Como a DC mudou nos cinemas após a saída de Zack Snyder

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Como a DC mudou nos cinemas após a saída de Zack Snyder

Diretor executou sua visão mais sombria dos heróis, mas estúdio tomou rumos mais otimistas de 2017 para cá

Camila Sousa
09.04.2021
17h54
Atualizada em
09.04.2021
18h06
Atualizada em 09.04.2021 às 18h06

Muito antes da Marvel ter o seu bem-sucedido universo nos cinemas, a DC já era conhecida por levar seus personagens para as telas, em filmes como Superman - O Filme (1978), Batman (1989), Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), entre outros. Porém, não dá para negar que o sucesso de Homem de Ferro e companhia fez com que o estúdio começasse a pensar em um universo mais coeso, com produções que conversassem entre si. Assim, surgiu o DCEU (Universo Estendido DC), inaugurado em 2013 com O Homem de Aço.

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Dirigido por Zack Snyder e com Henry Cavill fazendo sua estreia no papel principal, o filme tinha o objetivo de apresentar um Superman diferente, mais “pé no chão” e que fizesse sentido com a trilogia O Cavaleiro das Trevas, lançada pouco antes por Christopher Nolan (inclusive, creditado em Homem de Aço como produtor).Considerado uma aposta, o longa arrecadou US$ 668 milhões para um orçamento estimado em US$ 225 milhões, o que não o tornou um sucesso, mas também não pode ser caracterizado como um fracasso. O tom sombrio da produção, que preferiu retratar um Superman longe do seu otimismo até então característico, também dividiu a opinião de críticos e fãs.

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Apesar de não ser unanimidade, o longa serviu para estabelecer Batman vs Superman: a Origem da Justiça, segundo filme do DCEU, lançado em 2016, e considerado um ponto de virada para o Universo Estendido da DC. Apresentando o Homem-Morcego de Ben Affleck já como um antagonista do Superman, o filme representou o auge da visão de Snyder sobre os personagens da DC. No mundo todo, a produção fez US$ 873 milhões, um resultado bastante positivo do ponto de vista comercial. No entanto, mais uma vez, a visão de Snyder foi divisiva : enquanto alguns defendem até hoje seu estilo sombrio e realista, outros o consideram cansativo e pesado. Com críticas mistas pela segunda vez consecutiva, a abordagem mais soturna do cineasta começou a ser questionada dentro da Warner/DC. Será que este era o melhor caminho para os filmes dos personagens?

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Ainda em 2016, outro longa acendeu uma luz vermelha no estúdio. Esquadrão Suicida foi lançado levando para os cinemas personagens muito populares entre os fãs, como Arlequina e Coringa, e adicionando ao universo grandes atores de Hollywood, a exemplo de Viola Davis e Will Smith. Apesar do grande potencial de uma história protagonizada por vilões carismáticos, o filme teve os mesmos problemas dos anteriores, resultado determinante para que a Warner/DC experimentasse mudar um pouco de abordagem no título seguinte, que era nada menos do que Mulher-Maravilha (2017).

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Assim como aconteceu em O Homem de Aço, o longa tinha a proposta de apresentar uma personagem extremamente querida pelos fãs, cuja nova versão já tinha sido mostrada rapidamente em Batman vs Superman. Mas, apesar da Mulher-Maravilha ser muito popular, era preciso criar uma relação de empatia entre os espectadores e essa nova personagem interpretada por Gal Gadot. E deu certo. Comandado por Patty Jenkins e com Snyder assinando como produtor, o filme arrecadou US$ 821 milhões no mundo e recebeu críticas positivas, sendo considerado um bom longa de origem para a amazona. Parecia que o estúdio estava prestes a ajustar seus problemas e encontrar um tom mais equilibrado, quando aconteceu a crise de Liga da Justiça (2017).

