Universal Pictures/Divulgação

Créditos da imagem: Cena do filme Voo United 93

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Entre filmes, séries e documentários, o 11 de Setembro em 15 ângulos diferentes

Uma trilha de produções da TV e do Cinema para entender e relembrar o 11/09

Henrique Haddefinir
11.09.2021
09h00

A ensolarada manhã de 11 de Setembro começou como qualquer outra. Era uma terça-feira e por volta das 08 da manhã, quatro aviões estavam sendo sequestrados, para que com a troca de rotas, o mundo presenciasse ao vivo o maior atentado terrorista em solo americano. Embora o Pentágono também tenha sido atingido e o quarto avião tenha caído, o atentado sempre foi simbolizado pelo que aconteceu em Nova York, às 08:46 da manhã, quando o primeiro avião atingiu a torre norte do World Trade Center e mudou o curso da história. O que parecia um acidente se confirmou como puro terror às 09:03, quando o segundo avião bateu na torre sul. Antes do meio-dia, Nova York já estaria devastada.

Inicialmente, os ângulos da tragédia se restringiram ao que era especificamente jornalístico. Por vários dias, novas imagens de redes de TV e de anônimos ofereciam novas perspectivas do evento. Era como se precisasse haver uma proteção, um escudamento do que aconteceu quando o assunto fosse o âmbito da ficção. Na maioria brutal dos casos, as produções de TV que estavam vigentes naquele ano, decidiram ignorar o ocorrido, tendo o cuidado de, inclusive, apagar as torres de sequências e aberturas. Foi o que aconteceu com Friends, The Sopranos e Sex and the City. No caso deste último, foi necessário mais que apagar as torres da vinheta, já que a série se passava inteiramente na cidade, com muitas cenas externas. Isso diminuiu consideravelmente o número de episódios da quinta temporada e os envolvidos preferiram somente enaltecer a cidade e ignorar o atentado.

Séries procedurais como Third Watch, Rescue Me e CSI estavam em hiato e tiveram que se replanejar, abordando os atentados meses depois. Third Watch, inclusive, era um procedural que se passava em batalhão de bombeiros e paramédicos da cidade de NY, tornando impossível que seus criadores abrissem mão de abordar o ocorrido. O único que foi corajoso a ponto de falar imediatamente do assunto foi Aaron Sorkin, que três semanas depois do ataque apresentou um episódio especial de The West Wing e acabou sendo condenado pela crítica.

O ataque acaba de fazer 20 anos e hoje em dia já temos disponíveis uma quantidade imensa de títulos que relembram o que aconteceu naquele dia, com recortes diferentes e abordagens distintas. Preparamos aqui uma lista de 15 ângulos que refletem os ataques. Seguindo a trilha dessas séries, filmes e documentários, nessa ordem, é possível ter uma pequena parcela de compreensão do tamanho que teve o 11 de Setembro não só para os EUA, mas para o mundo.

The Looming Tower - Série

Jeff Daniels em The Looming Tower
Amazon Prime Video

Há uma quantidade muito pequena de séries que abordam o 11 de Setembro diretamente, mas esse ano, por causa do aniversário de duas décadas, tivemos um investimento maior no tema. O título que melhor explora os anos anteriores ao ano de 2001 é The Looming Tower, série que acaba de chegar ao Amazon Prime e que, estrelada por Jeff Daniels, revela os bastidores de uma disputa entre FBI e CIA que acabou resultando em falhas na defesa do país. O 11 de Setembro está à frente da narrativa, o que torna a série essencial para quem quer entender a parcela de culpa dos EUA no ataque e como ele começou a se desenvolver.

Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra contra o Terror - Série Documental

Cena de Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra contra o Terror - Série Documental
Netflix/Divulgação

Enquanto The Looming Tower entra nos corredores da defesa americana, a série documental Ponto de Virada da Netflix faz a mesma coisa, só que focando no planejamento do ataque pela perspectiva dos terroristas. Embora os dois primeiros episódios foquem bastante nos ataques (e é uma boa oportunidade para saber mais sobre o que ocorreu no Pentágono), há uma investigação muito interessante em torno da relação entre os EUA e as células terroristas que idealizaram a tragédia. É uma opção para quem quer conhecer mais sobre como os americanos se aliaram ao talibã para combater a União Soviética e depois acabaram criando um problema para si mesmos.

