Breaking Bad | Como a série mudou a televisão para sempre

Créditos da imagem: Breaking Bad/AMC/Reprodução

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Breaking Bad | Como a série mudou a televisão para sempre

Seriado comemora dez anos da estreia do seu primeiro episódio

Fábio de Souza Gomes
11.10.2019
16h57

Há mais de dez anos Breaking Bad estreava seu primeiro episódio. A série, que não contava com nenhuma grande estrela do cinema ou tinha um nome conhecido em seus bastidores, começou discreta e ao final da segunda parte de sua quinta temporada tornou-se um fenômeno cultural que transformou para sempre a televisão. Com um roteiro cirúrgico, uma fotografia inovadora e atuações marcantes, rapidamente ela virou o marco da nova era de ouro da televisão.

A série foi a primeira a se aproveitar do fenômeno Netflix. Apesar de ser amplamente elogiada pela crítica ao longo de suas primeiras temporadas, o drama não era um sucesso de público. A média de audiência era relativamente baixa, entre 1,2 e 1,9 milhão de espectadores (para base de comparação, a temporada de Big Bang Theory com audiência mais baixa contou com 8,3 milhões de espectadores). Contudo, tudo mudou quando a série ficou disponível no serviço de streaming.

Com a oportunidade dos fãs de maratonar, o seriado cresceu ano após ano e virou um fenômeno justamente quando estava prestes a acabar. Com esse crescimento, os produtores decidiram dividir a quinta temporada em duas partes – com oito episódios lançados em 2012 e mais oito estreando em 2013. Foi nesse momento que ficou claro o crescimento do seriado após sua entrada na Netflix: o encerramento da quarta temporada contou com 1,9 milhão de espectadores, enquanto o final da série teve 10,2 milhões de pessoas. “Acredito que a Netflix nos manteve no ar”, admitiu Vince Gilligan, criador do programa, no Emmy de 2013 (via Mashbale).

Ao encerrar sua série no auge, Gilligan fez algo pouco comum na televisão. Até então, quanto mais sucesso a série tinha, mais temporadas eram encomendadas e, muitas vezes, elas não mantinham a qualidade dos primeiros anos – como foi, por exemplo, o caso de Dexter e Lost, que tiveram finais considerados insatisfatórios para a maioria dos fãs. O showrunner afirmou que sempre pensara em cinco temporadas para mostrar a decadência de Walter White e não queria acabar com o legado do seriado, que fechou como um dos mais aclamados pela crítica por conta, especialmente, de seu roteiro afiado.

A história de Breaking Bad, aparentemente, é simples: um professor de química diagnosticado com um câncer no pulmão que decide entrar para o mundo das drogas para juntar dinheiro e, assim, de alguma forma ajudar sua família quando morrer. Porém, fazer isso de uma maneira orgânica está muito longe de ser fácil. Para chegar nesse ponto, Gilligan e sua equipe transformaram personagens, mudaram ideias que tinham antes da série e se abriram para oportunidades que apareceram no meio do caminho.

O maior exemplo disso envolve Aaron Paul, que interpretou Jesse Pinkman. A ideia inicial de Gilligan era matar o personagem logo na primeira temporada e mostrar a decadência solitária de Walter White. Porém, o criador do seriado viu que havia uma química inegável entre Bryan Cranston e Paul e, como a temporada inicial foi menor por causa de uma greve de roteiristas, ele manteve o jovem ator no elenco. “Não sabia o quão bom [Aaron Paul] era quando o contratei. Percebi pelo episódio 2 que seria um grande e absurdo erro matar Jesse”, afirmou Gilligan durante uma série de perguntas e respostas em 2011.

Breaking Bad/AMC/Reprodução

Jesse era o contraponto perfeito de Walter White. Enquanto o garoto admitia ser um vilão (mas no fundo não era), o novo Rei das Drogas nunca olhava para si como um homem mal (quando na verdade estava cada vez pior). Jesse é um dos personagens mais importantes da série e sua relação com Walt fortaleceu o personagem e sua jornada.

“Lembro que a guia de Vince para Walt sempre foi mostrar a transformação do Mr. Chipps [o professor simpático do filme Adeus, Mr. Chips] no Scarface [personagem imortalizado por Al Pacino]”, afirmou Bryan Cranston ao THR em 2011. Gilligan pode ter mudado o destino de alguns personagens, mas nunca abandonou essa ideia de mostrar a transformação de um homem comum em um vilão. O elenco, que foi muito bem escalado, conseguiu mudar junto com seus papeis e foram guiados pela performance histórica de Cranston.

O ator é o ponto alto da série. Conhecido por comédias como Malcom in the Middle, ele se transformou completamente para viver aquele que considera o papel de sua vida. Em nenhum momento ele julga as ações de seu personagem e entrega uma performance viva, realista e humana. “Você vê humanidade nele, mesmo quando ele faz as coisas mais terríveis, mesmo quando toma as piores decisões. Você precisa de alguém que tenha humanidade para que o espectador diga ‘muito bem, eu compro essa ideia. Não gosto do que ele está fazendo, mas eu entendo, e vou ver onde vai chegar’. Se você não tem um cara que te dá isso, o programa não vai para frente”, afirmou Gilligan em 2009 ao NJ.com.

Breaking Bad ajudou a revolucionar a televisão. Hoje, atores e atrizes de renome estão voltando seus olhos para séries que, cada vez mais, são o melhor lugar para criar projetos arriscados e diferentes. Breaking Bad ajudou a pavimentar esse caminho e, por isso, é uma das séries mais importantes da história. 

El Camino: A Breaking Bad Movie, filme que narra o que aconteceu com Jesse Pinkman após os eventos da série original, já está disponível na Netflix.