Cena da série Y: The Last Man, do Star+

Créditos da imagem: Divulgação

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Y: The Last Man | História ganha tom sombrio em adaptação para série

Baseada na HQ de Brian K. Vaughan e Pia Guerra, produção estreou no Star+

Marcelo Forlani
13.09.2021
12h37
Em 2002, ainda no período de luto dos atentados de 11 de setembro, o roteirista Brian K. Vaughan e a artista Pia Guerra começam a lançar a HQ Y: The Last Man, que durou até 2008. Naqueles dias, as cinzas do WTC ainda não haviam se assentado e os Estados Unidos ainda procuravam Bin Laden. E embora a história se passe em um mundo pós-apocalíptico, em que todos os seres vivos com o cromossomo Y de repente morrem, com exceção de Yorick Brown (Ben Schnetzer) e seu macaco Ampersand (criado aqui em CGI de ótima qualidade), a série de quadrinhos era leve - muito pelos ótimos diálogos escritos por Vaughan e pelo "jeito moleque" de Yorick, um aspirante a ilusionista, filho de um professor de literatura e uma congressista (Diane Lane) que acaba assumindo o posto de presidente dos Estados Unidos após a catástrofe.
 
O recém-lançado serviço de streaming Star+ lançou nesta segunda-feira (13) aqui no Brasil a série que adapta as HQs para a TV, colocando no ar os três primeiros episódios (dos 10 da primeira temporada). O que se vê neste início é a mesma história, mas com um clima muito mais sombrio, com um pé no terror até. A cidade de Nova York, onde Yorick e sua irmã (Hero - interpretada por Olivia Thirlby) moravam, está cheia de corpos em estado de putrefação - ótimo trabalho do departamento de design de produção. O fedor empesteia também os corredores de Washington-DC, de onde a mãe dos dois tenta comandar o país.
 
Neste alt+tab entre passado e presente, e também entre o que acontece no mundo exterior, com Yorick tentando achar sua namorada (Juliana Canfield), e na Casa Branca, a série vai distribuindo suas fichas. É uma mistura interessante de The Walking Dead com The West Wing (guardadas as devidas proporções). Mas quem leu as HQ sabe que isso é só o começo. Ninguém sabe ainda porque Yorick e Ampersand conseguiram sobreviver, e teorias da conspiração sobre as mortes todas começam a pipocar, deixando quem sobreviveu sentado em cima de um barril de pólvora enquanto segura uma vela acesa.
 
Apesar do foco em Yorick e sua mãe, os primeiros episódios já deixam claro que a série vai contar com vários núcleos diferentes, que devem ter suas histórias sendo desenvolvidas paralelamente. Hero continua por Nova York, uma ex-assessora do presidente que morreu tenta entrar na Casa Branca, enquanto a ex-primeira dama e sua filha tentam achar seu novo lugar ao sol neste cenário. E ainda temos a misteriosa Agente 355 (Ashley Romans), melhor personagem da série.
 
Os primeiros episódios servem de apresentação deste cenário. É apenas no final do terceiro episódio que as fronteiras da série se abrem, assim como devem também abrir as possibilidades de explorar melhor o mundo colapsado pela morte de quase metade da população. Há um clima meio novelesco no núcleo da filha do ex-presidente, mas a química entre Yorick e a 355, e a ótima história das HQs certamente deixam com vontade de acompanhar a série.

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