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Tintim no Congo | Justiça belga declara que HQ não é racista

Corte rejeitou a ação dizendo que ela não fere leis contra racismo

Érico Assis
22.02.2012
12h47
Atualizada em
29.06.2018
02h47
Atualizada em 29.06.2018 às 02h47

A ação movida pelo congolês Bienvenu Mbutu Mondondo contra a HQ Tintim no Congo, que pedia sua proibição devido a representações racistas, foi negada por um corte da Bélgica no início deste mês. O processo começou dois anos atrás, após décadas de críticas contra o álbum de Hergé.

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Seguindo outras manifestações de apoio ao álbum, a corte decidiu que não havia intenção de racismo por parte de Hergé no quadrinho. Além disso, ressalta que o álbum foi criado numa época em que o ideário colonial era muito forte, de forma que não havia como a HQ não representar o pensamento da época.

O advogado de Mbutu, Ahmed L'Hedim, declarou ao Guardian que vai apelar da decisão, e que seu cliente "vai seguir com o caso até onde puder".

Tintim no Congo provoca controvérsia desde o lançamento em 1931, quando o Congo ainda era colônia da Bélgica. Hergé chegou a mudar parte da história em republicações, mas o problema que muitos veem é com a sua forma de desenhar os negros, que permaneceu. Na Inglaterra, livrarias pararam de vender o álbum ou colocam uma faixa avisando que ele pode ferir sensibilidades. Nos EUA, a editora Little, Brown decidiu que não vai republicá-lo nem em coleções "completas" de Tintim.

Acompanhe o caso de Tintim no Congo:

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