11/09 – Documentário

Cartaz do documentário 9/11
CBS/Divulgação

O documentário dos irmãos franceses Jules e Gedon Naudet foi o único, por muito tempo, a ter um registro do primeiro avião colidindo contra a torre norte. Em 2001, Jules e Gedeon estavam filmando um documentário sobre o processo de incursão de um jovem americano no corpo de bombeiros de NY. No dia 11, eles estavam registrando um atendimento de rotina, num bueiro, quando ouviram o avião, viraram a câmera e capturaram o momento do primeiro ataque. O documentário, inclusive, registra cenas da cidade nos dias anteriores ao caos e através dele, pudemos ter imagens de dentro da torre, durante a tragédia. Os rostos confusos e catatônicos dos bombeiros que sabiam que faziam uma escalada para a morte, os sons das pessoas que pulavam chegando ao chão, o desabamento das torres quase ao lado dos cinegrafistas... Tudo é muito próximo do espectador. O documentário foi lançado em DVD em 2002, mas é possível encontrá-lo no YouTube.

The Falling Man – Documentário

Cartaz de The Falling Man
Divulgação

The Falling Man é o título mais perturbador dessa lista, mas é necessário dar a ele um lugar nessa trilha, porque de todas as tragédias daquela dia, a dos que pularam dos prédios foi a mais gráfica, mais visível, foi a que tornou tudo ainda mais real. Naquele dia, mais de 200 pessoas se jogaram, principalmente da torre norte. Uma delas, em particular, acabou se tornando capa de quase todos os jornais e revistas da época. A imagem foi capturada pelo fotógrafo Richard Drew e o documentário, por incrível que pareça, tenta descobrir quem era o homem que se jogou. Contudo, o trabalho do diretor Henry Singer dá aos familiares das vítimas uma voz a respeito desse auto-sacrifício. Para muitas famílias saber que seu ente querido preferiu pular a morrer por um destino infringido pelo terror, era um conforto; e por isso muitos foram atrás de fotógrafos que registraram as quedas para tentar identificar seus familiares. The Falling Man também pode ser encontrado no YouTube.

11/09 - A Vida Sob Ataque – Documentário

Cartaz de 9/11 A Vida Sob Ataque
BBC Divulgação

Produzido pela BBC e disponível no Globoplay bem recentemente, A Vida Sob Ataque vira seu foco para quem registrou tudo que aconteceu de maneira amadora, com vídeos feitos por suas próprias câmeras. O documentário faz uma linha temporal interessante, que tem como protagonistas, pessoas que estavam fazendo registros comuns, rotineiros; e acabaram testemunhando a história. Com isso, as reações dessas testemunhas acabaram fazendo com que esse documentário tivesse uma perspectiva inédita. As imagens foram feitas tanto por quem estava na rua quanto por quem estava em apartamentos próximos das torres.

Vôo United 93 – Filme

Cena de Voo United 93
Universal Pictures

Seguindo a trilha de eventos daquela manhã, o ótimo Vôo United 93, do diretor Paul Greengrass, é uma das poucas dramaturgias que abordam o que aconteceu fora de NY. O vôo 93 foi o único que não conseguiu alcançar seu alvo (supostamente a Casa Branca ou o Capitólio), uma vez que os próprios passageiros renderam os terroristas e provocaram a queda do avião (o atraso na decolagem foi essencial para permitir que os passageiros soubessem do que estava acontecendo). O filme é extremamente tenso e acontece no tempo real dos eventos, o que o torna ainda mais poderoso. Ele não está disponível em streamings, mas pode ser alugado pelo serviço de locação do YouTube.

