A Lenda do Tesouro Perdido

Créditos da imagem: Walt Disney Pictures/Divulgação

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Por que precisamos do 3º filme de A Lenda do Tesouro Perdido

Depois de mais de 10 anos, Disney anuncia o novo filme e uma série da franquia

Julia Sabbaga
21.05.2020
15h54

Se passaram mais de 10 anos desde o lançamento do segundo filme de A Lenda do Tesouro Perdido, Livro dos Segredos, e a Disney finalmente anunciou oficialmente a produção do terceiro filme da franquia, e uma nova série no Disney+. Pode parecer tempo demais para reviver uma história que começou em 2004, com a estreia do primeiro filme, mas felizmente, a série de filmes com Nicolas Cage nunca ficou ultrapassada. Confiando em uma aventura para família inteira, A Lenda do Tesouro Perdido seguiu os passos de Indiana Jones e criou uma história original que se tornou inesquecível por diversos motivos. 

Agora que temos a confirmação, retomamos os passos de Ben Gates para relembrar porque a franquia da Lenda do Tesouro Perdido é tão legal, e porque nós ainda precisamos de um novo filme com o protagonista e seus amigos. 

Continuação de uma história original

Nicolas Cage e Justin Bartha em A Lenda do Tesouro Perdido
Walt Disney Pictures/Divulgação

Claro que um terceiro filme de uma franquia não é exatamente classificado como original, já que há toda uma história construída em dois filmes anteriores, mas este é um dos elementos mais legais da Lenda do Tesouro Perdido. Dirigida por Jon Turteltaub e produzida por Jerry Bruckheimer, a aventura de 2004 partiu de uma ideia de Oren Aviv e Charles Segars de 1997, mas precisou de outros quatro roteiristas até chegar em seu produto final. Existem elementos de Indiana Jones, claro, mas foi a introdução a personagens originais e carismáticos, misturado com um caça ao tesouro que passeia pela história americana que fez o filme tão certeiro. Para quem curtiu A Lenda do Tesouro Perdido, a antecipação por mais um filme envolve a vontade de ver aqueles mesmos personagens - Ben, Abigail e Riley - desvendando mistérios baseados em elementos da história. 

Agora, em um mundo dominado por reboots e remakes, A Lenda do Tesouro Perdido 3 seria quase que um passo seguro, porém positivo, na trajetória da Disney. Enquanto realmente não há a produção de uma nova aventura e a criação de algo que comece do zero, é bom ver o estúdio apostando na continuação de uma franquia original. 

A saudade do Nicolas Cage nos cinemas

Nicolas Cage em A Lenda do Tesouro Perdido
Walt Disney Pictures/Divulgação

Seria ingênuo achar que A Lenda do Tesouro Perdido teria sido o que foi senão fosse o poder de estrela de Nicolas Cage. No  começo dos anos 2000 o ator estava no auge de sua carreira em termos de blockbusters. Saindo de sucessos como A Rocha, A Outra Face e 60 Segundos, o início dos anos 2000 para Cage significou O Senhor das Armas, Motoqueiro Fantasma, Presságio e As Torres Gêmeas. As qualidades podem ser variáveis, mas a época significou o auge das bilheterias de Cage, que depois seguiria para uma fase mais discreta de sua carreira. Cage se afastou das grandes produções e se aproximou de filmes independentes, muitos dos quais nem chegaram aos cinemas. E a nostalgia por uma época em que se via o rosto do ator nos cartazes dos cinemas ainda existe. 

Ben Gates, o personagem vivido por Nicolas Cage em A Lenda do Tesouro Perdido foi, inclusive, uma exceção na carreira do ator, que até então nunca tinha repetido um papel. Ele dizia que precisava de algo realmente apaixonante para querer se envolver novamente com um personagem já feito antes. E não é que A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos fez isso? Ainda bem que, ao anunciar o terceiro filme, a Disney também confirmou o envolvimento do mesmo grupo de atores. Porque não há Lenda do Tesouro Perdido sem Ben Gates, e não há Ben Gates sem Nicolas Cage.

O que pode seguir o roubo da Declaração e o sequestro do Presidente?

Nicolas Cage em A Lenda do Tesouro Perdido
Walt Disney Pictures/Reprodução

Ben Gates e Nic Cage são o espírito de Lenda do Tesouro Perdido porque seria impensável um outro ator falar certas frases icônicas do personagem. O que seria da franquia sem seus melhores ganchos, aqueles que tem até um certo tom fanfarrão? “Eu vou roubar a Declaração de Independência” e “Eu vou sequestrar o presidente dos Estados Unidos” são pérolas inesquecíveis da franquia, que deixam o questionamento do que será que Ben Gates pode fazer no terceiro filme? 

