Marcello Quintanilha celebra brasilidade de sua obra na CCXP Worlds

Créditos da imagem: Divulgação

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Artigo

CCXP Worlds | Marcello Quintanilha celebra brasilidade de sua obra em painel

Autor revelou inspirações e desafios para retratar o Brasil de forma fiel

Gabriel Avila
04.12.2020
17h36
Atualizada em
04.12.2020
17h58
Atualizada em 04.12.2020 às 17h58

Com uma cultura tão rica, o Brasil é berço de grandes autores que aproveitam toda a bagagem histórica do país e do mundo para criar histórias com uma veia particularmente nossa. Um desses nomes é sem dúvidas Marcello Quintanilha, renomado quadrinista e romancista que celebrou a brasilidade de sua obra em um grande painel na CCXP Worlds. Em entrevista a Ferréz, grande escritor da literatura marginal, Quintanilha disse que essa marca está ligada ao linguajar dos personagens:

“Trabalho muito nessa linha de encontrar uma maneira de transcrever a oralidade da maneira mais honesta e contundente que eu consigo. Acho que é muito difícil, ou era até os anos 1990, de encontrar exemplos da brasilidade tratada de maneira tão profunda ou contundente. Essa foi minha maior preocupação na época e é até hoje”.

O escritor relembrou que no início da carreira, seu trabalho causava muita estranheza para diretores de arte. “Era comum ouvir quase como mantra ‘muito interessante seu trabalho, mas não sabemos como colocar isso para o público’ porque realmente não havia muitos exemplos de quadrinhos tratados dessa forma. Mas acho que isso tem mudado com os anos”.

Dentre as devolutivas que recebia inicialmente, Marcello Quintanilha relembra que era comum ouvir que “desenhava muitas pessoas pobres”, frase que em seu entendimento por vezes ainda continha uma conotação racista. Para o autor, esse estranhamento ainda não desapareceu completamente, mas já não é tão grande quanto antes. “Era muito presente na época, é presente hoje. Embora isso tenha melhorado muito e tenhamos encontrado caminhos de manifestar e representar a população brasileira de maneira mais efetiva do que acontecia naquela época”.

A inspiração na literatura

Dentre suas grandes inspirações, Marcello Quintanilha cita autores como João Ubaldo Ribeiro, Mário de Andrade e Mário Filho, que utilizaram muito bem essa oralidade brasileira. Questionado como um leitor de quadrinhos da Marvel caiu de cabeça na literatura, o autor citou seu grande interesse por diferentes vertentes artísticas e uma busca pela cultura do Brasil. “Acabou acontecendo por uma inquietude da minha parte, pelo fato de buscar essa raíz tão brasileira que tanto me interessava retratar no meu trabalho e que eu não via refletida nos quadrinhos que eu consumia até então”.

Quintanilha relembra que seu ponto de partida foi Machado de Assis, a quem cita como sua maior influência. “É o escritor que mais me marcou como autor não só pelo que ele escreveu, mas pela forma como ele foi capaz de escrever e de equacionar a sua vida para poder escrever”.

Talco de Vidro e a inveja

Dentre sua grande bibliografia, que inclui clássicos como Tungstênio, Sábado dos Meus Amores e Luzes de Niterói, um dos destaques é sem dúvidas Talco de Vidro. Marcello Quintanilha descreve a recepção da publicação como incrível, já que ele segue relevante mesmo tanto tempo após seu lançamento. “Ele continua chegando às pessoas, existe uma compra contínua desse livro. Parece que ele ficou sendo redescoberto a cada ano, e as impressões são sempre muito, muito profundas. É fantástico o que aconteceu”.

Questionado se foi difícil retratar a inveja na obra, o autor afirmou que, na verdade, foi muito fácil. “Inveja não deve ser negligenciada, ela faz parte da nossa vida de uma maneira muito evidente. Todas as pessoas passam por isso, a gente não deve fingir que não sente aquilo que sente. As pessoas precisam se dar a oportunidade de se conhecer e saber quais são as suas debilidades”.

Por fim, Quintanilha disse que está muito ansioso para saber o que as pessoas vão achar de Deserama, seu primeiro romance recém lançado pela editora Veneta. Questionado sobre o processo de escrita da nova publicação, ele relembrou que já estava familiarizado com o formato por conta do livro Salvador, da coleção Cidades Ilustradas, que misturava prosa e ilustração.

Porém, o novo romance surgiu de uma maneira difícil de explicar. “Simplesmente tinha algumas frases soltas escritas no computador, e um belo dia essas frases ganharam companhia de outras frases e assim a coisa começou. E foi imparável”.

CCXP Worlds: A Journey of Hope, primeira edição 100% digital do maior evento de cultura pop do mundo, acontece entre os dias 4 e 6 de dezembro de 2020. Os ingressos gratuitos e os pacotes especiais, que dão direito a atrações e brindes exclusivos, estão disponíveis no site www.ccxp.com.br.

Nesta sexta (4), a Paramount apresenta seus próximos lançamentos, incluindo a nova versão de O Poderoso Chefão 3, o elenco de The Walking Dead: World Beyond conta como a série expande o universo de TWD, e a Globo traz um elenco estrelado, incluindo Taís Araújo e Lázaro Ramos. No lado dos quadrinhos, é o dia do homenageado Neil Gaiman, além de nomes como Jeff Smith e Matt Fraction.

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