As Torres Gêmeas – Filme

As Torres Gêmeas
Paramount Pictures

O filme de 2006 foi dirigido por Oliver Stone e foi um dos primeiros a serem lançados depois da tragédia. O filme foi recebido com hesitação, principalmente pelo público americano, que não estava pronto para reviver aqueles acontecimentos. Contudo, a estratégia de Stone foi não abordar nada do que estava acontecendo fora das torres, o que fez com o que o filme não precisasse recriar as imagens que haviam ficado marcadas na mídia. Ele, na verdade, conta a história das únicas duas pessoas retiradas vivas dos escombros, no dia 12. John McLoughlin era policial e Will Jimeno era um dos bombeiros. Os dois se refugiaram com outros colegas num elevador próximo quando a torre em que estavam, a segunda atingida, desabou. O filme tem uma ótica sentimental e até espiritual; e foi lançado quando Nicolas Cage (que o estrela) ainda era um grande nome na indústria. Ele está disponível no Globoplay.

Tão Forte e Tão Perto - Filme

Sandra Bullock em Tão Forte e Tão Perto
Warner Bros/ Divulgação

Disponível na HBOMax, Tão Forte Tão Perto é um ótimo exemplo de história que parte da perspectiva das famílias, que em casa, assistiam tudo pela TV sem poder fazer absolutamente nada. Em 2001 os celulares ainda eram uma realidade distante, então, sair de casa era o mesmo que correr o risco de perder uma ligação importante, talvez a última. O filme conta a história de um menino que chega em casa da escola e encontra cinco mensagens do pai, que trabalha no WTC, na secretária eletrônica. O pai (vivido por Tom Hanks) liga novamente, mas com medo, o menino não atende e ouve atônito, a torre onde o pai trabalha desabar. O filme é uma peça poderosa de emoção, uma vez que em sua jornada para desvendar o enigma deixado pelo pai, o menino se depara com outros exemplos do quanto as perdas daquele dia devastaram milhares de famílias.

11 de Setembro – Coletânea de Curtas

Cartaz de 11 de Setembro
Odeon Films/Divulgação

Lançado um ano depois dos ataques, a coletânea foi promovida pelo produtor artístico Alain Brigand, que pediu a 11 diretores de diferentes nacionalidades que produzissem curtas com perspectivas diferentes do que aconteceu. O curioso é que cada curta só podia ter 9 minutos e 11 segundos e – como ficou claro depois da estreia – nem sempre eles concordavam entre si. É um título difícil de encontrar, mas que se destaca pela lista de diretores escolhidos: Youssef Chahine (segmento Egito), Amos Gitai (segmento Israel), Alejandro González Iñárritu (segmento México), Shohei Imamura (segmento Japão), Ken Loach (segmento Reino Unido), Samira Makhmalbaf (segmento Irã), Mira Nair (segmento Índia), Idrissa Ouedraogo (segmento Burkina-Faso), Sean Penn (segmento Estados Unidos) e Danis Tanovic (segmento Bósnia-Herzegovina). Na época do lançamento houve várias controvérsias e declarações de repúdio de um diretor contra o outro.

Quanto Vale? - Filme

Michael Keaton e Stanley Tucci em Quanto Vale?
Netflix/Divulgação

O mais recente lançamento da Netflix também é um filme sobre as famílias das vítimas, mas com um recorte bem diferente. Em Quanto Vale?”, Michael Keaton vive o mediador Kenneth Feinberg, que tem uma missão bastante complicada: colocar um preço na vida humana. Ele precisa calcular o valor monetário de todos que foram mortos e direcionar esse dinheiro para as famílias. O problema é que a visão inicialmente distanciada que ele tem é afetada pelos embates com o líder comunitário Charles Wolf, que perdeu a esposa no atentado. É um filme que resume bem o pós-trauma em que foram lançados os sobreviventes.

Fahrenheit 11 de Setembro – Documentário

George W. Bush em Fahrenheit 11 de Setembro
Miramax/Divulgação

O documentário de Michael Moore foi um dos primeiros títulos a colocar em perspectiva as relações entre os EUA e a família de Osama bin Laden. Embora o documentário fale muito do que aconteceu no pré-ataque, Moore consegue organizar uma narrativa que mantém o 11 de Setembro pairando sobre todas as suas argumentações. Como todos sabem, o estilo do documentarista é extremamente incisivo e exatamente por conta disso, a experiência de assistir uma de suas obras acaba sendo bastante catártica. O doc pode ser facilmente encontrado no YouTube.

