Dragon Ball Super | Evolução natural da fase Z ainda é rejeitada por fãs

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Dragon Ball Super | Evolução natural da fase Z ainda é rejeitada por fãs

Com um novo filme chegando aos cinemas, voltamos à antiga discussão: por que os fãs de Dragon Ball Z não gostaram tanto assim de Dragon Ball Super?

Omelete
7 min de leitura
17.08.2022, às 14H50

Se perguntar a um fã de Dragon Ball qual sua fase favorita, dificilmente você ouvirá “Dragon Ball Super” como resposta. A mais recente produção da franquia rendeu um mangá em publicação com 19 volumes, dois filmes no cinema, jogos e um anime de 131 episódios, mas mesmo assim ele não conseguiu o carinho dos otakus. Considerando que essa série é uma evolução natural do que acompanhamos em Dragon Ball Z, o que falta para ter o afeto dos fãs? Será que Dragon Ball Super tem problemas em sua estrutura ou é apenas mais um caso de fãs rejeitando novidades?

O nascimento de Super

Não é surpresa Dragon Ball ter passado por uma infinidade de projetos “caça níqueis” que expandem (e enrolam) a obra para mais dinheiro entrar no bolso dos produtores e do criador Akira Toriyama. Um exemplo é Dragon Ball GT, criado como uma forma de manter o sucesso da série original e reaproveitar a equipe que durante anos animou episódios de Dragon Ball Z. O resultado não foi dos melhores, principalmente do lado artístico, e a franquia entrou em um hiato de décadas, com uma ou outra aparição esporádica. Porém, em 2013 a franquia reviveu com o lançamento do filme A Batalha dos Deuses, uma superprodução que introduziu Goku ao século XXI.

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Esse filme estabeleceu uma nova fase para os “Guerreiros Z” com o despertar de Bills, o Deus da Destruição (ou Beerus, na versão em mangá). Embora não tivesse um roteiro tão bem construído (toda a história era ambientada em uma festa), A Batalha dos Deuses serviu para a Toei Animation identificar no público um desejo por mais conteúdo de Dragon Ball. O estúdio de animação colocou mais um pé na água com o lançamento de um outro filme, O Renascimento de Freeza, e então se jogou de cabeça no mar para criar uma nova série animada. Chamada Dragon Ball Super, a produção traria as novas aventuras de Goku e seus amigos e seria exibida em paralelo à publicação de um mangá homônimo desenhado por Toyotaro, um grande fã de Toriyama capaz de emular seu traço.

Em vez de ser uma continuação de Dragon Ball GT ou mesmo da própria série Z, Dragon Ball Super optou por se ambientar naquele período de tempo após a derrota de Majin Buu e antes da aparição do Uub, ou seja, entre os episódios 287 e 288 do anime original. O mundo está em paz após os eventos recentes e todos os personagens se reúnem para comemorar, mas eis que Bills desperta, apresenta a Goku novos poderes e até um novo treinamento com a ajuda do ser supremo Whis.

Dragon Ball Super abriu um grande leque dentro de Dragon Ball Z. Nessa nova série descobrimos universos paralelos aos dos protagonistas, inclusive a existência de novas esferas do dragão ainda mais poderosas. Cada um desses universos é cuidado por um deus, e acima de todos eles existe uma entidade ultra poderosa chamada Zen-Oh, cuja aparência é de uma criança arteira. No meio de toda essa expansão de universo ficcional, Goku e seus amigos continuam fazendo o que sabem fazer de melhor: sair na porrada com criaturas poderosas que querem dominar o mundo e soltar muitos poderes luminosos de suas mãos.

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O novo anime serviu como um “reboot” da franquia, uma forma de apresentar os personagens a um novo público. Se aproveitando do fato dos personagens de Dragon Ball terem a profundidade de um pires de chá, a Toei conseguiu rapidamente apresentar ao novo público as personalidades e relações daqueles personagens e partir logo para novas histórias no clima do anime clássico. Houve também uma tentativa de mirar no público mais nostálgico, como no arco do Goku Black em que temos o retorno de um dos personagens mais queridos do ocidente, o Trunks do futuro. Após alguns arcos e uma recepção mista por parte dos fãs, Dragon Ball Super se encerrou com o fabuloso Torneio do Poder, um “battle royale” com batalhas simultâneas de equipes de todos os universos. Pelo texto parece que o anime foi tudo o que os fãs sempre sonharam, mas quem acompanhou Super na época deve lembrar de todas as “ofensas” dos fãs…

