Coringa Martin Scorsese

Créditos da imagem: Warner Bros/reprodução; Lars Niki/AFP

Filmes

Lista

Coringa triunfa, Marvel é detonada: relatório da cultura pop

Os principais acontecimentos de outubro para preparar você para novembro

João Luis Jr.
31.10.2019
10h00
Atualizada em
29.10.2019
18h39
Atualizada em 29.10.2019 às 18h39

Esteve se dedicando demais ao trabalho? Se inscreveu como cobaia num experimento envolvendo privação sensorial? Teve sua internet cortada por engano e passou os últimos 30 dias no telefone com a operadora tentando religar? Respira fundo, pega uma caneca de café, o Omelete está aqui para mostrar tudo que aconteceu de mais importante na cultura pop no mês de outubro.

Jesse is back, bitches

Cartaz de El Camino
Netflix/Divulgação

Não era brincadeira, não era boato, não era um viral de bebida que todo mundo entendeu errado. Seis anos após o último episódio de Breaking Bad ir ao ar o mundo finalmente descobriu quais outras coisas ruins aconteceram com Jesse Pinkman depois de todas aquelas coisas ruins que nós vimos acontecendo com Jesse Pinkman. Brilhante? Desnecessário? Não tão bom assim? Seja qual for a sua opinião, o fato é que mais de 25 milhões de pessoas assistiram “El Camino: A Breaking Bad Movie” só na primeira semana do filme no ar, deixando claro a atração que a série criada por Vince Gilligan ainda exerce em vários fãs de TV e futuros empreendedores do mercado de drogas ao redor do mundo.

Saem Thanos e Loki, entram Scorsese e Coppola

Martin Scorsese
Lars Niki/AFP

E mostrando que o MCU realmente trouxe para os cinemas a lógica dos gibis, os super-heróis da Marvel mal saíram de uma guerra infinita e já entraram em outra. Afinal, se antes era Thanos que achava que o mundo estava populoso demais e muita gente precisava sumir, dessa vez são alguns dos maiores diretores das últimas décadas de deixaram claro que gostariam de fazer os filmes de Thor, Capitão América e Homem de Ferro desaparecerem num estalar de dedos.

“Não são cinema”, disse Martin Scorsese. “Desprezíveis”, disparou Francis Ford Coppola. “São como hambúrgueres”, atacou Ken Loach. O que, é claro, gerou defesas como a de James Gunn e Benedict Cumberbatch, entre outros envolvido nos filmes da Marvel, defendendo os méritos e a validade das produções do gênero.

Vamos tirar daí uma discussão rica e válida sobre como filmes de super-heróis não são necessariamente entretenimento sem valor cultural ao mesmo tempo que reforçamos a necessidade de que o cinema não seja sufocado pelo quase monopólio de algumas grandes companhias produtoras de conteúdo? Provavelmente não. Mas fãs do filme X ou Y vão brigar até a morte na internet? Com certeza sim.

Os diretores ladram mas a escalação de elenco passa

Charada Paul Dano
Reprodução

E enquanto todos discutiam se filmes baseados em quadrinhos são cinema, os filmes baseados em quadrinhos nem piscavam e o próximo Batman, que terá Matt Reeves como diretor e Robert Pattinson no papel do cruzado mascarado, escalou sua Mulher-Gato, com Zoe Kravitz e seu Charada, com Paul Dano, deixando para trás os boatos de que teríamos Jonah Hill e Seth Rogen como vilões e portanto uma escalação obrigatória de Christopher Mintz-Plasse, o McLovin, no papel de Robin.

Eu sou o coringa, o palhaço, o joker

Coringa
Reprodução

Mas o principal assunto, seja relacionado a Batman, cinema ou quadrinhos no mês de outubro obviamente foi outro. Sim, o Coringa de Todd Phillips foi o centro das atenções, seja pelas polêmicas, pelos memes ou pelos incríveis resultados na bilheteria, se tornando não apenas um sucesso financeiro como também um dos queridinhos da crítica, que coloca Joaquin Phoenix já na briga pelo Oscar de melhor ator.

E ainda que dificilmente o filme vá selar a paz entre os cinéfilos de plantão e a galera que quer apenas ver gente fantasiada voando e trocando soquinhos - o Batman de Christopher Nolan ou Logan de James Mangold, tentaram e não conseguiram esse feito, por exemplo - ele com certeza apresenta novas perspectivas para a DC nos cinemas. 

Afinal, se filmes fora da cronologia oficial dos personagens podem dar certo, o que impede a Warner de levar para os cinemas obras clássicas como All Star Superman, O Reino do Amanhã, ou mesmo uma adaptação realmente fiel do Cavaleiro das Trevas, em que Batman e Super-Homem não fazem as pazes ao descobrir que suas mães têm o mesmo nome? No fim das contas o dia ruim de Arthur Fleck pode acabar representando um grande dia para os fãs do multiverso da DC.