

Embora condense vários arcos de história em um único filme, o ritmo é inconstante e faz com que os 120 minutos se arrastem, com cenas que se alongam além do necessário. Enquanto informações essenciais como o triste passado de Kaneki são passadas de forma rápida e clara, dramas desinteressantes se estendem - sendo que esses soam forçados pelo excesso de teatralidade do elenco, o que tira o peso de uma fábula sombria que propõe debates sobre bem e mal e se sustentaria sem esse tipo de recurso.

Para construir a história de Tokyo Ghoul, o autor Sui Ishida pegou diversas características emprestadas do cinema de horror. Anos depois, a reverência às próprias raízes ganha vida nas telonas, fechando o ciclo com sucesso.

Tokyo Ghoul/Sato Company/Divulgação
Nota do Crítico
Bom