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Comic-Con 2013 | Painel Os Visionários

Edgar Wright, Marc Webb, Alfonso Cuarón falam de seus filmes

Marcelo Hessel
19.07.2013
00h00
Atualizada em
29.06.2018
02h35
Atualizada em 29.06.2018 às 02h35

Ao contrário dos anos anteriores, em que o painel dos cineastas "visionários" na Comic-Con falavam bastante de tecnologia e do futuro do cinema de Hollywood, com nomes como Steven Spielberg, Peter Jackson e James Cameron, neste ano a conversa foi bem mais modesta - mesmo por conta do perfil dos três convidados, Alfonso Cuarón, Marc Webb e Edgar Wright.

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Dos três, o mexicano Cuarón é o que mais se aproxima do tipo de cineasta que desbrava novos formatos. Ainda assim, ele diz que tem levado tempo demais para fazer seu longa mais recente, Gravidade"Quando tive a ideia de fazer Gravidade, não havia tecnologia capaz de tornar a gravidade zero realidade, para mover os personagens em múltiplos eixos ao mesmo tempo. Você podia filmar algo em queda livre, o que dá a impressão de gravidade zero, mas a queda não dura mais do que 20 segundos", diz o cineasta, conhecido por seus planos-sequências que duram minutos. Ele acabou construindo estruturas como um cubículo de 9 por 9 metros em que Sandra Bullock ficava presa - e todo o cubo girava e se movia com sistemas hidráulicos em volta dela. "Esse filme todo é um erro de cálculo", ri. "Eu achei que conseguiria fazer tudo em um ano. E o filme deveria ter ficado pronto em novembro passado e ainda não terminei..."

Ele diz se inspirar em Encurralado, de Steven Spielberg, para fazer o filme: "Aquele personagem perseguido por essa força misteriosa, o senso de isolamento, era algo que eu procurava". Sobre o 3D, brinca que é outro erro de timing: "Hoje o 3D é mais uma questão de dinheiro e distribuição do que de concepção mesmo. Gravidade levou quatro anos e meio para ser feito, e naquela época o 3D ainda era legal", diz. "O 3D, como ferramenta, é muito incrível, mas eu não acho que deva ser universalizado em todos os filmes", completa.

"Quem dirige filmes em 3D precisa se engajar na relação que se mantém com os exibidores, para garantir que o 3D seja exibido direito. Quando um filme fica escuro demais, às vezes é problema da projeção", emenda Webb. "A Vida de Pi, Avatar e Hugo são lindos em 3D", completa Wright. "[Essa tecnologia] só não pode virar a 'taxa de blockbuster', só porque o ingresso é mais caro."

Sobre os efeitos em O Espetacular Homem-Aranha 2, para dar novos movimentos a Peter Parker, Webb diz que não construiu novas gruas e usou guindastes como havia feito no primeiro filme. "O corpo humano só aguenta até certo ponto. Usamos aquelas gruas como referência neste filme para fazer [parte da ação] no computador", diz. Segundo Webb, a chegada de Electro com seus poderes "de semideus", nas palavras do diretor, vão servir para despertar novas habilidades e características no Aranha, tentando lidar com o novo vilão de maneiras criativas e divertidas. Ainda sobre o filme, Webb acha que existe algo belo em um personagem capaz de se fundir com redes elétricas: "Eu sempre me aterrorizei com alguém que pudesse simplesmente desaparecer", diz.

Resta a Edgar Wright a oportunidade de contar histórias engraçadas sobre como seu elenco bem rodado - atores como Simon Pegg e Martin Freeman já passaram dos 40 anos - sobreviveu às cenas de luta em The World's End. Ele diz que rodou o filme em 12 semanas, como fez com Chumbo Grosso, mas que tentou fazer as cenas de ação de um jeito mais realista, com menos dublês, e manter os planos de luta mais longos que o seu habitual estilo picotado. Além de treinar com o time de coreógrafos, o elenco quarentão ainda teve que encenar brigas com uma equipe de dublês formada por adolescentes de 15 anos. "Eu perguntei para o pessoal se existem dublês de 15 anos e eles me responderam que conseguiam arranjar alguns!", conta Wright.

O resultado é que Pegg, durante uma cena mais vigorosa, quebrou a mão. "Eu perguntei pra ele se dava para fazer mais algumas tomadas e ele respondeu ''mas é claro, vamos lá'. E fizemos mais umas cinco. Depois disso ele disse: "hhmm, fui ver o médico, e acho que quebrei a mão'. É claro que ele não queria dizer isso antes, porque como produtor do filme ele sabia que teríamos que interromper a filmagem. Se os atores parecem quebrados no filme é porque eles foram quebrados mesmo."