Guerra ao Terror – Filme

Jeremy Renner e Anthony Mackie em Guerra ao Terror
Summit Entertainment/Divulgação

A trilha de acontecimentos que se referem ao 11 de Setembro precisa passar pela retaliação americana, que foi anunciada logo nos primeiros dias após o ataque. Guerra ao Terror, que ganhou o Oscar em 2010, leva o espectador para o conflito contra o Iraque, mas abre mão de discutir isso enquanto controvérsia política. A diretora Kathryn Bigelow preferiu mostrar a rotina dos soldados americanos enquanto indivíduos presos num jogo de sobrevivência onde o mais importante é passar para a próxima fase. Mas, apesar de não tocar nos aspectos políticos, a própria narrativa já cumpre esse papel, sendo crua e direta sobre os horrores de uma guerra declarada sob justificativas escusas. Você pode assistir Guerra ao Terror na HBOMax.

A Hora Mais Escura – Filme

Jessica Chastain em A Hora Mais Escura
Columbia Pictures

A diretora Kathryn Bigelow voltou ao tema em 2013, dessa vez dando um desfecho para os eventos iniciados lá no passado, que passaram pelo 11 de Setembro e terminaram na perseguição à Osama bin Laden. Esse é um filme muito importante dentro dessa trilha, porque é ele quem fecha um ciclo. O curioso é que ele conta a história de uma Agente Secreta, que não podia nem vir a público receber os créditos pelo trabalho que fez. Jessica Chastain é quem assume essa personagem e apesar da habitual crueza do trabalho de Bigelow, o filme deixa no ar uma pergunta importante: então, para onde vamos agora? O filme está disponível na Netflix.

24 Horas – Série

Kiefer Sutherland em 24 Horas
Fox/Divulgação

Como praticamente não existem séries exatamente sobre o 11 de Setembro, separamos duas que foram inspiradas nos eventos da tragédia e que tiveram repercussões muito fortes entre a crítica e o público. A primeira delas é 24 Horas, que estreou apenas dois meses depois dos atentados. A série, é claro, já estava sendo produzida quando o atentado aconteceu, mas, com o tempo, ela foi se moldando de acordo com as notícias e detalhes que iam surgindo. Houve medo de que a produção fosse rejeitada pelo público naquele momento, mas, é claro que o veterano branco e conservador vivido por Kiefer Sutherland era exatamente o tipo de heroi que se ajustava no meio do ódio ao Oriente Médio. Embora a série tenha perdido o fio da meada depois de alguns anos, ela está nessa lista por uma razão: seus produtores sempre demonstraram uma preocupação em não demonizar os personagens muçulmanos e santificar os americanos. Além disso, ela marca o início de uma era cheia de narrativas focadas na rivalidade entre os EUA e todo o território do Islã.

Homeland – Série

Claire Danes e Damian Lewis em Homeland
Showtime/Divulgação

Por fim, não poderíamos deixar de citar Homeland, uma outra produção oriunda da luta contra o terrorismo e que partiu de uma premissa muito interessante: Depois de anos de cativeiro no Oriente Médio, o soldado de guerra Brody (Damian Lewis) é libertado e volta para os EUA como heroi. O que ninguém sabe é que durante seu tempo preso, Brody se converteu ao Islã e aceitou voltar como agente duplo, inclusive com atentados planejados. A agente especial Carrie Mathison (Claire Danes) foi, então, designada para rastrear Brody e se certificar de suas intenções no país. A série foi criada pelos mesmos produtores de 24 Horas, mas sempre teve uma recepção melhor por parte da crítica. A trama está anos à frente do 11 de Setembro, mas todos os seus desdobramentos políticos têm raízes no atentado. Você pode assistir todas as temporadas no Globoplay.

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