Quando Cage concordou em fazer o segundo filme, ele comentou sobre a natureza destas frases dos longas, e relembrou de quando o diretor chegou para ele com a ideia de sequestrar o presidente [via Collider]: “Eu falei ‘espera, como Ben Gates vai sequestrar o presidente dos EUA?’ e eu fiquei nervoso. Então eu comecei a pensar, e depois comecei a rir, e percebi que esta é a diversão dos filmes. É engraçado, e é absurdo”. É este o exato sentimento de Lenda do Tesouro Perdido. 

Para seguir frases como essas, o terceiro filme precisa se superar. Poderia ser algo no nível de “eu vou assaltar o Papa”, mas deixemos para que Nic Cage, Turteltaub e cia pensem num gancho melhor. 

Porque eles sabem escolher elencos como ninguém

Helen Mirren, Nicolas Cage e Diane Kruger em A Lenda do Tesouro Perdido
Walt Disney Pictures/Divulgação

Mas não é só Nicolas Cage que segura o estrelato de A Lenda do Tesouro Perdido. No elenco dos dois filmes não somente o protagonista é um vencedor do Oscar como também Helen Mirren e Jon Voight. Além deles, dois outros indicados da Academia também figuram: Harvey Keitel e Ed Harris

Mas a química entre os três protagonistas - Ben Gates (Cage), Abigail (Diane Kruger) e Riley (Justin Bartha) - é o que faz o filme ter uma energia tão única. Para o terceiro longa, não tivemos nenhuma notícia de elenco, apenas que ele será liderado pelo mesmo grupo - o que deve significar o trio principal. Mas assim como segundo filme introduziu Mirren e Harris a um elenco que já era 10, é de se esperar que o terceiro longa também apresente mais estrelas. 

Porque o Sean Bean pode voltar

Sean Bean em A Lenda do Tesouro Perdido
Walt Disney Pictures/Divulgação

E quem poderia esquecer o eterno Boronir, o Ned Stark, Sean Bean como o grande vilão Ian Howe? Contrariando a regra de seus papéis (de que seu personagem sempre morre no final), o antagonista do primeiro filme é mandado para a cadeia, acusado de sequestro, tentativa de homicídio e invasão de propriedade do governo. Como já se passaram longos 16 anos, nada impede que o ator dê as caras novamente, afinal, quem não adora o retorno de um vilão?

É educação para toda família

Nicolas Cage e Diane Kruger em A Lenda do Tesouro Perdido
Robert Zuckerman/Divulgação

Seguindo a tradição de uma aventura para toda a família, A Lenda do Tesouro Perdido tem uma energia muito única de uma época em que o gênero brincava com o mundo real e diversas teorias da conspiração. Mas tudo isso tem um resultado muito claro que é instigar a curiosidade do público. No caso da franquia, como Nicolas Cage já falou algumas vezes, é inspirador fazer isso para o público infantil: “Você quer que as crianças aproveitem com a mãe, o pai, a família inteira, e depois olhe um livro de história e pense de um jeito que não é ‘você precisa ler, você precisa aprender’. Ajuda na jornada porque tem um nível de crença aqui”. 

E não é só isso. Fazendo uma homenagem bem clara à história dos EUA, A Lenda do Tesouro Perdido também adora uns easter eggs bem nerds de história. Claro que Ben Gates teve seu nome como homenagem à Benjamin Franklin, mas todos os de sua família também homenageiam os Pais Fundadores. A personagem de Kruger, Abigail Chase, combina os nomes da Primeira Dama Abigail Adams e Samuel Chase, um dos signatários da Declaração de Independência. 

As pontas soltas (o que tem na página 47?!)

Um dos maiores motivos pelos quais os fãs pedem pelo terceiro filme de Lenda do Tesouro Perdido foi o aquecimento para o encerramento de uma trilogia, deixado no final de Livro dos Segredos. O fim do segundo filme mostra o Presidente dos EUA (Bruce Greenwood) fazendo referência a um novo mistério, a ser desvendado pelo trio. De acordo com o Presidente e Ben, na página 47 do Livro dos Presidentes há algo "revolucionário", que certamente foi dito para abrir a deixa para o 3º filme. Quase 15 anos depois, é difícil de imaginar se o novo filme seguirá este caminho, mas uma referência mínima precisa ser feita.