Ryan Coogler e Chadwick Boseman em Pantera Negra

Créditos da imagem: Marvel Studios/Divulgação

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"Ele era um cuidador e um líder", diz Ryan Coogler em tributo a Chadwick Boseman

Ator de Pantera Negra faleceu na última sexta-feira (28), vítima de um câncer de cólon

Mariana Canhisares
30.08.2020
17h07

O diretor Ryan Coogler escreveu uma longa carta de tributo ao ator Chadwick Boseman, na qual chamou o intérprete do Pantera Negra de "um cuidador, um líder e um homem de fé, dignidade e orgulho" e ofereceu suas condolências à família. Boseman faleceu na última sexta-feira (28), aos 43 anos.

No texto publicado no site Deadline, Coogler disse que a escalação de Boseman para o papel de T'Challa não foi uma escolha sua, mas uma herança dos irmãos Russo e da Marvel. O fato de não ter se envolvido diretamente na escalação não o incomodou. Pelo contrário. Coogler disse que se sente "eternamente grato", pois foi a performance de Boseman em Capitão América: Guerra Civil, especificamente uma cena com John Kani em que ambos falam Xhosa, que o fez tomar a decisão de assumir o comando de Pantera Negra.

Coogler, então, narra como Boseman se envolveu nos mínimos detalhes na produção de Pantera Negra, refletindo sobre como cada um deles poderia reverberar. Foi sugestão do ator, por exemplo, que todos falassem com sotaque, apresentando o público a um rei africano e a um dialeto que não foram conquistados pelo Ocidente. Ele também fez questão de ir nos testes de elenco para os personagens coadjuvantes, lendo o roteiro com vários candidatos a M'Baku.

"Esse filme é Star Wars, é O Senhor dos Anéis, mas para nós... e é maior!", afirmava Boseman entre takes, conforme ele e o diretor discutiam os rumos de uma cena. "Eu sorria, mas não acreditava nele", confessou Coogler. "Não tinha ideia de que o filme funcionaria. Não tinha certeza do que estava fazendo. Mas olhando para trás percebo que Chad sabia de algo que nós todos não tínhamos ideia".

Coogler confirmou que não sabia dos detalhes da doença com a qual Chadwick Boseman lidava nos últimos quatro anos, um câncer de cólon. "Porque ele era um cuidador, um líder e um homem de fé, dignidade e orgulho, ele protegeu seus colaboradores do seu sofrimento. Ele viveu uma bela vida e fez ótima arte. [...] Que marca incrível ele nos deixou".

"Não senti um luto tão intenso antes", continuou o cineasta. "Passei o último ano preparando, imaginando e escrevendo palavras para ele dizer, as quais não fomos destinados a ver". Coogler afirma, então, como se sente com o coração partido de saber que não o verá novamente no monitor durante as filmagens, nem receberá mensagens dele, com as várias receitas vegetarianas que ele estava sugerindo à família ou um simples "oi, tudo bem?".

Apesar da saudade, o diretor encerra sua carta com uma mensagem esperançosa sobre o legado de Chadwick Boseman. Para ele, o ator agora é um ancestral - termo usado nas culturas africanas para se referir a pessoas que amamos e que morreram, sendo parentes ou não. "Sei que ele olhará por nós, até nos encontrarmos novamente".