Torcedores, calma

Desde o começo, Dragon Ball Super sofreu com críticas de fãs pela internet, justas ou não. Houve quem criticasse o fato dos dois primeiros arcos da história serem tramas requentadas dos filmes lançados antes, vários apontamentos sobre a suposta baixa qualidade de animação e reclamações sobre a caracterização dos personagens. Quanto ao fato de reaproveitarem histórias… bem, isso não tem nem o que defender. A Toei realmente reutilizou arcos dos filmes de sucesso, mas como forma de introduzir ao público da TV aquelas histórias. Não foi muito diferente do que Demon Slayer fez transformando o filme do Trem Infinito em um anime de 7 episódios para quem não acompanhou o longa.

Sobre a qualidade da animação, lá por 2015 era bem comum pessoas pegarem frames isolados de Dragon Ball Super para denunciar nas redes sociais um aparente desleixo da Toei Animation, ignorando que o processo envolve a produção de frames intermediários às vezes com menos proporção. Havia sim o que melhorar na animação, mas os fãs estavam bastante exaltados.

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Quanto à caracterização dos personagens, as críticas muitas vezes indicavam que as pessoas não prestaram atenção à série original. O protagonista Goku, por exemplo, foi duramente criticado no decorrer de Dragon Ball Super por se importar mais com lutas do que com o planeta ou a sua família, como se o próprio não tivesse jogado o próprio filho para uma rinha com o andróide Cell em Dragon Ball Z. Mesmo as críticas sobre as inúmeras transformações não faz sentido, considerando que Akira Toriyama era muito fã de trazer novos poderes em todo arco da história original.

Houve também quem reclamasse sobre como a história de Dragon Ball Super era “boba” se comparada à original, uma crítica estranha porque a história criada pelo Akira Toriyama sempre flertou com a inocência e a bobagem. Dragon Ball nunca foi uma história sobre lutas dramáticas, personagens morrendo e violência frenética, é uma trama de aventura sobre guerreiros enfrentando inimigos com nome de comida ou eletrodomésticos. Não se sabe de onde surgiu essa visão sombria que muitos fãs têm da história, mas Dragon Ball Z é uma história solar.

Dragon Ball Super promoveu sim algumas mudanças e adequações na série original, mas todas as trocas fazem sentido. O Vegeta ganhou uma personalidade menos cruel e mais amável, uma evolução após o final da luta contra Majin Buu: agora ele é um pai mais presente e demonstra publicamente seu amor por Bulma. Em questão de estrutura, a série agora tem arcos mais rápidos de serem desenvolvidos, uma mudança muito bem vinda para quem não tem mais paciência para os sete episódios que compreendiam os cinco minutos da explosão do planeta Namek.

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No fim, Dragon Ball Super acabou sendo o renascimento da franquia. A exibição do anime original foi um sucesso a ponto de ter transmissão ao vivo do episódio final em bares, o mangá da nova história é constantemente reimpresso e, por fim, os novos poderes de Goku e Vegeta já estampam camisetas oficiais nas lojas de departamento. Para completar, a recente parceria com o jogo Fortnite foi feita através de Dragon Ball Super, não o Z, trazendo skins de Goku, Vegeta, Bills e Bulma.

O mundo abraçou Dragon Ball Super, agora falta só o reconhecimento do fã mais velho que exalta apenas o anime que ele viu em sua infância.

Como acompanhar Dragon Ball Super?

Por ser uma série de sucesso, felizmente há muitas formas de ver Dragon Ball Super. Em streaming, o anime está disponível apenas na Crunchyroll com legendas. A versão dublada aparece às vezes na programação do Cartoon Network e nas madrugadas da Band.

Dos quatro filmes recentes da franquia, apenas o A Batalha dos Deuses está disponível em streaming, no caso do HBO Max. Ainda faltam chegar O Renascimento de Freeza e Dragon Ball Super: Broly em algum lugar. Por fim, o mais recente filme Dragon Ball Super: Super Hero estreia nos cinemas de todo Brasil agora dia 18 de agosto de 2022.

Para quem gosta de ler, o mangá de Dragon Ball Super é publicado no Brasil pela Panini, e a editora já ultrapassou a história presente no anime. É possível também ler o mangá oficialmente junto com o Japão através do aplicativo MangaPlus, mas ele está disponível apenas em inglês.

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