Tropeço e recomeço

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A história do que aconteceu nos bastidores do filme da equipe já foi amplamente discutida, então não é necessário repetir tudo. Basta saber que Snyder começou a fazer o longa, mas deixou o projeto após a morte de sua filha. Nessa época, Joss Whedon (responsável por Vingadores) já estava escrevendo alguns diálogos para a produção e foi oficializado como o novo diretor. E o resultado foi, novamente, negativo. Misturando o tom de Snyder com cenas mais “leves” e “engraçadas”, a produção de 2017 fez US$ 657 milhões nas bilheterias, algo considerado um fracasso para uma trama que uniu os maiores heróis da DC. Com tantos problemas e críticas às suas produções, a Warner/DC mudou de rumo com Aquaman, o filme seguinte do universo, lançado em 2018.

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Com Jason Momoa de volta ao papel de Arthur Curry e Amber Heard como Mera, o longa deixou para trás o tom estabelecido anteriormente por Snyder, apresentando uma Atlântida colorida e cheia de vida, e uma história de origem coesa para o personagem conhecido por ser zoado nas HQs (“você fala com peixes?”). Dirigido por James Wan, Aquaman trouxe o aguardado bilhão para a DC. Ou, melhor, US$ 1,148 bilhão. A resposta positiva do público era o que o estúdio precisava para começar sua nova fase: sem Snyder e com a assinatura de novos diretores.

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Foi isso o que aconteceu em Shazam!, comandado por David F. Sandberg e com Zachary Levi no papel principal. Ao apresentar a história de um garoto que vira um super-herói clássico ao dizer a palavra “Shazam!”, o longa teve total liberdade para ser leve, divertido e com uma identidade própria de seu diretor. Em outras palavras, pela primeira vez em muito tempo a DC estava sendo divertida sem tentar copiar a fórmula Marvel. Essa tendência foi seguida por Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa, lançado em 2020, pouco antes do começo da pandemia de COVID-19. É importante ressaltar que, nestes dois casos, o retorno de bilheteria foi menor (US$ 364 milhões para Shazam! e US$ 201 milhões para Aves de Rapina), mas parece que esse é o caminho a ser seguido pela Warner/DC a partir de agora, especialmente olhando para as imagens dos projetos abaixo, incluindo filmes e séries:

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Nessa mesma leva de produções mais leves, Mulher-Maravilha 1984 foi lançado durante a pandemia, com estreia simultânea no cinema e no streaming HBO Max. Com o mercado cinematográfico passando por tantas mudanças, é difícil mensurar qual foi a bilheteria exata do longa, mas é possível dizer que ele dividiu opiniões: parte do público aprovou a narrativa mais despretensiosa do longa, enquanto outros se incomodaram exatamente com o mesmo ponto.

Restore the SnyderVerse?

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E, claro, não dá para deixar de falar da Liga da Justiça de Zack Snyder, versão finalizada e lançada pelo diretor este ano. Após anos de campanha dos fãs - e nenhuma resposta por parte do estúdio - o longa caiu como uma luva para ajudar a alavancar o HBO Max, novo streaming da WarnerMedia já disponível em vários países, e que chega ao Brasil em junho.

Com o corte finalmente disponível, fica muito claro qual é a visão de Snyder sobre os heróis da DC. Para ele, Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash e Ciborgue são “deuses” vivendo no meio de humanos, que carregam a dura tarefa de salvar a Terra e proteger os mais fracos.

Com quatro horas de duração, o corte pode ser considerado a versão definitiva da visão de Snyder e levantou um movimento nas redes sociais para que a Warner/DC retome esse direcionamento e coloque o cineasta de volta ao comando das produções. Porém, embora os fãs de Zack Snyder sejam apaixonados, parece que o estúdio não vai ceder dessa vez. Como mostrado acima, já há um plano para os próximos lançamentos, que se distancia bastante da proposta do Snyder. O próprio diretor também já afirmou que não tem mais projetos na Warner/DC e se prepara agora para o lançamento do filme Army of the Dead, na Netflix.

Entre erros e acertos na última década, não dá para negar que a DC tem um catálogo vasto e importante de heróis, que fazem parte do imaginário do público. Após anos de desacertos, o estúdio parece finalmente ter entendido que precisa de uma estratégia clara, para deixar os fãs seguros do universo que está sendo criado e ansiosos para ver seus heróis preferidos em tela.

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